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Wednesday 24 July 2019
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No “Dia Nacional do Surdo”, conheça a história da guerreira Natália Martins

Crédito: Luiz Pires/Fotojump

Crédito: Luiz Pires/Fotojump

 

Nascida em Lorena, interior de São Paulo, Natália Martins disputa sua primeira temporada pelo Vôlei Nestlé, equipe localizada em Osasco. Quando tinha apenas quatro anos descobriu que havia perdido 70% da capacidade auditiva. A mãe dela percebeu que ela não escutava quando a chamava e não tinha resposta e, também, pelo volume alto da televisão. Porém, essa dificuldade não impediu que se tornasse uma atleta e a primeira profissional surda de vôlei. Neste 26 de setembro, “Dia Nacional do Surdo”, a jogadora deixa uma mensagem de inclusão e espera que esse exemplo de perseverança sirva de inspiração para que os surdos não desistam diante das complicações.

 

Natália, atualmente com 31 anos, conheceu o vôlei aos 11. O primeiro esporte que começou a praticar, ainda em sua cidade, foi a ginástica olímpica. “O esporte entrou na minha vida por meio da ginástica. Uma professora me apresentou o esporte, mas viu que era muito alta e falou que tinha que jogar vôlei. Comecei e, mesmo com a deficiência, ela me acolheu e a galera da minha cidade também me ajudou bastante. O esporte me deu forças para superar e vencer. Me considero uma guerreira. Graças a Deus em todas as equipes que passei as pessoas nunca me trataram diferente. Tenho o problema de audição, mas treino normalmente como todas as outras jogadoras”, afirma a atleta.

 

A jogadora agradece sua mãe pela criação e considera a forma como foi educada uma maneira de inserção do surdo na sociedade. “Agradeço minha mãe (Irani) que não teve medo de me deixar passar pelas situações da vida. Tem alguns pais que prendem seus filhos, mas no meu caso foi diferente. Com seis anos já usava o aparelho auditivo e ia sozinha para a escola. Ela tinha receio que não escutasse um carro se aproximando, mas deixou com que aprendesse a desenvolver essa percepção. Sou grata por ela ter me liberado e estimulado esse aprendizado. Dependendo da educação, o surdo se exclui da sociedade. Muitas vezes ficam restritos apenas à comunidade surda e não se sociabilizam com o ouvinte. Essa inclusão social é importante em vários aspectos e, um deles, na descoberta de talentos”, destaca Natália.

 

Nesta data comemorativa para os surdos, Natália reforça que a persistência é determinante para superar as adversidades. “Não desistam diante das dificuldades. Provavelmente aparecerão pessoas dizendo que vocês não vão conseguir, mas se perseverarem tenho certeza que terão êxito e sou exemplo disso”, enfatizou a jogadora. O dia 26 de setembro foi escolhido pelo fato da data lembrar a fundação da primeira escola para surdos do Brasil. Em 1857, um surdo francês, Sr. Eduard Huet, implantou o Instituto Imperial de Surdos-Mudos, no Rio de Janeiro. Atualmente, o local é conhecido como o famoso Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES.

 

A central teve sua primeira experiência em competições de surdos neste ano. Ela representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos. Acostumada a jogar escutando, a jogadora precisou retirar o aparelho auditivo para disputar a competição. Com ela no time, a seleção brasileira chegou na final e conquistou a medalha de prata, perdendo a decisão para os Estados Unidos. Natália foi eleita a melhor jogadora do campeonato. O próximo objetivo da atleta é defender seu país na Surdolimpíada, que será disputada na Turquia, em 2017.




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Parabéns p/a a Natália pela força, persistência e determinação que nortearam sua vida. Mais uma coisa positiva: tem a opção de não ouvir as instruções do Luizomar, que nas últimas temporadas não vem dando resultados práticos.

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