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Tuesday 20 November 2018
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Roberta: “Me inspiro na Dani Lins”

Levantadora fala sobre os desafios e metas em entrevista exclusiva. (Foto: Arquivo pessoal)

Na próxima terça-feira (4), o Brasil inicia a disputa do Montreux Masters, na Suíça, contra a Rússia. Além de defender o título conquistado em 2017, a seleção buscará crescer em quadra com o objetivo de chegar forte para o Campeonato Mundial, que começa no final do mês. E a levantadora Roberta Ratzke, em entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei, faz um balanço do atual momento da carreira e da inspiração em Dani Lins, que voltou à seleção após gravidez e com quem dividirá a responsabilidade da posição.

Confira:

Roberta, após tantos anos em uma equipe tão renomada como o Sesc RJ, que balanço você faz de sua carreira?

Eu vejo minha carreira como uma sendo um constante crescimento. Estou desde 2010 na mesma casa e acreditei desde o inicio nos planos que eles tinham para mim. Fui obediente no que o Bernadinho sempre me orientou. Ele sempre me disse que poderia demorar, mas que era para eu acreditar. Lá, a gente trabalha muito, sempre com grupos muito dedicados a cada temporada e com pessoas e uma comissão que amam o vôlei. Contudo, me sinto realizada até aqui.

Pude aprender e por em prática muitos ensinamentos e muito do que absorvi com tanta gente maravilhosa com as quais tive a honra de poder trabalhar até aqui. A forma como o Bernardinho trabalha faz a gente crescer e encarar as coisas de uma maneira diferenciada. Logico que apesar de perceber um crescimento na minha carreira eu ainda pretendo evoluir mais e amadurecer mais também.

Bernardinho e Zé Roberto Guimarães são pilares do vôlei brasileiro e ícones mundialmente reconhecidos. O que de você aprendeu de mais relevante com cada um deles?

Espero aprender muito ainda com ambos, que são tão grandiosos e tão vitoriosos, apesar de terem jeitos bem distintos. Venho aprendendo muito com o Zé na seleção. Ele é muito detalhista com as levantadoras e quer sempre mostrar os detalhes, os estudos…
Na realidade, os dois gostam de trabalhar com levantadoras e o Bernardinho me faz ser uma levantadora melhor, com mais atitude. Eu só posso ser grata e feliz de trabalhar com os dois melhores técnicos. Resumindo, com o Zé a aprendo a observar e estudar todos os detalhes e com o Bernardo vem a questão de aliar a técnica com uma atitude vitoriosa. Bem, eu não poderia estar melhor orientada.

Quem são seus maiores ídolos dentro do esporte?

Admiro vários atletas. Virei levantadora só aos 17 anos e jogo desde os 8. Sempre admirava levantadores, pude trabalhar com algumas das melhores na posição, mas o Mauricio sempre foi um que me chamava atenção. Ele foi fenomenal. Eu sempre fui muito fã da central Walewska e admiro o estilo dela. Quando a conheci fiquei ainda mais admirada.

E existem duas pessoas que além de ídolos são grandes exemplos para mim, não À toa elas chegaram onde chegaram: Fofão e Fabizinha, tão vitoriosas e que eu pude conviver e experienciar o dia a dia de pessoas tão importantes dentro da modalidade.

Você recebeu o prêmio de melhor levantadora no último Montreux. Para esta edição, quais os seus objetivos? O que podemos esperar da equipe brasileira?

Foi um momento de muita felicidade, imagina que foi o primeiro ano jogando efetivamente pela seleção. Tentei aproveitar ao máximo aquela experiência e aprender com cada momento. Este ano, a seleção vai usar o torneio para poder se preparar para o Mundial, então estaremos voltados para perceber o que precisamos melhorar. Temos pouco tempo e o momento é de encarar este torneio como um importante passo rumo à principal competição do ano.

Como você descreveria o perfil de uma “levantadora perfeita”? E quais são as maiores dificuldades em comandar um time dentro de quadra?

É difícil, (risos). Eu sempre brinco que uma levantadora tem que melhorar a cada dia. Acho que é a posição mais difícil do conjunto, pois para amadurecer se leva mais tempo talvez do que para ser uma atacante completa, já que exige um equilíbrio entre tranquilidade e ousadia a mais. Vejo ainda que a levantadora precisa entender cada jogo, tem que ter um psicológico muito bom, avaliar cada detalhe e estar sempre preparada para as cobranças. Por isso, admiro muito os nossos grandes levantadores como o Mauricio, Fofão, Dani, Ricardinho e Fernanda Venturini.

