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Sunday 9 December 2018
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Lorena: “Vontade de vencer nunca me faltará”

Oposto foi a principal contratação do clube carioca para a temporada. (Foto: Divulgação)

O jogador de Fabrício Stevens estreou no Botafogo do Rio de Janeiro com a emblemática camisa de número 7. Caso você não esteja conseguindo ligar o nome à pessoa, trata-se do veterano oposto Lorena, com passagens por grandes equipes do país e também pelo exterior. Aos 39 anos o atleta aceitou mais um grande desafio na sua carreira.

Após mais de quatro meses parado, o atleta voltou a atuar oficialmente na noite do último dia 13, ajudando o jovem time do Botafogo a passar pelo Flamengo, rumo à final do Campeonato Carioca contra o Sesc RJ, além de já ter mostrado para a torcida um aperitivo do “jeito Lorena de jogar vôlei”.

Em entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei após a partida, o jogador, que recebeu um cartão vermelho por reclamação logo na sua estreia, fala de carreira, de sua personalidade e de algumas polêmicas nas quais viu seu nome envolvido ao longo das temporadas.

A estreia no Bofatogo foi como você imaginou?

Olha, fácil realmente não foi, pois estou há mais de quatro meses parado em se tratando de partidas oficiais.  Eu vinha mantendo a forma treinando na areia e fazendo musculação, ainda estou com as pernas duras e alguns movimentos travando. Não era para ter jogado, mas pedi que me colocassem para o jogo porque quero contribuir desde já com minha equipe. Foi uma bela estreia e quero dar os parabéns à garotada do Flamengo que veio para o jogo com muita pressão. Eles fizeram um excelente jogo, mas soubemos tomar as rédeas do jogo no tié-break e vamos fazer a final contra o Sesc RJ.

Você aceitou este desafio de vir para o Botafogo mesmo sabendo que faria parte de uma equipe que conta com um elenco bem jovem. Qual é a motivação?

Bom, vocês que me conhecem sabem que vontade não me falta. Eu gosto muito de jogar vôlei. Acho que a minha presença dentro de quadra, a vontade de vencer e minhas experiências contam muito na hora de contagiar a garotada e de tirar um pouco de peso de cima deles dando, dando mais segurança. Esta é a minha motivação: passar para eles a ideia de não desistir.

Você ficou muito conhecido pelo seu temperamento dentro de quadra. Isto te incomoda de alguma maneira?

Absolutamente. Quando o Lorena vai fazer uma reclamação que achou pertinente e ganha um cartão vermelho o jogo incendeia, as torcidas levantam, o clima muda, e isto não é nada programado, é apenas o “jeito Lorena de jogar vôlei”. Não sou de ficar me escondendo, nunca fui. Se acho que devo comemorar eu comemoro, se devo reclamar eu reclamo, sempre com respeito ao adversário e aos árbitros, como aconteceu hoje aqui.

O seu jeito, seja em atitudes na quadra ou em declarações, às vezes causa certo incomodo ou estranheza, para alguns. O que você pode falar a respeito?

Olha, já fui muito criticado por um monte de coisas, como também já fui elogiado. Por exemplo, estes dias eu falei numa entrevista que estava muito feliz em jogar com uma camisa de torcida, uma camisa que tem peso e que é só chegar em qualquer lugar do Brasil que é imediatamente reconhecida. Veja bem, é a camisa de um dos maiores clubes de futebol, qualquer pessoa vai olhar e saber que o Lorena está jogando no Botafogo, não vou precisar explicar mais nada. E algumas pessoas que gostam de distorcer as coisas, vão às redes sociais comentar que eu não era grato às cidades e equipes por onde eu passei.

Imagina, eu tenho muito carinho por cada lugar onde pude estar ao longo de minha carreira, sempre fui muito bem recebido e dei o meu melhor, como poderia não ser grato? Estes tipos de coisas que alguns distorcem e que não são de minha responsabilidade eu nem dou atenção. Estou sempre aberto a falar e a esclarecer qualquer declaração ou atitude, desde que sejam meus, se vier de terceiros não me cabe. Para finalizar digo que Taubaté, Araçatuba, Montes Claros, enfim, todos os lugares por onde já joguei, só me trazem boas recordações, e trago cada um no meu coração.

E como você vê o atual cenário do vôlei brasileiro?

No meu ver, o esporte em geral tem tido grandes avanços por um lado e tem ficado chato por outro. O vôlei tem ficado chato em alguns aspectos. A nova geração do vôlei tem apresentado características diferentes, principalmente dentro de quadra, é “muito amiguinho”, e o público não quer saber disto durante jogo. O público quer ver jogadores com vontade, com sangue nos olhos, procurando vencer. Muita gente que está parando de jogar tem falado a respeito disto, do “mimimi” que a nova geração não pode deixar se estabelecer. Dentro de quadra tem que prevalecer a vontade de honrar a camisa, respeitando a todos, mas sem essa de “Eu joguei mal ou joguei bem, mas eu sou amiguinho do fulano e você não é” ou “Poxa, não vou reclamar da ação errada do fulano porque ele é amigo do ciclano”. E isto vem acontecendo em muitos esportes, não se restringe ao vôlei.

E qual projeção de sua carreira você faz daqui para frente?

Então, as pessoas precisam conhecer melhor o dia a dia de um atleta. Por exemplo, sei que tem muita gente que não me conhece pessoalmente e fala que eu sou isto ou aquilo outro por causa do meu temperamento e doação na hora do jogo, mas são pessoas que nunca vieram ver que o Lorena é o primeiro a chegar e o último a sair, que pede para treinar mais um pouco quando o tempo de treinamento acaba, que se doa pelos companheiros, que é um pai de família, um cidadão cumpridor de seus deveres. Mas o que importa mesmo é que enquanto eu estiver bem fisicamente e mentalmente, enquanto tiver o carinho dos torcedores e puder contribuir para ajudar minha equipe estarei jogando e me mantendo em plena atividade, pois é como sempre digo: vontade de vencer nunca irá me faltar. Estou agora no “Glorioso”, jogando com e emblemática camisa sete que tanta alegria já trouxe ao clube através de grandes ídolos no futebol, como Garrincha, Túlio Maravilha, Maurício e Jairzinho, e espero que ela me dê muita sorte, como sempre me deu a de número seis, da qual abri mão de jogar depois de tantos anos para poder fazer esta homenagem a estes grandes craques que por aqui passaram.




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