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Sunday 17 February 2019
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Em grande fase, Macris fala sobre carreira, seleção e veganismo

Levantadora disputa a segunda temporada com a camisa do Minas. (Foto: Maggie Cheun)

Após 26 anos, o Minas Tênis Clube subiu ao pódio do Mundial de Clubes, em dezembro passado. E o segundo lugar foi guiado por Macris, eleita a melhor levantadora da competição, prêmio que já recebeu em quatro edições da Superliga. Em conversa exclusiva com o Melhor do Vôlei, a atleta falou sobre a carreira, os desafios no clube, a adaptação à filosofia de trabalho italiana do treinador Stefano Lavarini, a seleção feminina e também o veganismo.

Confira:

Como começou a sua história com o vôlei?

Foi devido ao contato diário com o esporte através dos meus pais, que foram atletas de vôlei, professores de educação física e tinham também turmas de treinamento na modalidade. Quando eu tinha sete para oito anos, e acompanhava os treinos da minha irmã, eu costumava ficar do lado de fora da quadra brincando de bola na parede. Um dia, calhou de necessitarem completar um quarteto que iria disputar um campeonatinho em alguns dias.

Como eu já conseguia de alguma forma devolver a bola executando os fundamentos, me chamaram para participar. A partir daí, eu aceitei e estou no vôlei desde então. A posição de levantadora surgiu para mim quando cheguei na categoria mirim, onde teria que escolher alguma função específica, e me perguntaram se eu queria ser atacante ou levantadora. Eu optei por ser levantadora, porque eu era muito “baixinha” pra minha idade na época, e entendi que assim seria melhor. Permaneci como levantadora e cada vez mais fui criando gosto por essa função.

Você é conhecida pelas suas jogadas ousadas. O que você mais analisa nos times adversários durante os estudos em vídeo?

Os estudos em vídeo são feitos englobando vários pontos importantes na análise da outra equipe. Como levantadora, visando a boa execução do sistema ofensivo da nossa equipe, o foco maior fica no entendimento do comportamento da equipe adversária no bloqueio e sistema defensivo, tentando decifrar também características individuais de cada bloqueadora que possibilitem encontrarmos o melhor caminho para a conquista dos pontos.

Sabemos que cada técnico tem uma filosofia e você está pelo segundo ano usufruindo da italiana. Como é essa experiência? O que você sentiu de diferente dos demais?

Para mim, é muito gratificante e uma experiência incrível poder usufruir dessa filosofia sem precisar sair do país para isso. Aprendi a desconstruir algumas limitações e enxergar o jogo de forma diferente, o que vem somar com os aprendizados que tive na filosofia brasileira.
Gosto muito de trabalhar com o Stefano. Acredito que ele potencializa o que posso oferecer de melhor dentro da minha característica como levantadora, como a velocidade de jogo.

Em entrevistas anteriores, você afirmou que há excelentes levantadoras brasileiras. Durante a ausência de Dani Lins por conta da gravidez, seu nome voltou a aparecer em convocações para a seleção adulta. Jogar as olimpíadas de Tóquio-2020 está nos seus planos?

Se o futuro me reservar essa oportunidade, será com muita alegria que tentarei oferecer o meu melhor para contribuir com a equipe que irá representar o país numa competição tão almejada por qualquer atleta. Meu foco é buscar a evolução e aperfeiçoamento no presente e estar preparada para as possibilidades futuras, sejam quais forem.

Você considera que esta é a melhor fase da sua carreira?

Acredito ser uma ótima fase, onde tenho possibilidade de vivenciar experiências que agregarão na consolidação da minha carreira como atleta.

Qual a importância do Minas na sua carreira?

