Search
Friday 15 November 2019
  • :
  • :

Entrevista: José Elias Proença explica preparação física da Seleção Feminina neste último ciclo olímpico

13567431_963306523767876_5415363096830380102_n

Fotografia: Divulgação/CBV

 

Só um trabalho muito bem planejado e executado, a partir de detalhes, pode levar uma equipe a um título como aqueles conquistados na Olimpíada de Pequim 2008 e Londres 2012, além claro, do World Grand Prix 2016. Cada atleta em quadra tem sua performance física e técnico-tática construída. José Elias Proença, preparador físico da seleção, é um dos responsáveis pelos movimentos que valem pontos preciosos a cada partida e a cada conquista da equipe feminina.

 

Zé Elias, possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo(1972), graduação em Psicologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Guarulhos(1981), mestrado em Educação Física pela Universidade de São Paulo(1988) e doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo(1993), atuando principalmente nos seguintes temas: Aprendizagem Motora, Motivação, Processo Ensino Aprendizagem, Habilidade Motora, Desenvolvimento Motor.

 

O Melhor do Vôlei conversou com preparador sobre a questão de lesões ou a preocupação com a forma que as meninas se apresentam à seleção, onde é enfático e destaca que a competência técnica vai melhorar com a competência física. “Todas as jogadoras preocupam conforme as condições que chegam, principalmente porque lutamos muito contra o tempo, por exemplo, a Thaisa que veio de uma cirurgia. A Juciely chegou com queixas no joelho, que ela acreditava que não iria solucionar, mas ela zerou, esqueceu e passou a jogar bem, pois é uma pessoa que se supera. Ela achava que iria conviver com este incomodo no joelho o resto da vida dela e fomos colocando propostas a ponto dela chegar a dizer que havia esquecido que tinha dores no joelho. Tudo isso são ganhos e que vai fazendo com que ela crie possibilidades de liberdade para melhorar a performance, porque ela melhora a saúde física, a potência e vai melhorar a competência física e atlética. Então a gente também cria exercícios específicos para elas e quando colocamos objetivamente que precisamos conseguir isso ou aquilo, elas se ajeitam e vão juntos. Por mais que exista uma preocupação no inicio, a gente sabe que a competência técnica vai melhorar com a competência física que são colocados na soma desses desafios. Então todas chegam sempre precisando de alguma coisa e sempre existe algo a mais que a gente pode fazer, além dos desafios, de controle de movimento que passa pelo cognitivo e no suporte físico nas condições anti-fadiga. Sempre temos mais para dar”.

 

Questionado sobre a possibilidade de unificação entre os clubes e seleção, José Elias destacada a importância da comunicação. “Isso é muito complicado, porque não existe o melhor método, mas sim um processo. Existem profissionais que não utilizam a técnica do Pilates e realizam um trabalho com a musculação e conseguem resultados significativos. Precisamos agir com respeito. A Sheilla por exemplo, trouxe um exercício chamado fluiball, que é um medicineball com líquido dentro e ela realizava este movimento com um avanço e o fluído mexia dentro da bola, gerando propriocepção e senso-percepção que da uma certa organização do corpo. Ela trouxe o exercício e passou a realizá-los. Notamos como era importante à ela essa permanência. Ou seja, não é porque realizamos essa combinação que é o melhor método. Existem excelente métodos. Acredito que o que precisaria mais é favorecer o fortalecimento da comunicação entre todos os profissionais de clubes. Eu sempre dei carta branca e tenho comunicação com profissionais de vários clubes. O que precisamos acreditar é na comunicação e na humildade. O clube contribui com a gente e a gente contribui com o clube, vamos ser humildes para reconhecer isso”.

