16/01/2008
Minha participação no All-Star Game
Por: Fernanda Ferreira
"Fernandinha"
Eu estava viajando para mais um jogo aqui na Itália, uma viagem com nada menos de 12 horas de ônibus e vocês podem imaginar o quanto estava cansada. Foi quando meu técnico vem me dar uma bela notícia: ele disse que eu tinha sido convocada para jogar o All-Star Game e perguntou se eu queria ir. Porque motivo eu não iria? Não imaginei que isso poderia acontecer, pelo menos agora, no primeiro ano em que eu cheguei, e ainda mais que ninguém me conhecia aqui!

Viajei depois do almoço com a Fofinha, que também foi convocada e mora a 15 minutos de mim, no mesmo vôo. Chegando lá em Torino, dividi quarto com a norte-americana Heather Bown, que estava quase dormindo quando cheguei. Também pudera, fomos pra lá mais tarde que todas por falta de horário de vôo. Fofinha e eu fomos as últimas a chegar.

Tudo era novo para mim. Algumas jogadoras, entretanto, já haviam disputado o All-Star e serviram de “guia” para as novatas. Elas contaram que foi a primeira vez que não teve treino antes da partida, que não chegaram no dia anterior e nem treinaram no mesmo dia também, mas foi gostoso e me diverti muito!

Encaramos com certeza mais como festa, o que realmente era, porque não deu para fazer mais do que tentar se divertir. É claro que gostaríamos de acabar com a festa das italianas, afinal éramos todas estrangeiras! Seria muito bom, mas sabíamos que seria difícil. Foi muito bom conhecer pessoas diferentes de tantas culturas ainda mais que aqui eu não conheço praticamente ninguém, salvo minhas companheiras de time. Fiquei muito feliz por essa oportunidade!

A presença da torcida foi em peso, o ginásio estava cheio e a festa foi muito bonita. A cada ponto era uma festa, mas claro cada ponto das italianas, normal. O mais engraçado era quando tínhamos que marcar uma jogada ou chamar os nomes, impossível lembrar no momento da jogadora. Então eu chamava uma vai Holanda, ou Croácia é sua vai! Divertido... Nesse jogo não deu para ver exato como as italianas estão, mas claro que são fortes sim, só que não para o nosso Brasil. Acredito que os próximos jogos contra elas serão duros, mas não iremos perder.

Seria muito interessante se fizéssemos jogos assim no Brasil, mesmo que só pela festa. O ginásio ficaria lotado, tenho certeza. E ainda poderíamos fazer com caráter beneficente, cada um levando um produto não perecível. Imaginem quantas pessoas não iríamos ajudar? Além disso, as crianças adoram esse tipo de evento, que serviria para incentivá-las ainda mais elas a fazerem um esporte, o que sabemos que pode modificar vidas, ainda mais no Brasil. Não temos dúvidas de como isso é importante para elas! O Brasil não tem mais tantas estrangeiras como no passado, mas poderiam fazer misturado mesmo ou como fazíamos antes: a equipe campeã contra as melhores do campeonato. Já seria uma boa idéia, não é? O que não faltam são idéias, precisamos que as pessoas que têm esse poder coloquem-nas em pratica.
Fotos: Fernandinha para o Melhor do Vôlei