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Monday 23 September 2019
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Entrevista: A favor do ranking, Sérgio Negrão fala sobre Superliga e o momento do vôlei brasileiro

Foto: Divulgação

Um dos mais experientes treinadores que atuam na Superliga, o treinador Sérgio Negrão foi o primeiro técnico a escrever seu nome entre os campeões da competição. A Superliga começou em 1994 e, em suas primeiras três primeiras edições (1994/1995, 1995/1996 e 1996/1997), o Leite Moça (Sorocaba-SP) levou a taça para casa, sob o comando do treinador.

A história de Sérgio Negrão se confunde com a história da própria Superliga e o treinador é considerado um dos mais competentes e respeitados do voleibol brasileiro. Hoje treinador do Brasília Vôlei, equipe que conta com estrelas como Paula Pequeno, Érika e Elisangela, Sérgio Negrão concedeu uma entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei, abordando, entre outros assuntos, o desempenho de sua equipe, da Superliga em si, os novos talentos do voleibol brasileiro e comentando sobre os críticos que apelidaram sua equipe de “penetra da Superliga”. Boa leitura!

 

Como você avalia o desempenho da equipe em sua primeira participação na Superliga?

Eu avalio a primeira participação do Brasília Vôlei na Superliga como discreta. Atingimos nosso objetivo técnico que era nos classificar entre os oito primeiros e, com isso, garantir a pré-classificação para a próxima Superliga, mas tivemos altos e baixos durante todo o campeonato. Oscilamos bastante e perdemos jogos que não podíamos perder, mas no final, acabou dentro das nossas expectativas.

 

Quando o time de Brasília foi montado, a equipe entrou atrasada no mercado e sofreu dificuldades em contratações em determinadas posições e isso ficou evidente durante a Superliga. Esse ano, o Brasília Vôlei contratou peças importantes de reposição, como a ponteira Michele, as levantadoras Pri Heldes e Ananda e as centrais Angélica, Roberta e Edna.  Quais são os objetivos com esse elenco mais forte?

Conseguimos montar uma equipe competitiva a temporada passada e somos muito gratos as jogadoras que acreditaram no projeto Brasília Vôlei. Neste ano, conseguimos reforçar a equipe em todas as posições. Nossa equipe ficou mais forte, mas as outras equipes também ficaram. Acabaram duas equipes (Barueri e Amil) e todas as outras equipes absorveram as atletas dessas duas equipes isso fez surgir equipes mais fortes e equilibradas. Será uma Superliga bem disputada e interessante.

 

 O Brasília Vôlei possui três jogadoras experientes que são os pilares da equipe: Paula Pequeno, Érika e Elisangela.  Contudo, a chegada de jogadoras mais novas e de qualidade, como a ponteira Michelle Pavão, e a presença de quatro centrais de nível equivalente, acirra a briga por posição dentro da equipe. Como treinador, qual é seu objetivo e sua opinião sobre a situação?

Sou favorável de uma disputa leal e justa por posições dentro da mesma equipe. Isso faz com que as atletas não se acomodem e estejam sempre querendo melhorar. Acho normal uma rotatividade entre as jogadoras. É normal que uma atleta esteja bem num jogo e não tão bem em outro. Um jogo pode ser da Elisangela o outro pode ser o da Jéssica. É sempre bom ter atletas de reposição a altura das titulares.

 

Como você avalia os times que disputarão a Superliga 2014/2015? Quem são os favoritos?

Como eu disse anteriormente, acredito que a próxima Superliga será ainda mais difícil que a passada. As equipes estão mais equilibradas e muito fortes. Acredito que a Unilever sempre é favorita, pelo excelente trabalho do Bernardinho, o Molico/Osasco também sempre muito forte e o SESI já mostrou sua força. O Praia Clube montou uma equipe para disputar o título e já não será mais surpresa se ganhar.

 

 

Sérgio Negrão foi gestor e técnico do Voltaço Vôlei

 

Na última edição da Superliga, praticamente todas as equipes sofreram com um dos principais fundamentos do vôlei: a recepção. Ao que você credita um desempenho tão abaixo da média por praticamente todas as equipes?

