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Thursday 19 September 2019
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Fazendo sucesso na França, André Lukianetz lamenta fim do seu ex-clube em Campinas

Foto: Fabienne Panin

 

Com muitas incertezas e dúvidas a cada fim de temporada no vôlei brasileiro, muitos jogadores acabam por ir seguir a carreira em terras estrangeiras. André Lukianetz é um desses talentos que hoje brilham fora do país. Atualmente jogando na França, o ponta de 30 anos é um dos destaque do Paris Vôlei, que busca novamente voltar ao topo local.

Em plena disputa das semifinais da Liga Francesa, o jogador concedeu entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei. Entre os assuntos abordados, Lukianetz falou de sua temporada na França, das diferenças entre as duas competições e ainda comentou sobre o fim do seu ex-clube, o Medley Campinas, que segundo ele, o pegou de surpresa.

Confira abaixo a entrevista com o jogador.

Lukianetz (#16) rapidamente se adaptou a França. Foto: Divulgação

Melhor do Vôlei: Como você recebeu a proposta da França e qual foi sua reação? 

André Lukianetz: O clube me contatou perguntando se eu teria interesse de jogar para eles, no momento foi meio estranho, pois não imaginava voltar para Europa, já que eu tinha reaberto o mercado brasileiro, mas fiquei feliz ao mesmo tempo pois sempre tive vontade de jogar na França e nunca tive uma oportunidade real. 

MDV: Você foi para a Europa por opção própria ou por falta de opções no Brasil?

Lukianetz: Após algumas semanas do termino da superliga fui vendo como estava o mercado no Brasil e então não quis arriscar e esperar, e decidi vir para Paris.

MDV: Como foi sua chegada na França?

Lukianetz: Fui muito bem recebido, mas é muito estranho quando você se acostuma com o calor e alegria do povo brasileiro, pois em geral na Europa as pessoas são mais frias e aqui não é diferente. 

MDV: O que você encontrou de diferente nos treinos e jogos em relação ao Brasil? Depois de quanto tempo, vc pode afirmar que já estava adaptado aí?

Lukianetz: Acho que a principal diferença daqui para o Brasil é a parte física, onde no Brasil o trabalho é muito forte principalmente em relação a musculação. Acho que essa é a principal diferença, demorei algum tempo para me adaptar mas tive flexibilidade com o preparador físico para ajustar meu treino. E também jogamos praticamente UMA vez por semana e no Brasil são DUAS. Acho que no final do primeiro turno já estava bem adaptado.

MDV: O Paris vem bem na Liga, lutando para ir as semifinais. Como é a cobrança por resultados aí? Vocês já chegaram ao objetivo inicial, estão além dele ou ainda falta muito?

Lukianetz: Estamos numa crescente nesse final de campeonato. Acho que a cobrança é como de todos times que já passei, mas esse ano em especial, pelo Paris Volley ser um time de tradição na França, eles querem voltar para o topo do pódio, nós estamos buscando nosso objetivo de acabar entre os três primeiros.

MDV: Você jogou no Medley Campinas na temporada passada. Como vc recebeu a notícia do fechamento do time?

Lukianetz: Pois é, fui pego de surpresa, pois nunca imaginava que isso aconteceria tão cedo, pois o projeto, ao meu ver, foi um sucesso e o povo campineiro abraçou ele de uma forma incrível. Fiquei muito triste e até agora não entendi as razões do fim dessa parceria, mas espero que outra empresa venha substituir a Medley e dar continuidade no projeto.

Foto: Gisa Alves

MDV: Houve alguma repercussão disso por aí?

Lukianetz: O levantador do meu time veio me comentar sobre o assunto, mas na França o volei não é tão popular como no Brasil.

MDV: Aproveitando, gostaria que você comentasse a diferença entre as Ligas do Brasil e da França, tanto pelo lado positivo quanto os negativos.

Lukianetz: Acho que a liga brasileira hoje é muito forte, se não a mais forte do mundo. Muitos atletas bons e fisicamente fortes, mas também é bem puxada com dois jogos por semana, deixando ela bem curta e isso não é muito atrativo para os patrocinadores. Talvez um calendário melhor ajudaria, pois nos últimos anos muitos times fecharam ou duraram pouco tempo, e isso é ruim para os atletas que acabam saindo do Brasil como aconteceu há dez anos atrás e consequentemente para a Superliga, que enfraquece.

Na França acho que não existem times tão fortes como no Brasil, mas o campeonato é bem competitivo. Não existe jogo fácil e se não jogar bem perde. É um tipo de volei mais técnico, jogamos uma vez por semana e também jogamos uma copa durante o campeonato. Talvez poderiam fazer um calendário onde jogasse três vezes em duas semanas seria o ideal.

Uma das coisas que eu gosto da França é que o Governo é muito rígido em relação a salários e seguro social, se o time não estiver em dia é penalizado, se algum atleta se machucar o seguro social cobre as despesas ou até mesmo paga o salario para a que o time traga outro atleta e etc. É uma segurança para o atleta que na maioria dos lugares não se encontra. Mesmo assim o volei na França não é tão profissional como no Brasil, por exemplo, em que os times tem seu scout, e também não é tão visível na TV, mas tem quase todos jogos disponível pela internet.

Talvez seja hora de uma reformulação da Superliga, pois nós atletas estamos muito preocupados com a maneira que está desinteressante para os patrocinadores, que são quem mantém o esporte vivo e nós empregados.

Ficha Técnica:

André Ricardo Lukianetz
30 anos (05/12/1982), natural de Três de Maio (RS)
Altura: 1,92m
Posição: Ponta
Clubes:
Shopping ABC Santo André – 2002 a 2003
UCS/Colombo – 2003 a 2005
Benfica (POR) – 2005 a 2007
Santa Croce (ITA) – 2007 a 2009
Friedrichshafen (ALE) – 2009 a 2010
Medley Campinas – 2010 a 2012
Paris Volley – desde 2012

 




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