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Friday 15 November 2019
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De virada, Alison e Bruno Schmidt conquistam o campeonato mundial

Crédito: Divulgação/FIVB

Crédito: Divulgação/FIVB

 

Era um set para ser o mais curto. O time da casa abriu três pontos, os visitantes encostaram, viraram, os anfitriões reviraram, todos desperdiçaram match points, tudo como se fosse para que o tie break, vibrante, gigantesco, não acabasse nunca, permanecesse disputado indefinidamente. Foi quando uma largada sem bloqueio nem direito a segundo toque da defesa no fundo da quadra calou a torcida, encerrou o espetáculo do vôlei e começou a festa brasileira em Haia.

 

Se o sábado deixou o pódio do Campeonato Mundial de Vôlei de Praia totalmente verde-amarelo, o domingo começou com uma vitória incontestável e terminou com um virada que, por vezes, pareceu improvável. Alison e Bruno Schmidt se tornaram campeões do mundo, Evandro e Pedro Solberg ficaram com o bronze. Nummerdor e Varenhorst, que compunham a dupla por quem vibrava a arquibancada, saíram com a medalha de prata, metal de gosto amargo, pelo semblante dos alaranjados quando estendidos na areia, sentados na poltrona, entrevistados pelo locutor ou à direita dos vencedores no pódio.

 

Os holandeses empreenderam a tática de sacar contra Alison na esperança de que Varenhorst, pois ele raramente utilizaria a largada, pudesse freá-lo no bloqueio. A estratégia deu certo no primeiro set. O time da casa livrou boa vantagem rapidamente e encerrou a parcial de abertura sem muita demora. O segundo set seguia a mesma toada, mas uma boa sequência de saques de Alison se encarregou de deixar o time brasileiro na ponta. A empolgação da torcida arrefeceu, os brasileiros abriram tranquila e o jogo caminhou, obediente, para o tie break.

 

No set decisivo, a torcida holandesa rapidamente descobriu motivo para alentar sua dupla. Nummerdor e Varenhorst fizeram 3 a 0 e o máximo que os brasileiros pareciam ter conseguido, depois do pedido de tempo, era manter-se em jogo graças à virada de bola. Isso, no entanto, deu confiança aos visitantes, mas o desconto da diferença não veio de uma vez só, veio quase imperceptível. Alison bloqueou Varenhorst, que parece mais à vontade com a bola um pouco afastada da rede, e os brasileiros encostaram em 7 a 8. Bruno Schmidt perdeu um contra-ataque em seguida, e a igualdade e a virada só viriam depois.

 

Os brasileiros chegaram a 11 a 10, os holandeses voltaram à liderança em seguida, para perdê-la depois do 13 a 13. O primeiro match point foi verde-amarelo, Alison foi largar sem bloqueio, mas exagerou no soco que deu na bola e a pelota se perdeu além da linha de fundo. Contra-ataque desperdiçado, os holandeses viraram. Os brasileiros tomaram a dianteira. Os holandeses idem. Quando Alison e Bruno retomaram a ponta pela última vez, com um bloqueio de Alison sobre Varenhorst, o ponto decisivo veio em seguida, com um ataque similar àquele que Alison desperdiçara no 14-13. Desta vez, o contato da bola com os nós dos dedos do Mamute a levaria fatalmente à areia de jogo, não fosse Nummerdor, num último ato desesperado, tocá-la sem destino, acabando o jogo. O placar foi de 2 sets a 1 para a dupla brasileira, com parciais de 12-21, 21-14, 22-20.

 

Na preliminar, Evandro e Pedro Solberg venceram os norte-americanos Lucena e Brunner por 2 a 0 (22-20, 21-13), com destaque para uma sequência de saques de Evandro que desequilibrou o segundo set e deixou a medalha de bronze no peito de seu time.

 

Os prêmios individuais ficaram todos com jogadores medalhistas. Evandro recebeu os dois prêmios do saque – melhor sacador do campeonato e autor do saque mais veloz. Varenhorst foi o melhor bloqueador e seu parceiro, Nummerdor, o MVP. Bruno Schmidt leva a comenda de melhor atacante, enquanto Pedro Solberg foi o maior pontuador.

 

Alison não levou nenhum desses prêmios, mas o maior premiado entre todos no pódio era ele: enquanto os outros cinco jogadores receberam hoje sua primeira medalha em campeonatos mundiais, ele tem agora, em sua coleção, dois ouros e uma prata em torneios dessa magnitude, além de uma prata olímpica.

 

Foi o sexto título mundial masculino do vôlei de praia brasileiro, o décimo primeiro no geral.




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