Primeiro o saque está muito forte e evoluiu mais que a recepção. Em segundo lugar acho que tem a ver com a própria evolução do jogo de voleibol nos últimos anos. Está valendo mais a força física que a técnica. Hoje em dia é normal ter jogadoras que atacam muito bem bolas altas e de seguranças. Por isso, não há uma preocupação tão forte se uma equipe passa todas na mão, pois tem atacantes de força que conseguem corrigir passes não tão bons.

 

 Como você avalia o nível técnico da Superliga? As equipes estão ficando mais equilibradas, com uma final inédita entre Sesi e Unilever depois de muitos anos? O vôlei brasileiro está ficando carente de jogadoras em determinadas posições, tendo de recorrer à estrangeiras?

 O nível técnico está muito bom, Equipes fortes e equilibradas. Será uma Superliga incrível. Eu acho que todos os técnicos que trabalham na Superliga são muito competentes e farão de tudo para mostrarem seus valores. Não acredito que há carência de jogadoras em determinadas posições. Acho que está acontecendo um processo de renovação das jogadoras e é normal que as mais novas sintam um pouco a pressão no começo, mas depois elas acabam se soltando e assumindo a posição de liderança necessária. Trazer jogadoras estrangeiras é normal e fazemos isso a muito tempo. Eu mesmo já trabalhei com muitas jogadoras estrangeiras desde o começo da minha carreira. Acho normal uma equipe estar carente em certa posição e recorrer a uma atleta estrangeira.

 

Novamente, o ranqueamento ganhou destaque no final da edição da última Superliga e houve até uma campanha entre os atletas para a extinção dele. Qual é a sua posição sobre o ranking?

Sou inteiramente a favor do ranqueamento. Acho que ele cumpre o papel dele de distribuição de forças e evitar a concentração de jogadoras de nível pelo poder econômico. Algumas e alguns atletas que são contra o ranquemento veem o que é melhor para eles somente. O mercado do voleibol precisa ter algum tipo de regulador.

 

Muitos torcedores vêm criticando o processo de renovação da seleção feminina, afirmando que algumas das atletas convocadas são muito baixas para jogarem em nível internacional ou não possuem nível para tanto. Como você enxerga o processo de renovação da seleção?

O Brasil nunca teve a equipe mais alta do mundo e mesmo assim é bicampeã olímpica entre outros títulos. O Zé Roberto convoca as melhores jogadoras e nem sempre são as atletas mais altas. Se tiver uma atleta alta jogando tão bem quanto a Michelle Pavão em todos os fundamentos, tenho certeza que o Zé Roberto vai convocar. O Brasil foi Campeão Olímpico duas vezes com a Paula Pequeno (com 1,84) e Fernanda Garay (com 1,82) nas pontas. Acho que a preocupação com a altura é relativa. Claro que seria muito bom se todas fossem altas e bem trabalhadas tecnicamente, mas no Brasil, não temos o biótipo tão alto assim.

 

Quem são os novos talentos que você pode apontar que podem surpreender no futuro e fazerem parte da seleção? 

Acho que a Monique e Michelle Pavão, a Priscila Heldes, a Angélica vão se reunir com as que já estão na seleção como a Gabi e outras.


Ricarda e Leila são as diretoras da equipe
 

Sobre o Brasília Vôlei, a equipe parece ter um projeto sólido que prioriza trazer atletas de Brasília e que incentiva o esporte em sua plenitude. Contudo, a cada ano, equipes são extintas da Superliga por falta de continuidade do patrocinador e muitas atletas ficam desempregadas.  Você acredita que o voleibol brasileiro está em crise? O que falta para atrair mais patrocinadores e os fazerem permanecerem aliados aos times em projetos sólidos como o de Brasília?