A maior dificuldade de se comandar uma equipe, e eu respondo por mim, é colocar em prática a questão da liderança em forma de tranquilidade, pois as demais jogadoras e o técnico precisam perceber isto da levantadora durante as partidas.

Você tem algum preparo psicológico especializado?

Não, para o momento não estou fazendo nenhum tipo de acompanhamento psicológico, apesar de ser tão importante. Muitas vezes, com a correria é muito difícil e, invariavelmente, a gente se pega com saudades, com as distâncias, os dias ruins e realmente faz falta.

E quando a gente sonha e vai atrás de ser uma atleta profissional, temos que abdicar de algumas coisas. Assim, é muito bom ter o respaldo da família, estar cercada de boas pessoas e amigos, pois não é fácil. A gente perde aniversários, casamentos, datas importantes, além dos campeonatos que nos fazem ficar até 10 semanas ausentes em nome do nosso sonho. O nosso lado psicológico tem de ser bem trabalhado mesmo.

E como você lida com as críticas?

Eu lido super bem com isto, pois sei que precisamos das críticas construtivas. Tenho sempre consciência de quando jogo bem ou não e sou muito receptiva para as críticas dos técnicos e do grupo. Busco respeitar e avaliar focando no meu trabalho, pois sei que estes também querem me ver evoluir. Nas redes sociais, por exemplo, simplesmente desconsidero os comentários maldosos, pois este tipo de coisa não acrescenta nada de positivo na minha vida e menos ainda na vida de quem o faz. Apenas descarto aquilo que não me fará bem.

Em ano de Campeonato Mundial, este é o seu grande objetivo pela seleção?

É meu grande objetivo estar no grupo do Mundial. Converso com as meninas que já foram, vejo o brilho nos olhos delas, e eu só imagino como seja. A gente já viu as questões de cruzamentos e tabelas, falamos nisto quase todos os dias. O torneio já está batendo na porta e vou trabalhar ao máximo para poder estar lá e ajudar da melhor maneira possível a trazer este tão sonhado título para o Brasil. Estar na relação final é consequência dos treinos, dos campeonatos já disputados e daquilo que o técnico e a comissão estudam.

Como você avalia as demais postulantes a posição de levantadora para a seleção? 

Olha, há grandes nomes. Eu já estou com 28 anos, mas não tenho tanto tempo de seleção. Por isto, acredito que esta avaliação cabe mesmo é ao técnico e a sua comissão, que são os mais aptos a perceberem. Eu me inspiro muito na Dani Lins. Ela adora ajudar, trocar experiência, treinar e é ótimo trabalhar com ela. Todos que convivem com ela sabem o quanto a Dani se doa e a importância dela para o Brasil. Sou muito grata de poder trabalhar com ela, uma pessoa muito cativante e que agrega tanto valor. Eu também fico satisfeita de ver os nomes da Claudinha, Ananda, Macris, Juma e Naiane sendo citados, pois assim como eu elas também lutam muito, se esforçam, se doam ao máximo e sonham em poder representar o nosso país.

Qual é o seu grande sonho na carreira e na sua vida pessoal?

Eu vou colocando metas na vida e trabalho para realizá-las. Fiquei muito feliz de ter tido a minha chance na seleção em 2017 e do Zé ter me observado mais de perto, avaliando tudo aquilo que eu tenho a contribuir para o conjunto. Sonho logicamente em participar de uma olimpíada e poder me manter atuando em alto nível pelo clube durante muito mais tempo ainda. Na vida particular, quero poder me casar, ter meus filhos…

Enfim, cada coisa no seu devido tempo. Sou muito feliz de poder realizar meu trabalho ao lado da minha família, fãs e amigos. Tudo isso me dá um suporte bacana para continuar vivendo e sonhando.




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Alguém
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Alguém

Perfeito Roberta. O que não te agrega nada deve ser descartado. Sucesso na carreira.

Dani
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Os invejosos não aguentam a Robertinha… e sei que ela vai brilhar muito ainda.. vai ter seu destaque no dia certo.
Chateada q ela não citou o Bruninho kkkkk… eu acho eles muito parecidos… por não terem aquele refino no levantamento, mas se equilibram sendo completos nos outros fundamentos também.

Airton Bueno Carneiro
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Airton Bueno Carneiro

Levantadora fraca. A única qualidade é a altura. Não é jogadora de seleção brasileira.

Bartosz
Visitante
Bartosz

Fia, cê nem era pra tá aí, só está porque a rainha Fabíola cansada de ser reserva da superestimada Dani Lins pediu dispensa. Certíssima ela.

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