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Sunday 26 January 2020
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Master: Aos 81 anos, Dona Diva é uma das estrelas da tradicional competição

Campeã com a seleção brasileira no Sul-Americano de 1962, a atleta master acompanha todos os jogos do Brasil e é presença certa em Saquarema. (Foto: Antonio Azevedo/CBV)

Poucos participantes do Vôlei Master, realizado no Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), podem se dar ao luxo de esperar o convite de uma equipe de outro estado – detalhe: sem precisar entrar em quadra. É o caso da gaúcha Diva Santiago, de 81 anos, atleta mais experiente da competição em Saquarema (RJ).

“Eu conheço muita gente aqui, então é muito legal pelas amizades que a gente faz e pela diversão, enquanto eu puder eu venho. Até um atleta que está aqui, de Bento Gonçalves (RS), me homenageou em um torneio de vôlei que ele fez no mês passado lá na cidade dele”, contou Dona Diva.

Durante a entrevista, foram várias interrupções de pessoas que faziam questão de cumprimentar a estrela do Vôlei Master, conhecida de outras edições do campeonato. Poucos sabem, porém, que ela já passou pela seleção brasileira adulta, na década de 1960.

“Em 1962, ganhei o Sul-Americano que jogamos no Chile. Eu era levantadora e foi muito bacana, era uma época difícil de ganhar do Peru e jogamos bem, era um grupo muito bom. Os passeios ficaram para outra oportunidade, porque numa competição dessas você quer é ganhar”, relembrou.

Apesar de ter atuado como jogadora profissional pelo Grêmio Náutico União, Dona Diva não ficou somente no vôlei. Ela chegou a ser uma das melhores do seu clube na natação e posteriormente, já aposentada, conheceu a esgrima e o tênis. O vôlei de praia, para se divertir, também consta em seu extenso currículo de apaixonada por esportes.

“Eu tenho uma rede na praia em Tramandaí (cidade no litoral gaúcho) e lá já passou muito jogador e ex-jogador pra jogar. Essa rede já tem 50 anos nesse local, esse ano estou encerrando, já rendeu bastante né? (risos)”, divertiu-se.

Como o União não possuía categorias de master, Dona Diva seguiu para a Sogipa, formando um grupo que se reuniu durante décadas para jogar. No Vôlei Master, é convidada anualmente pelo Clube Militar (RJ) – que acabou com a medalha de prata na categoria 70+ – mas uma lesão no braço esquerdo a impede de fazer o que mais ama há três anos, por isso comparece para dar apoio moral e rever os amigos. Levantadora de origem, ela não perdeu a oportunidade de exaltar a posição.

“O passe é a base de tudo, sem um levantamento bom não tem jogo. Por isso que o Brasil foi campeão da Copa do Mundo agora. O Thales colocava a bola na mãozinha do Bruninho, que também não é bobo e fazia o que queria”, analisou, citando o recém-conquistado título mundial da seleção masculina, no Japão (na ocasião, o líbero brasileiro foi apontado como o melhor da competição).

Mesmo aos 81 anos, ela tem planos para voltar a jogar e enquanto isso segue fazendo aulas semanais de tênis em Porto Alegre. Muito além da quadra, Dona Diva encarna o espírito do Vôlei Master como poucos.

“Sim, espero me recuperar e voltar a jogar aqui. Nem que eu volte com 100 anos, vou tentar, e aí fazemos outra entrevista (risos).”, decretou.




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