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Friday 20 October 2017
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Recém-formada, Juju Perdigão fala sobre os desafios de conciliar a carreia com os estudos

Por Júnior Barbosa

Juju Perdigão em sua formatura. (Arquivo Pessoal)

A carioca Juliana Cardoso Perdigão, conhecida da torcida como Juju Perdigão, está em um ano de conquistas e de grandes desafios. Paralelamente aos treinos, viagens e competições, ela também dedicou os últimos anos ao curso de Arquitetura, pela PUC-RJ e se formou recentemente. A conquista veio com muito esforço, agora recompensado.

Depois de algumas temporadas como reserva da bicampeã olímpica Fabi na equipe do técnico Bernardinho, a líbero jogou a temporada passada pelo Fluminense e, neste ano, aceitou o convite para assumir a posição no Brasília Vôlei, sendo uma das atletas mais experientes do reformulado elenco da capital brasileira.

No tricolor, Juju foi campeã carioca e chegou com o time aos playoffs da Superliga. Agora, espera resultados ainda maiores. “As minhas expectativas pra temporada são as melhores possíveis. O Brasília diminuiu o orçamento, mas mesmo assim montou um time pronto pra brigar e com atletas que estão buscando grandes objetivos juntas. Aqui cada uma terá que se superar individualmente para formarmos um grupo forte. E é isso que todas nós almejamos pra essa temporada. Um grupo que joga junto, que não vai desistir nunca e que vai surpreende”, disse.

Da parte individual, Juju também vê como positiva a mudança de time e de estado. “Individualmente falando, vejo aqui uma grande oportunidade de crescer tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Será meu primeiro ano jogando fora da minha cidade e a segunda temporada jogando efetivamente. Então algumas situações não serão novidade. É um time em que eu não sou mais uma das mais novas, logo assumo outra posição diante do grupo e que vai ser muito bom para o meu crescimento”, afirmou.

Com a conclusão do curso, a dedicação total será para o vôlei. Porém, Juju lembra as dificuldades enfrentadas nas temporadas passadas. “Sempre foi uma correria. Fiz a faculdade presencial e 90% das aulas eram na PUC. Em alguns dias, as aulas eram bem cedo, das 7h às 9h. De lá, eu corria para o treino da manhã. O restante das matérias eu fazia entre um treino e outro. Algumas vezes, não conseguia ficar a aula toda e conversava com os professores para explicar a situação”, lembra.

Foto: Divulgação

Para recuperar a matéria perdida, Juju conta com carinho da ajuda que recebia dos colegas de curso. “A grande maioria sempre me apoiou e se mostrou disposta a me ajudar em outros horários, fora os grandes amigos que me ajudaram muito! Eu não posso deixar de citar que tudo isso só foi possível graças à compreensão e o apoio do Bernardo (técnico). Ele sempre se mostrou flexível quando o assunto era faculdade. Do mesmo jeito que os professores ajudavam de um lado, ele ajudava do outro. Enquanto as meninas faziam o treino de bloqueio à tarde, eu estava chegando correndo da faculdade, sempre com a permissão dele. Também contava com as inúmeras caronas que todo mundo do time me dava; A Fabizinha, então, sofreu… (risos).”

A líbero também conta que o Bernardinho a ajudou a conseguir um estágio para cumprir a exigência da faculdade. “Essa com certeza foi uma das épocas mais loucas da minha vida. Sinceramente falando, não sei muito bem como conciliei tudo. Foi tanta correria que lembro dessa época quase como um borrão”, comentou.

Já na reta final do curso, Juju se deparou com alguns horários inflexíveis de algumas matérias e se viu em um dilema. “Acabei tomando a decisão de mudar para a Universidade Santa Úrsula e me formei depois de dois períodos. Já nesta fase as coisas foram um pouco menos corridas. Além de só restarem 10 disciplinas, a faculdade era no período norturno e ao lado do Fluminense, o que motivou a minha decisão”, contou.

“Durante todos esses anos, não existiu dormir de tarde. Foram muitas noites virada fazendo trabalho e tive vontade de desistir em vários momentos. Acho que todo universitário para por isso. Depois de um tempo, a gente se acostuma com o ritmo”.

Foto: Divulgação

Valeu a pena!

“O que posso dizer é que no final vale a pena. Nunca consegui me acostumar com a ideia de ter somente o vôlei como opção de vida. Sim, é a minha paixão, mas a profissão de atleta é muito ingrata. Além de ser curta por uma questão física, ela é imprevisível. Então, para mim sempre precisou existir um plano B. Graças a Deus consegui fazer um curso que amo, que não tem nada a ver com o esporte e que é muito difícil de conciliar, mas é o que eu gosto. Hoje, posso dizer que sou muito feliz em fazer o que amo em qualquer uma das carreiras”, finalizou.

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1 Comentário em "Recém-formada, Juju Perdigão fala sobre os desafios de conciliar a carreia com os estudos"

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Mário Costa
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Parabéns pelo esforço e dedicação, uma pena que não terminou o curso pela PUC-RJ que tem mais “status” que a Universidade Santa Úrsula, para o currículo não é bom, mas o profissionalismo, que conta muito, você tem de sobra.

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