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03/03/2009
 
Especial Vôlei Futuro: A volta de um guerreiro
 

Por Andressa Caetano

 

O líbero e agora ponta Fábio Paes está dando a volta por cima na carreira. O atleta, um dos destaques do Vôlei Futuro teve seu auge quando foi campeão brasileiro de seleções representando o estado de São Paulo, além de ter sido campeão em 2003 com a seleção infanto. O resultado é a grande atuação de Fábio foram responsáveis para que ele fosse contratado pelo Ulbra/Up Time/Suzano.

 

 

Campeão de Seleções em Saquerema, 2004

Ao fim da temporada, uma triste notícia: foi detectado um problema cardíaco em Fábio e ele teria que parar de fazer o que mais amava, jogar voleibol. Porém, a força de vontade falou mais alto e o atleta depois de anos, voltou às quadras; onde hoje é um dos destaques da equipe do Vôlei Futuro de Araçatuba.

 

Quando e como foi detectado esse problema de saúde?

Foi em 2006. Na realidade eu tenho isso desde 2002, problema no coração também. Vinha fazendo acompanhamento, só que em 2006 foi o auge, o pico do problema. Ali o médico me aconselhou a parar, a dar uma parada no nível profissional e foi bem na época que eu estava bem fisicamente, psicologicamente. Tava bem dentro de quadra, no entrosamento. E ia ser minha primeira temporada jogando como líbero titular na equipe que estavam montando em Taubaté e aí foi tudo de uma vez só. Isso foi em 2006, tive que parar e continuei fazendo os exames, depois de três em três meses, sempre com a esperança de poder voltar.

 

Qual era tua idade na época? Como foi tudo isso pra você?

21, 22, mais ou menos. Nessa época eu continuei fazendo meus exames periódicos com meu médico, sempre com o mesmo e chegou uma época que eu falei pra ele: ‘eu vou tocar minha vida’. Aí eu voltei a jogar, mas amador. Eu jogava em São Paulo pela faculdade, fazia faculdade e treinava no clube Pinheiros, ajudava nos treinamentos lá, que foi a minha escola. Lá que eu comecei a treinar voleibol profissionalmente, que eu morei em SP sozinho e foi lá que eu aprendi meio que a viver a vida. Aí eu continuei tocando a vida, treinando, mas num ritmo bem mais moderado, bem mais fraco. Uma vez por semana eu treinava na faculdade e só. E mesmo assim eu continuei fazendo os meus exames e foi melhorando gradativamente, mesmo eu treinando meus exames foram melhorando. Aí no segundo semestre de 2007 o técnico do Pinheiros me chamou ‘vem aqui treinar com a gente’. Eu continuei treinando, aí foi todos os dias, de segunda a sexta treinando. Isso foi em 2007, em 2008 eu também fiz isso. Fui disputar o campeonato Brasileiro Universitário, continuei tocando a minha vida como universitário no caso, e eu continuei fazendo os meus exames. Nessa etapa, em 2008, teve uma melhora muito significativa no meu exame, nem o médico conseguiu explicar o que era, aí eu resolvi voltar a jogar. Isso a equipe de Araçatuba do Vôlei Futuro estava interessado em mim há muito tempo, eu já tinha vindo pra cá há muito tempo só que quando eu vim pra cá eu não pude realmente jogar. O médico daqui não me aconselhou a voltar. Aí nessa temporada agora, eu estou aqui há apenas três meses, vim pra superliga e o médico deu o aval pra eu voltar a jogar profissionalmente de líbero.

 

Você pegou o exame há um mês?

Eu fiz um exame há um mês sim e mesmo treinando no ritmo que eu estou aqui melhorou muito, o médico até me parabenizou, disse que eu nem precisava fazer o teste ergométrico pela melhora que ele viu nesse meu exame.

 

Qual o diagnóstico do seu coração?

