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Wednesday 24 July 2019
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Jogadoras da Seleção Brasileira de Vôlei lançam nota de repúdio ao ranking para Superliga 2017/18

 

Na última quarta-feira (20/03), a Confederação Brasileira de Vôlei comunicou mudanças no ranking da Superliga 2017/18, aprovadas em uma reunião, com oito dos 10 representantes dos clubes classificados para a competição, como se pode ler no link: Clubes se reúnem e CBV oficializa novas regras para o ranking da próxima Superliga Feminina

 

Mesmo com as alterações, as jogadoras que valem sete pontos não se mostraram satisfeitas e, nesta segunda-feira (20/03) lançaram uma nota de repúdio ao ranking, divulgada inclusive na página oficial da bicampeã olímpica, Fabiana Claudino. Confira na íntegra:

 

“NOTA DE REPÚDIO

Nós, Danielle Rodrigues Lins, Fabiana Marcelino Claudino, Fernanda Garay Rodrigues, Gabriela Braga Guimarães, Jaqueline Maria Pereira de Carvalho Endres, Natália Zílio Pereira, Sheilla Castro de Paula Blassioli, Tandara Alves Caixeta e Thaisa Daher Pallesi, atletas brasileiras de voleibol, prejudicadas pelo ranking adotado pela CBV – Confederação Brasileira de Voleibol – repudiamos o regulamento do ranking votado em 14/03/2017 e imposto para a temporada 2017/2018.

O ranking, que já foi alvo de críticas em diversas oportunidades, é uma anomalia que só existe no Brasil, sob o pretexto de se criar equilíbrio na competição. Porém, nunca houve equilíbrio, basta verificar as poucas mudanças nos vencedores da Superliga dos últimos anos. O problema do voleibol brasileiro é estrutural e não adianta tentar corrigi-lo com um ranking que cria um equilíbrio artificial e teórico.

O ranking sempre criou problemas às atletas, principalmente àquelas com maior pontuação. As limitações impostas pelo regulamento, que por si só, vão de encontro ao interesse das atletas, que são verdadeiras protagonistas dos eventos esportivos, ainda são inconstitucionais, tendo em vista que impõem restrições à liberdade de trabalho das atletas, ao direito de escolha de cada uma, ao livre mercado e força a redução dos salários, o que é inconcebível. É importante lembrar, também, e lamentar, que a opinião das atletas nunca foi ouvida, sequer levada em consideração nas decisões que envolvem o ranking.

A própria CBV criou a chamada “Comissão de Atletas”, mas esta comissão ligada à própria instituição tem apenas um voto na decisão do ranking. Não é razoável. Se há cerca de 10 clubes votantes, as atletas nunca terão chance contra os demais. Repetimos: não é razoável. Quando a vontade das atletas prevalecerá? Da forma como as coisas estão, jamais!

A situação ficará ainda pior na temporada 2017/2018, pois tomamos conhecimento que o novo formato do ranking pontuará apenas nove atletas, as mesmas nove que são pontuadas com sete pontos (pontuação máxima) na temporada atual. Apenas nós estaremos sujeitas às restrições. Nós não poderemos ser contratadas livremente pelas equipes, pois cada time poderá ter apenas duas das nove, ao contrário das demais atletas que serão livremente escolhidas, o que configura clara discriminação e desrespeito.

Se assim as coisas permanecerem, nós seremos prejudicadas sob o frágil e teórico argumento de “equilíbrio do campeonato”. Nós, que defendemos a Seleção Brasileira, que nos destacamos, agora seremos punidas por isso. Não é razoável. Aliás, não há lógica nisso. Queremos ser tratadas de forma igual, sob pena de nos socorrermos ao Poder Judiciário, tendo em vista a clara e manifesta afronta a princípios constitucionais.

Alem disto, as estrangeiras não serão pontuadas, o que diminui ainda mais as opções das nove brasileiras discriminadas. Vale destacar que em 14/03/2017 a própria CBV divulgou a “Seleção da Superliga” e nela há três estrangeiras: Destinee Hooker, Alexandra Klineman e Brenda Castillo. As três são atletas de alto nível e serão escolhidas livremente pelas equipes para a próxima temporada, ao contrário das nove brasileiras pontuadas. Ademais, nesta “Seleção da Superliga” há apenas uma atleta das nove presentes no ranking. Isto mostra que o sistema do ranking não tem critérios claros e não cumpre sua suposta função.

Diante do exposto, exigimos que a CBV tome providência no sentido de extinguir o ranking e parar de interferir no direito de escolha de cada atleta. As atletas precisam ter uma voz independente da confederação e ter peso igual nas votações do regulamento. Se de um lado os clubes pagam os salários, de outro são as atletas dão o espetáculo e atraem o público.

Aguardamos um posicionamento da CBV em até 5 (cinco) dias corridos. Estamos abertas a discutir o assunto para resolver o impasse.

Danielle Rodrigues Lins
Fabiana Marcelino Claudino
Fernanda Garay Rodrigues
Gabriela Braga Guimarães
Jaqueline Maria Pereira de Carvalho Endres
Natália Zílio Pereira
Sheilla Castro de Paula Blassioli
Tandara Alves Caixeta
Thaisa Daher Pallesi

São Paulo, 16 de março de 2017.”

 

 

 




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pauloNikolapaulo lageJonesPaulo werneck Recent comment authors
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paulo lage
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paulo lage

O futebol não utiliza esse critério de ranking e o mercado se autoregula gerando um campeonato disputado – o volei não precisa disso. Os grandes atores/atrizes do espetáculo são os jogadores e se esta pratica está lhes causando problemas, deve ser abandonada. Isso foi uma ideia ruim que não funcionou na prática.