 

Os ciclos olímpicos (Pequim 2008, Londres 2012) tiveram trabalhos de preparação física diferenciados e José Elias explica o trabalho desenvolvido até a Rio 2016. ”Trabalhamos para o ciclo de Pequim com a metodologia powerlifting que era muito levantamento de peso e tivemos um excelente resultado, então foi o ciclo todo assim. O primeiro ano a aprendizagem da técnica, o segundo a fixação da técnica, o terceiro ano, em 2007, foi o ganho e o implemento da carga (referência com ganho de carga). Em 2008 tentamos resgatar a carga de 2007, onde elas chegaram aos 80% e com resultados de força e potência bastante interessantes. Só que com 4 anos de memória com essa metodologia, tínhamos que dar continuidade neste sentido mas não poderíamos implementar carga a vida toda, então entramos na parte mais do funcionamento, que denominamos como estruturas funcionais, que entra muito hoje nos treinamentos funcionais, como a propriocepção das coordenações e sustentação do trabalho. Neste ciclo, além de manter essa preocupação com a carga, entramos muito com essa percepção senso percepto-motora, que é o implemento até do próprio Pilates como intervenção, que foi importante para elas adquirirem resgaste e aplicação de força dentro da quadra. Então passa muito pela consciência do corpo, pelos sistemas de organização coordenativa para poder trazer para este ciclo.Cada ciclo perde um tipo de relação pela características do grupo de atletas que se tem. Não fazemos a mesma preparação física para cada ciclo. Analisamos o grupo e as carências e temos que cuidar muito dessa relação do corpo delas suportarem os treinos e melhorar a performance técnica”.

 

Sobre a preparação da seleção feminina para a Olimpíada Rio 2016 com o auxilio do Pilates, José Elias comenta sobre o caso de Sheilla  e Fernanda Garay. ”A Sheilla melhorou a força de ataque e melhorou muito a condição de jogo. Nós a vimos em uma condição de jogo recuperada, então passa por uma condição de jogo técnico/tático, mas passa por essa condição física, e a recuperação física é ganho de alavanca, ganho de aceleração de braço e atacar com a precisão e potencia que ela sabe fazer. A Fernanda Garay havia uma preocupação em abrir o seu quadril, porque o fechamento do quadril dela as vezes gerava uma reação nas costas e com o Pilates ela sabe que consegue isso. Então essa relação de cultura corporal relacionado à performance, valorizando os métodos de condicionando físico, estão na cultura delas hoje. Estavam todas prontas para este nível competitivo, claro que chegaram com certa defasagem, mas conseguimos equilibrar essa relação”.

 

Relacionado à levantadora Fabíola, José Elias destaca passo a passo o processo de retorno da atleta. ‘Conheço a Fabíola desde 2004 na relação com a seleção e lembro dela até hoje chegando com a Arlene. Como o foco era o Pilates, onde existe o mesmo para o atleta e para gestante, a Fabíola foi no momento ainda de gestação com o auxilio do Lucas, que trabalhou comigo em Campinas e fomos discutindo juntos. Tanto ele na academia fazia com a consciência do Pilates como a Fabíola também foi para Studio. Ela acabou se descobrindo, achando muito interessante a respiração que contribuiu no parto. Então voltou da situação pós-parto com essa memória ativada e com isso eu levava ela para o Pilates sabendo que eu não precisava voltar ao controle e lento, com isso já fui em intensidade de condicionamento com ela e com isso respectivamente ela foi retornando as cargas. Quando ela retornou, estávamos no Grand Prix e quem comandou este trabalho com ela foi o Fábio, que é preparador físico do Sada Cruzeiro. Então o Wagão na parte com bola e o Fábio na parte física. Depois o Fábio também em alguns esquemas da relação de intensidade da parte com bola. Então a Fabíola voltou e a própria situação do parto da uma resistência orgânica para a mulher, e com isso ela já voltou com os controles e podendo fazer uma exigência física, orgânica, músculo-esquelética, e que significa que ela tinha aquilo na memória, só que na memória as vezes a gente tem habilidade mas não sustenta a habilidade pelo condicionamento especifico, e assim o Zé Roberto começou aplicar dentro da quadra o condicionamento especifico”.

 

Sobre os treinamentos da levantadora na Olimpíada, José Elias revela observação e conclui que a levantadora estava apta para jogo. “Eu ficava olhando muito as repetições das ações, pois os treinos do Zé são de muitas repetições de bola e quando termina ele exige mais da levantadora, para obrigar que ela tenha uma biomecânica  de entrada em baixo da bola, de colocar a bola com precisão e eu ficava olhando o momento da entrada. E a gente olhava quando escapava a frequência e ela suportou. Suportou a preparação e chegou no nível de condição”.

Rodrigo Quizi

 




Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Auto Notificar:
Translate »