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Monday 22 April 2019
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Suelle: “Estou muito feliz em ter escolhido o Japão”

Brasileira em ação na V-Legue 2. (Foto: Divulgação)

Depois de passar pelas principais equipes do Brasil, a ponteira Suelle Oliveira embarcou para o Japão. Em seu primeiro ano na Terra do Sol Nascente, ela chegou para ser a referência do Victorina Himeji, time projetado para subir à elite e que tem a ex-levantadora Takeshita como técnica.

Até o momento, o time está invicto na V-League 2 com 12 vitórias. A boa fase, no entanto, não diminui as dificuldades de adaptação a outro estilo de jogo, sem contar a vivência de outra cultura, com hábitos e idioma bem diferentes aos dos brasileiros.

Em entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei, Suelle se diz feliz com a escolha, dá mais detalhes sobre a atual fase da carreira e como faz para lidar com a saudade dos familiares e amigos.

Confira:

Quando surgiu a proposta para jogar no voleibol japonês e como foi a decisão de ir para o outro lado do mundo? O que te motivou?

A proposta do Japão chegou através do meu empresário Rogério Teruo. Fiquei sabendo da história do projeto e das pessoas envolvidas como Manabe (que comandou a seleção japonesa por vários anos) e Takeshita, que foi uma das melhores levantadoras da história do vôlei mundial. O projeto foi iniciado com uma estrutura muito grande. Como no Brasil, é  necessário ser campeão da liga V2 para ter acesso à V-League principal.

O Victorina Himeji parece ter uma estrutura bem organizada. Você tem recebido suporte adequado por parte do clube?

Minha equipe tem muita estrutura e excelentes profissionais. Tenho sido muito bem assistida aqui e tudo o que falam dos japoneses em relação à organização e disciplina é real. São muito atenciosos comigo e me dão suporte em tudo que eu preciso.

Como faz para se comunicar? O idioma é uma barreira forte para a adaptação?

É sempre difícil quando não se fala o idioma, principalmente no esporte onde a má comunicação pode comprometer o desempenho da equipe. A comunicação é praticamente em japonês, pois a maioria delas não fala inglês. Graças a Deus, tenho uma intérprete que tem sido minha sombra e me ajudado em tudo. Aprendi os termos usados dentro da quadra para facilitar e as minhas companheiras também se esforçam para me compreender.  Algumas arriscam até algumas palavras em português. Fofas né?

O ritmo de treinos e de jogos é similar ao do Brasil? Quais diferenças mais te chamaram a atenção?

A rotina é completamente diferente do Brasil. Normalmente treinamos um período com bola que dura em média de três e quatro horas. Na parte da tarde, fazemos a parte física, que é mais voltada a circuitos intercalados com corrida. Peso mesmo só uma vez por semana. Eu faço a parte física à parte, seguindo a rotina brasileira. A minha dificuldade foi administrar o tempo de treino com bola, pois não é só o tempo em si, também é a velocidade do treino. Os rallys duram mais de um minuto em média. A bola não cai! Eu não sei a fórmula mágica dos japoneses, mas elas não se cansam! Fico impressionada. Tem sido uma experiência maravilhosa.

Como está o desempenho do time? E o seu? Há chances de subir?

Estamos invictos (12 jogos e 12 vitórias). Meu time é muito forte, temos boas atacantes e peças de reposição. Estou jogando muito melhor do que no início. O ritmo de jogo foi uma dificuldade, mas eles se preocupam bastante e tem dosado a quantidade de saltos e o tempo de treino, para não haver excesso. São 22 anos treinando de uma forma e sabemos que cada pessoa tem um tempo de adaptação. Estamos treinando forte e com certeza temos grande chance de subir para V1.

O contrato é de um ano? Você planeja continuar?

Meu contrato é só para essa temporada. Encerrando aqui, irei avaliar meu ano para saber qual direção seguir.

Qual é a sua análise sobre esses primeiros meses vivendo uma nova cultura? Você está feliz?

Amo o Brasil e sei que estamos num processo de evolução. Foi um choque cultural. O Japão está à frente em questões políticas e sociais. Aqui, as coisas realmente funcionam. Educação e o sistema de saúde são excelentes. Eu uso hospitais públicos, pois fornecem a mesma qualidade que os particulares. Lixo não se vê. Não existem lixeiras na rua. Cada um carrega seu lixo e separa em casa para a reciclagem.

O que mais me impressionou foi o quanto os japoneses são dispostos e dedicados para com o outro. Gentileza e educação são características da maior parte deles. O que me faz falta é a energia do brasileiro, que não tem igual. Abraçar, beijar… Somos muito carinhosos e não temos rodeio para demonstrar afeto e fazer a pessoa se sentir à vontade. Os japoneses não têm costume de se tocar, pois acham muita intimidade e usam reverência para praticamente tudo. Estou muito feliz por ter escolhido o Japão para ter essa experiência. Posso dizer que está sendo transformadora.

Como lida com a saudade da família e dos amigos?

A parte difícil é estar longe dos amigos e da família. Tem dias que dá um aperto, mas aí já faço uma chamada por vídeo e passa. Tento não pensar muito nisso, foco nas minhas metas e me mantenho ocupada, pois a temporada é curta e quando sofremos com a distância acabamos não vivendo o aqui e agora. A oportunidade passa e não tem como voltar no tempo. Estou no lugar onde gostaria de estar, depois eu mato a saudade. Quero fazer um bom trabalho e cumprir o meu objetivo aqui.

Tem acompanhado a Superliga? É possível ter surpresas neste ano?

Na Superliga, tenho acompanhado os resultados dos jogos pelas redes sociais. Está pegando fogo. É difícil arriscar um palpite sobre algum finalista. O Minas está forte e com o grupo bem fechado. Hinode Barueri está crescendo a cada jogo e torço para que eles cheguem à final. Mas tem Sesc RJ, Dentil/Praia Clube, Osasco-Audax e Sesi Vôlei Bauru muito fortes. Até o final, teremos muita emoção e muito babado! Espero acompanhar tudo e torcer mesmo estando de fora.

Há algum outro país que você gostaria de jogar?

Tenho vontade de jogar em vários lugares do mundo. Tudo está nas mãos de Deus e só peço saúde para continuar na caminhada.




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Jeff
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Linda reportagem, melhor portal de vôlei.

Jeff
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Linda reportagem. Belo trabalho. O melhor portal de notícias de vôlei.

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