O que eu tenho é uma hipertrofia no ventrículo esquerdo. O coração cresce. Só que aí é que ta, meu médico é o melhor do Brasil nessa área (Dr. Nabil Ghorayeb) e ele não soube explicar o porquê que teve essa melhora. Ele simplesmente me aconselhou ‘olha, volta a jogar de líbero e aí a gente vai te estudando’. Ou seja, eu estou treinando aqui há três meses e mesmo treinando num ritmo forte profissionalmente houve essa melhora.

 

Você ficou sabendo de outros casos de atletas com o mesmo problema no coração?

Não, nesse caso não. Na época eu fiquei sabendo sobre o Minuzi, ele veio conversar comigo sobre o problema dele, ele chegou em mim e conversou, falou pra eu confiar em Deus, pra eu ter esperança sempre, não desistir. E eu realmente nunca desisti disso, é o meu sonho e sempre foi, fui atleta de seleção brasileira de base, sempre busquei isso na minha vida, sempre gostei desses meus desafios.

Time de Araras no Jogos Abertos

 

Anteriormente você falou que sua vida foi inteira no Pinheiros, mas você passou pela Ulbra.

Passei. Eu joguei a categoria de base no Pinheiros, no caso. Joguei infantil, dois anos de infanto, dois anos de juvenil. Quando acabou a categoria de base e eu fui pro adulto. Aí eu já fui direto pra Superliga quando foi o último ano do Wizard Suzano, fui direto pra Suzano, fiquei lá durante 6 meses e acabando Suzano, eu fui pra Ulbra, joguei a temporada inteira lá aí eu parei. Depois da Ulbra eu tentei ir pra Taubaté, comecei a treinar e joguei lá até os regionais por Taubaté, depois eu tive que parar, não joguei mais o paulista, tive que abandonar.

 

E agora você voltou, faz três meses. O pouco que você está vendo da Superliga, vários jogadores repatriados, como você analisa essa Superliga?

Eu lembro quando eu entrei, era meio novato, não sabia direito como era, depois, na Ulbra, eu tive mais oportunidade de jogar, tive mais em quadra e aqui graças a Deus eu tive a oportunidade de estar em alguns jogos e eu vi que a coisa está bem disputada. É jogo atrás de jogo, cada dia tentando matar um leão. Não tem time bobo hoje em dia, com as 12 equipes que estão competindo você tem sempre que entrar concentrado, se não complica o jogo.

        

A vitória contra o Sada foi surpreendente?

Eu não acho tão surpreendente, sabe por quê? Porque nós fizemos uma fase de adaptação aqui. Enquanto as outras equipes voltaram muito depois das festas nós ficamos treinando aqui, a gente ralou bastante e eles falaram ‘a gente vai colher o fruto lá na frente’ e nós acreditamos nisso. Então esse jogo que foi a reestréia da Superliga depois das festas foi isso, a gente entrou em quadra colocando isso que a gente fez. Enquanto o pessoal estava voltando dia 5, 6; dia 1º a gente já tava aqui dentro de quadra. A gente passou a confraternização aqui com o pessoal e foi bem bacana, acho que isso pesou nessa reestréia. Colocamos o coração nesse jogo. A união da equipe é fundamental. Pra você ter uma idéia, aqui é uma equipe jovem, o mais velho sou eu, com 23 anos. É uma equipe muito nova com muito potencial, e a gente se agarra nisso, nessa potência, nesse físico, nessa empolgação que o jovem tem.

        

Sobre o seu coração, você vai continuar os tratamentos?

Vou sim, vou manter o meu acompanhamento médico, é ele quem manda. Só que é o que eu falo, ano passado eu passei o ano inteiro treinando não profissionalmente como aqui, mas era de 2ª a sábado treinando. Não era forte como o treinamento daqui, mas eu treinava do mesmo modo, parte física, parte tática, parte técnica dentro de quadra e estudava. Era um monte de coisas que eu tinha que fazer, então, mesmo treinando meu coração melhorou, e é com isso que eu fico feliz. É só seguir o acompanhamento médico e continuar.

 

Colaboração: Carla Camila Bernardes

 

Fotos: Arquivo

 

 





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