O Brasília Vôlei tem um projeto muito interessante. A Ricarda e a Leila fazem escolinha de voleibol há oito anos, mas de cunho social. No ano passado, foi a primeira experiência delas com uma equipe adulta e foi muito bom. Nesta segunda temporada, elas conseguiram renovar com os patrocinadores e mais ainda, o BRB colocou o patrocínio ao voleibol do Brasília Vôlei no seu plano estratégico e isso garante o patrocínio por cinco anos. O BRB já patrocina o basquete de Brasília a dez anos e continua patrocinando. Espero que no voleibol o patrocínio também persista por tanto tempo. A Terracap, que é nosso patrocinador máster, também renovou a solicitou que apoiássemos as categorias de base. Temos uma parceria importante com o SESI Taguatinga nas categorias de base, mas toda a coordenação técnica é do Brasília Vôlei.

Não acredito que o voleibol brasileiro esteja em crise. O nível de investimento é cíclico. Tem anos com mais patrocinadores e equipes e tem anos com menos patrocinadores. Acredito que o entra e sai de patrocinadores é ruim para o esporte como um todo, mas todo projeto de marketing tem começo, meio e fim. O que precisa mudar é o modelo de negócio voleibol. A CBV nunca se preocupou muito com os clubes. As negociações do passado privilegiaram as seleções brasileiras e a própria CBV. Os clubes foram negligenciados. Acredito que a criação da Associação dos Clube de Voleibol, a ACV, vem no sentido de corrigir esse problema. A Superliga é uma competição muito grande que consegue trazer muito retorno de mídia. A negociação do produto Superliga pode ser diferente e arrecadar muito mais do que arrecada. E, a exemplo do futebol, dividir entre os participantes o produto dessa arrecadação.

 

Pelo fato do Brasília Vôlei ter recebido convite da CBV para integrar a Superliga, sem ter disputado a Liga Nacional, alguns críticos chamam a equipe de “penetra da Superliga”. O que você acha disso?

Eu acredito que o fato do Brasília Vôlei ser chamado de “penetra” pelo Bruno Voloch (o Nelson Rubens do voleibol) é uma tremenda dor de cotovelo que ele tem pelo fato da equipe ser da Ricarda e Leila e ele ter uma grande mágoa pelo fato da Ricarda ter sido escolhida como líbero da seleção brasileira na Olimpíada de 2000 em Sydney em detrimento da mulher dele, a Sandra. Posição que foi ganha em quadra de forma justa e comprovada cientificamente pelas estatísticas.

A prova disso é que várias equipes foram convidadas pela CBV ou não disputaram nenhuma seletiva ou Liga Nacional quando entraram na Superliga, entre elas: SESI (masculino e feminino), Unilever, Osasco, Amil, Maringá, Barueri, Uniara (disputou a Liga Nacional, mas ficou em segundo lugar), Maranhão, São Caetano, São Bernardo, RJX, UFJF, Taubaté, Volta Redonda, Montes Claros – só pra citar as atuais, pois se buscarmos equipes que já acabaram a lista aumenta muito.

Então porque só o Brasília Vôlei é chamado de “penetra”?

 

Mande um abraço aos torcedores do Brasília Vôlei que acompanham a equipe aqui no Melhor do Vôlei

A aceitação pela sociedade brasiliense e fãs do time do Brasília Vôlei  foi sensacional . Esperamos retribuir com uma equipe muito guerreira alem de trazer muitas vitórias para os brasilienses que amam o voleibol.

 

Um forte abraço a todos!




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Que equilibrio existe nesse ranking? O Rio conquistou 5 títulos consecutivos em 6 disputados. Isso é equilibrio? É lamentável que técnicos como Bernardinho e Zé Roberto também pensem assim. São pessoas que poderiam mudar essa mentalidade tacanha. Isso só acontece no Brasil, depois não entendem pq nossas equipes naufragam no Mundial de Clubes, onde competem com verdadeiras seleções. Torço para que TODAS as atletas nível 7 saiam do país. Queria ver o que iriam fazer com o esfaziamento na superliga e os poucos patrocinadores fechando as portas. Talvez acordassem. A ironia é que, a partir da próxima temporada, a Macris… Ler mais »

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