Paulo werneck
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Paulo werneck

Na “pelada” Da praia não existe esse problema. Cada equipe escolhe um jogador por vez. É mais democrático e da chance pra todos.
É simples: quantas equipes vão disputar a competição? 12 ? Então sorteia a orde de escolha e da 48 hs pra todos os times confirmar cada jogadora. E assim sucessivamente.

Jess
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Jess

Primeiramente, esse ranking é muito errado..

Desde quando… pelo que tá jogando atualmente… a Dani Lins e a Sheilla valem 7? Acho que quem vale 7 mesmo seria a Gabi, a Garay e a Natalia..

marcos
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marcos

Apesar de muitos pensarem que problema é só de dinheiro, acredito que não seja o caso, se fosse, bastava jogar em qualquer equipe suíça, francesa ou qualquer outra liga inferior que já cobriria qualquer salário pago no Brasil. O ranking foi instituido em outra época, quando o dólar era 1 x 1 com o Real e aqui era um grande centro do vôlei mundial. Nossas atletas não precisavam buscar maiores contratos fora. Hoje essa política ao invés de manter nosso talento mesmo que concentrado em dois ou três clubes, mas aqui na nossa liga, obriga as jogadoras a buscarem novos… Ler mais »

Jones
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Jones

Permita-me uma correção: Nos anos 1980 quando implementaram o ranking o Brasil passava por hiperinflação, os preços eram remarcados 4 vezes por dia bem como o dolar, as pessoas tinham de comprar no mercado negro (Black). Para comprar um dolar voce precisava de um carrinho de mão de dinheiro brasileiro. Nesta época o dolar não era 1 X 1.

marcos
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marcos

Posso estar equivocado, mas pelo que eu sei o ranking foi instituido em 1992. Inclusive no programa roda de volei da Bandsports o Marcelo Negrão lembrou que antes de Barcelona não havia Ranking e mesmo assim eles obtiveram resultados.
Abraço

Nikola
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Nikola

Thaisa acabou de falar no Sportv que o maior problema é que não zeraram a pontuação delas q tem 7 pts..

Sobre o valores oferecido pelos clubes da Turquia, onde tem os maiores patrocinios e salários, Italia, e agora a China, que comprou Robinson, Murphy, Lowe, Sarah Pavan, Hodge Easy, Brankica Mihajlovic, Havelkova , com a alta do dolar/euro, não tem como competir,

Nikola
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Nikola

A Kim foi a primeira jogadora de volei a passar o valor de 1 milhão de dolares em 2011 (1,250 milhao – saiu no site da FIVB) batendo o salário da Gamova . Hoje os salários estão perto de US 1,5 milhão para Kim, depois vem Zhu e Boskovic.

A Thaisa está na faixa de 500 mil dolares. No Brasil nao acho que consigam cobrir.

Se for ver, perto do que ganham na NBA, NFL e FIFA, é nada. E elas merecem cada centavo por tudo q fizeram. Acho q deviam ganhar 10 vezes esse valor.

Nikola
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Nikola

Se a crise nao passar e dolar não cair, os salários lá fora são 3 ou 4 vezes maiores que o do Brasil. É lógico que elas tem de ir, pq vida de atleta é curta, e tem de fazer o “pé de meia”.

A Jaque depois de Londres 2012 estava sendo muito assediada para ir para a Turquia, só não deve ter aceitado por causa da família e do filho. Mas se ela fosse solteira, claro que deveria ir, QUEM NÃO QUER SER UM MILIONÁRIO?

Nikola
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Nikola

Em resumo, o que quero dizer é que o ranking NÃO tem nada a ver com o êxodo para o exterior que houve nas últimas duas temporadas, que coincidem com o agravamento da crise, e alta do diolar.

Se te oferecessem um trabalho igual ao que você faz hoje no Brasil, mas pra atuar na Italia, ganhando em dolar (ou euro), 3 ou 4 vezes a mais do seu salario atual, você não irtia? Resp.: claro que iria, não seja hipócrita.

Fabio
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Fabio

Se quer tanto jogar no Brasil por que Thaisa não baixou seu salário e aceitou a proposta de Osasco? Porque Natalia não aceitou ficar no Rexona ganhando menos? Porque Garay deu entrevista dizendo que o problema não era ranking e sim porque lá fora pagava mais? Nem Osasco conseguiu este ano manter o salário que vinha pagando nos anos anteriores….

paulo
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paulo

voce trabalha? por conta ou é funcionario? se é funcionario aceitaria seu patrão abaixar seu salario para contratar outros?

Vang
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Vang

Concordo plenamente com o exposto. Apoio irrestritamente.

Mama Ru
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Mama Ru

Quem disser que não tem lugar para as jogadoras no Brasil não entende de vôlei. Se for por serem jogadoras de 7 pontos, tem 1 vaga no Rexona, 1 no Praia, 1 no Minas 2 no Bauru e 2 no novo time da hinode/Barueri. Se for pelo salario que elas pedem, sempre jogarão fora do Brasil pois não tem como competir com o vôlei internacional. Eu pergunto a vocês, por que estas jogadoras querem tanto o fim do Ranking?? Pois querem se concentrar nos únicos times que podem pagar seus salários absurdos: Osasco, e Praia(Talvez).

Fred
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Fred

Salário absurdo são os que jogadores de futebol recebem. Não vejo nada de abusurdo em terem um melhor salário. Afinal de contas trouxeram dois ouros pro Brasil.

Tomas Tilborg
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Tomas Tilborg

Não basta nós ou elas acharmos que elas valem mais. Quem tem que achar são os patrocinadores que pagam os salários delas. Eu acho o salário dos jogadores de futebol um absurdo, mas fazer o quê? Se tem quem pague, sorte deles.

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