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Monday 10 December 2018
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Ex-jogador de Vôlei Futuro e Montes Claros, Bob desabafa contra descaso de dirigentes

Foto: Orkutorcida Montes Claros

A crise financeira e a debandada de atletas que o RJ Vôlei sofreu nessa temporada chamou a atenção de todos. Porém, infelizmente, isso não aconteceu só lá não. No Brasil e até mesmo no exterior, casos de falta de profissionalismo dos dirigentes ainda ocorre aos montes.

Neste domingo, o ponta Bob Dvoranen, ex-jogador do Vôlei Futuro e do Montes Claros, usou seu facebook para desabafar sobre mais uma ilusão que sofreu, desta vez no exterior.

Atualmente, o jogador está no Irã. Após seu time atingir os objetivos estabelecidos, os dirigentes não querem pagar o que prometeram. O jogador inclusive relatou todos os problemas que teve com atraso de pagamentos e promessas não cumpridas, desde que deixou Araçatuba. Veja:

Apos o termino da temporada 11/12, onde disputei a Superliga pelo Vôlei Futuro, recebi a proposta de Montes Claros para a temporada 12/13, após um curto período de negociação, fechei com um clube. Todos os outros clubes no Brasil já tinham se apresentado, e eu mais uma meia dúzia de contratados esperávamos ansiosamente pra iniciarmos nossa temporada, vários boatos começaram a surgir, ate que em agosto (período em q todas as equipes já estão montadas e treinando, algumas ate já disputando campeonatos), eis q é anunciado o fim da equipe de Montes Claros, com dirigentes presos inclusive, por suspeita de desvio de verba publica. Entendo o fim da equipe, e os motivos: CORRUPÇÃO! 

A partir dai, onde ficam nossos direitos? Perdi todo o valor do meu contrato, perdi a oportunidade de disputar a superliga daquele ano, e naquele momento estava desempregado, sem direito a nenhum centavo do clube qUE me colocou naquela situação e com a temporada já em andamento, o que dificultava a minha contratação por outra equipe. Ok, vamos ao plano B! 

Me transferi para o voleibol romeno, Remat/Zalau. Trabalhei por quase 5 meses, recebi dois, e em janeiro fui convocado para uma reunião na prefeitura da cidade, onde a pauta era cortes salariais devido a perda do patrocínio, fiz um acordo financeiro (que não recebi ate hoje) e sai de lá, mais uma vez sem respaldo algum e sem o meu dinheiro novamente! Ok, sou brasileiro e não desisto nunca….hahahahha…plano C!!

Apos um mês e meio de duvidas e com vários pensamentos ruins vindo a mente, consegui um contrato na Indonesia, joguei la por um mês acredito, e pasmem, ao final, tentaram descontar do meu salário, depois de ameaçar chamar a policia e ligar para embaixada…consegui receber o salário de um mês! Ufa…temporada dificil essa, três clubes, mta falta de profissionalismo e alguns calotes! Acham q chegou ao fim? Não, a historia continua!

Temporada 13/14, fechei com Monte Cristo/Goiânia, time campeão da superliga B, e com vaga para essa temporada da superliga.

Feliz e esperançoso com a volta ao Brasil e com a expectativa de uma boa temporada pelo novo time, nos apresentamos em Goiânia, loucos pra trabalhar. E foi o q fizemos, ralamos e ralamos, pra fazer de um time “mediano” a possível surpresa do campeonato! Após dois meses de trabalho, e nenhum salário recebido, começaram a estourar as bombas, enfim, não tínhamos mais patrocínio em Goiânia e tentaríamos uma parceria com outra cidade, Montes Claros de novo. 

Pois bem, as pressas, abandonamos tudo em Goiânia, cancelamos tudo por la, pegamos nossas matulas e bora pra Montes Claros…. a expectativa era q tudo se endireitasse, q passássemos a receber nossos salários e tivéssemos uma estrutura para trabalhar, assim como nos foi prometido, então nos mudamos, esperançosos e loucos por trabalho. Mais dois meses se passaram e nada de salários. Reuniões intermináveis, mentiras começaram a aparecer e enfim resolveram tentar acordos com os atletas, o meu consistia em abrir mão de 75% do meu contrato, isso, exatamente isso, trabalhar por 25% do que havia sido acordado. Não assinei nada, pois achava injusto, mas continuei no time, pois julgava ser uma boa oportunidade, pela equipe que havíamos construído, e não pelo dinheiro que iria receber. Um pouco mais tarde, começamos a ter propostas, e inevitavelmente o time de guerreiros começou a se desmontar, um pro Qatar, outros pra Indonésia, outro pra Franca, eu vim pro Irã, alguns até abandonaram o voleibol tamanha decepção. A propósito, esse foi um grande grupo, foi um prazer ter feito parte.

Voltando a história, Montes Claros, devendo dinheiro aos seus atletas e comissão, acabou ficando com a ultima posição da Superliga, uma pena porque o trabalho era muito duro e sério por parte dos atletas e comissão técnica, mas nada mais justo, já q o profissionalismo por parte dos dirigentes passou muito longe dali! 

 

Pra finalizar o meu trajeto, nessas duas longas e estressantes temporadas, estou aqui no Irã, mais uma vez trabalhamos, atingimos o objetivo estipulado pelo clube(o que nos da direito a um bônus inclusive) e adivinhem? Não querem pagar!!!

Decepcionado com os acontecimentos, o jogador deixou a questão no ar: “Quando os clubes entenderão que esporte é uma profissão, não uma brincadeira? Quando entenderão que abrimos mão de boa parte de nossa vida pra nos dedicarmos somente a isso? Quando entenderão que se trabalhamos, temos que receber, independentemente dos resultados alcançados? Quando entenderão que também temos contas a pagar, família a criar, e que nossa carreira é curta e não temos plano de aposentadoria? Quando entenderão que não somos palhaços brincando com uma bola? Até quando não teremos respaldo nenhum por parte das entidades que comandam ao voleibol em relação a isso? Estão envolvidos com esse esporte, porque o amam, mas se amam mesmo, porque não o RESPEITAM?




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