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Monday 9 December 2019
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Irmã de Fernandinha, Paula Ferreira faz sucesso no vôlei universitário dos EUA

Foto: Divulgação/Columbia College

Sobrenome de craque ela tem. E quando entra em quadra, Paula Ferreira vem honrando a altura o nome da família, que recentemente, ganhou uma integrante campeã olímpica. Irmã de Fernandinha, levantadora medalha de ouro em Londres 2012 e que defende atualmente a equipe do Vôlei Amil, Paula é uma das destaques da equipe do Columbia College na divisão Meio-oeste da Conferência Americana do Voleibol Universtário dos Estados Unidos.

A equipe, conhecida como “The Cougars”, ocupa atualmente a Terceira posição na conferência. Nas últimas semanas, a equipe venceu seus jogos contando com bela atuação de Paula, que foi eleita a jogadora da primeira semana de setembro no campeonato.

Na primeira partida da série desta semana, a equipe de Columbia venceu por 3 a 0 a Indiana Tech, com Paula terminando a partida com 40 assistências e 10 defesas, na estatística da liga. Na partida seguinte, contra Lee University, ela foi melhor ainda, com 52 assistências, nove defesas e quatro aces. Por fim, no jogo em que sua equipe foi derrotada pela Universidade de Texas, Paula teve 32 assistências e 10 defesas, se tornado a melhor levantadora da Liga até o momento.

Paula Cristina Ferreira, levantadora e camisa sete, está nos EUA desde 2009 onde jogou todos os jogos dos Cougars no campeonato universitário, obtendo 1471 assistências, 55 aces, 268 defesas e 74 bloqueios, sendo eleita a levantadora do ano. Em 2010 foi eleita a melhor jogadora do ano, com média de 11.14 assistências em 45 jogos. Na temporada 2011, novamente Paula foi a melhor jogadora e levantadora da liga. Atualmente ela é a segunda jogadora com mais assistências na história dos Cougars, totalizando 4514 contra 5968, de sua antecessora no time, a americana Luana Branco. Em 2003, Paula foi convocada para a seleção Juvenil Feminina, sendo companheira na ocasião de duas campeãs olímpicas: Thaísa e Fabiana.

Confira a seguir a entrevista exclusiva que fizemos com a jogadora, que fala da sua opção por jogar nos EUA, como é sua vida por lá, seus planos para o futuro e também sobre o fato de ser irmã de uma campeã olímpica.



MDV:  Como surgiu a oportunidade de ir para os EUA? 

Paula: Eu já tinha vontade de vir para os EUA fazer faculdade e jogar por aqui. Reencontrei uma amiga em 2008 e ela me disse que estava vindo para Columbia College. Ela então fez o contato para mim e acabou dando tudo certo. Em 2009, eu vim. Estudo na faculdade desde que cheguei. Estão faltando 3 períodos, contando com o que estou fazendo agora, para me formar. Esse é o meu quarto ano de faculdade, o que eles chamam de Sênior. Vou me formar em Comércio exterior e administração.

MDV: Como é a forma de disputa da liga que você disputa? 
Paula: Tem varias divisões diferentes aqui. A minha faculdade participa do NAIA. Jogamos a nossa conferencia estadual e ganhando a conferência, nos classificamos para o nacional. Mas aqui também tem uma classificação por ranking, que depende de como a sua faculdade foi no ano anterior e da campanha que esta fazendo no campeonato do ano atual. Às vezes eu me confundo também, mesmo estando aqui por 3 anos. Jogamos vários jogos que não fazem parte da nossa conferência, mas importa muito para o ranking. E também o ranking é que faz uma faculdade se classificar numa melhor posição para o nacional.

MDV: Sua irmã foi campeã olímpica em 2012? Como foi para você ter uma irmã medalhista de ouro e se depois disso, aumentou o “assédio” aí nos EUA?
Paula: Isso foi surreal. O Brasil não estava fazendo uma campanha muito boa nas Olímpiadas e por um tempo achei que o ouro estava ficando distante. Mas minha irmã, que nunca desacreditou, me fez ter um pouco mais de certeza de que elas estavam ali para lutar pelo ouro. E não foi que veio? Minha irmã é um exemplo de luta, garra, e perseverança para mim. Eu fiquei mais do que feliz por ela e também pelos meus pais que sempre sonharam com isso. Muita gente aqui nos EUA sabem sim que a minha irmã é uma medalhista de ouro. Assedio não tem pois só jogo pela faculdade e americano só liga mesmo para futebol americano e basquete. Acho que a maioria nem sabe que a final das olímpiadas foi contra os EUA. A maioria sabia que minha irmã ganhou ouro, mas não sabiam que foi contra os EUA. Para você ter uma noção, a final nem passou na TV ao vivo. Eu fiquei louca aqui procurando e tive que acompanhar pela internet que ficava travando e por isso ano consegui ver o jogo direito. Imagina a minha frustação!

MDV: Vimos que você foi convocada para a seleção infantil em 2003, junto com a Thaísa e a Fabiana, que hoje estão na seleção principal. Quanto a isso, o que você acha que aconteceu para que talvez sua carreira não tivesse o rumo que a delas teve e o que a da sua irmã teve também?
Paula: Isso foi uma opção pessoal minha. Eu tive oportunidades de continuar jogando e propostas que me interessaram, mas por outros motivos eu descobri que jogar vôlei profissional não era o meu futuro. Eu não poderia estar mais feliz por hoje perceber que há 5 anos atrás tomei a decisão mais certa da minha vida. Fico muito feliz pela a minha irmã e pelas meninas terem conseguido essa conquista. Com certeza lutaram muito para isso. Foi difícil tomar essa decisão, porque depois de mais de 10 jogando vôlei, decidir que não iria mais jogar foi muito difícil mesmo. Uma coisa que a gente faz a tanto tempo já faz parte de quem somos e foi difícil admitir que aquilo já não era mais parte de mim e não se encontrava mais em meus planos e sonhos para o futuro.

MDV: Por fim, como é sua vida nos EUA? Você mora sozinha, na universidade, com amigas… Como é o seu dia-a-dia aí?
Paula: Eu moro em um apartamento da faculdade. É como uma casa com quatro quartos e moro com quatro amigas. O dia-a-dia e bem simples, mas atarefado.  Acordo e vou para a aula e depois treino a tarde. Às vezes, treinamos as cinco e meia da manha por causa do horário de aula de algumas meninas. Nesses dias, normalmente fico com as tardes mais livres. Atualmente, eu trabalho na faculdade todos os dias da semana, menos terças e finais de semana. Como a faculdade e pequena, é fácil de ir da aula para o trabalho e vice-versa. Praticamente não tenho tempo livre, porque viajamos bastante para jogar alguns torneios, no qual jogamos dois jogos sexta e dois jogos sábado, o que é bem cansativo. Na faculdade, sempre tenho bastante dever ou testes constantemente. As férias são sempre bem vindas.

MDV:  Ainda sonha em voltar ao Brasil para jogar profissionalmente?
Paula: Jogar profissionalmente esta longe de ser um sonho para mim. Sonho através da minha irmã, para que ela consiga o melhor na jornada dela. E quando alguma coisa dá errado, sofro junto também. Meu sonho hoje é me formar, arranjar um bom trabalho e me estabelecer profissionalmente. Quem sabe num futuro próximo construir minha própria família e poder fazer dela tudo aquilo que meus pais e minha irmã são para mim. Se eu conseguir conquistar a metade das coisas que meus pais conquistaram, e não falo de coisas materiais, eu já serei a pessoa mais feliz do mundo.




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