O Minas, assim como outras equipes que passei, vem somar na minha trajetória, possibilitando dar um passo a mais no desenvolvimento como atleta. É uma honra defender um clube tão tradicional no país e no esporte. A contribuição para o meu desenvolvimento, com certeza foi e continua sendo incrível. Tive a oportunidade de participar pela primeira vez de uma semifinal de Superliga, de um Campeonato Sul-Americano e de um Mundial de Clubes, chegando ao pódio nas três competições. Terei sempre imensa gratidão por todas as oportunidades vivenciadas aqui, pela possibilidade de utilizar essa excelente estrutura para os treinamentos e jogos, por todos os profissionais que nos dão suporte no dia a dia, assim como agradeço também a todos os dirigentes do clube pela confiança no meu trabalho.

As semifinais do Mundial de Clubes foram definidas entre clubes turcos e brasileiros. Muitos falam que a nossa liga está entre as melhores. Como você avalia essa evolução e o que o vôlei internacional pode agregar ao país?

Sem dúvida, a liga brasileira vem crescendo e se fortalecendo a cada ano. Acredito que hoje, junto das ligas turca e italiana, que provavelmente são as mais conhecidas mundialmente, a brasileira tende a chamar cada vez mais a atenção dos olhares internacionais pela qualidade e nível que vem adquirindo a cada temporada. O vôlei internacional, muitas vezes une inúmeros atletas de diferentes potências e, com certeza, acompanhar esses campeonatos pode somar para o aprendizado de diferentes culturas e formas de jogar que são tendência mundial. Dá para enriquecer o repertório de jovens atletas que buscam um dia figurar nesse cenário.

Como aconteceu a sua mudança de estilo alimentar e quando você se tornou vegana?

Ser vegana está além da mudança nas escolhas para alimentação. É um novo estilo de vida. Hoje, vejo que o meu despertar para o veganismo teve os primeiros passos a partir das próprias concepções que tive quando criança: o amor aos animais, sempre querer cuidar e proteger, ter sensibilidade para com a dor dos outros, preservar a natureza, entre outros. No final de 2016, quando adquiri conhecimento sobre a importância de entender o que são níveis de evidência em relação à pesquisa científica, fui buscar mais sobre a alimentação, quebrando muitos mitos e idéias pré-concebidas que eu tinha sobre o assunto.

Tive o embasamento necessário para buscar a mudança, junto da inspiração em outros atletas veganos, e pude então fazer a conexão que faltava em relação aos animais. Por que amar uns e comer os outros? Assisti documentários que mostram a realidade do que eu ignorava até então, e cada vez mais ficou claro para mim a necessidade de mudança, não só pelos animais ou pela minha saúde, mas também pelo meio ambiente. Então, iniciei 2017 completamente adaptada a esse novo estilo de vida que busca todas as formas, dentro do possível e do praticável, de excluir qualquer possibilidade de crueldade e exploração animal, através da alimentação, do vestuário, do entretenimento, dos cosméticos, dos produtos de limpeza, etc…

Ser vegana limita as opções para alimentação? Como você faz em viagens e para manter o condicionamento físico?

Não vejo limitações na alimentação de uma pessoa vegana, pelo contrário. Com uma expansão de consciência que te permite sair do “modo automático”, abre-se na mente um leque de opções já existentes, mas muitas vezes ignoradas pelo comodismo e tradição. Frutas, verduras, legumes, raízes, tubérculos, grãos, leguminosas, castanhas, nozes, sementes e tantas coisas já consumidas, já conhecidas, mas tradicionalmente substituídas por outras muitas vezes nada saudáveis.

No final das contas, depende da sua escolha e não das opções necessariamente. Nas viagens, tanto no Brasil como fora dele, sempre tive facilidade de escolher dentre as opções existentes. Conheci novos sabores e diferentes formas de consumir os alimentos. Quanto a manter o condicionamento físico, esse trabalho é feito pela preparação física, através do treinamento com pesos na academia e nos treinamentos com bola na quadra, executados por toda a equipe.




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Luiz Alberto
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Macris, (A fada das mãos mágicas) a muito tempo é sem sombra de duvidas a melhor levantadora do Brasil, e recentemente no mundial de clubes provou ser uma das melhores do mundo. Parabens garota é maravilhoso vela jogar.

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