A temporada 01/02 marca o início do declínio da Superliga.
Aliás, é um erro chamar de Superliga 01/02 uma competição que só
realmente começou no ano de 2002. A CBV criou o Grand Prix Brasil de
clubes e inchou o calendário, diminuindo o número de datas para a mais
importante competição do Brasil.
Neste ano foi instituído o troféu Viva-Vôlei, entregue ao final de cada
partida à melhor jogadora em quadra. Num primeiro momento, quem escolhia
a vitoriosa era o delegado do jogo. Por fim, decidiu-se que o técnico ou
supervisor da equipe que vencesse a partida é que escolheria a
contemplada.
Muitas mudanças nos times marcaram a Superliga. Os finalistas da
temporada anterior, Flamengo e Vasco, fecharam as portas. Devendo vários
meses de salários à jogadoras e comissões técnicas, não puderam
participar, o que diminuiu consideravelmente o nível técnico da
competição. Apenas oito equipes participaram desta edição da Superliga:
os tradicionais MRV/Minas, BCN/Osasco, Rexona, São Caetano, Pinheiros e
Macaé, além dos estreantes ACF/Campos e Buettner/Vôlei.
O Minas mudou praticamente todo o seu plantel. Saíram as jogadoras Rô,
Bia, Kely, Karin, Fernanda Doval, Lira, Cibele e Mirian. Foram
contratadas Érika e Elisângela, do Rexona, a central Marina, do BCN, e a
líbero Ana Maria Volponi, do São Caetano. O técnico Willian também saiu,
e chegou Antônio Rizola, que estava no São Caetano e havia sido campeão
mundial juvenil com a seleção feminina em 2001. No BCN, saíram a
americana Danielle Scott e as ponteiras Estefânia e Luciana Marques. O
time se reforçou com Patrícia Cocco, Virna, Arlene e Valeskinha, além de
promover o retorno do técnico Zé Roberto Guimarães. O então técnico
Sérgio Negrão passou à gerente de voleibol do grupo BCN.
Com o fim de Flamengo e Vasco, um novo time do Rio de Janeiro surgiu: o
ACF/Campos, que contratou várias jogadoras renomadas: as campeãs pelo
Flamengo Gisele, Soninha, Eth e Giovanna, além da comissão técnica do
time rubro-negro, encabeçada pelo técnico Luizomar de Moura. Do Minas,
outros cinco reforços: Kely, Karin, Rô, Fernanda Doval e Lira Ribas. E
do Vasco chegaram Jaline e Fabi. O Rexona também mudou bastante seu
time. Do Vasco, chegaram as pontas Denise, Raquel e Sassá, a levantadora
Camilla Adão e as centrais Cláudia e Flúvia. Também foram contratadas as
primas Fabiana e Daniela Berto, além da israelense Tatiana Shaposhnikov,
a Tali (que substituiu a holandesa Chaine Staelens), e a experiente
ponta Filó. Bernardinho deixou o comando do time, passando a supervisor.
Assumiu seu auxiliar, Hélio Griner.
O Macaé, depois de ficar fora das quartas-de-final na temporada
anterior, também se reforçou. Do Minas, chegaram a oposto Bia, a central
Kerly e a ponta Cibele. Do campeão Flamengo veio a experiente central
Tatiana, e do Força Olímpica a revelação Dani Vieira. Do Rexona, a
levantadora Estela, além do técnico Airton Nascimento. O Pinheiros
perdeu sua principal jogadora, Patrícia Cocco, mas contratou a campeã
mundial juvenil Ciça, campeã também pelo Flamengo, além de Luciana
Adorno, que estava no Minas, e Nine, do Macaé. O São Caetano, que perdeu
o técnico Rizola, trouxe Estefânia, do BCN, e Carol Gattaz, do Rexona.
Outros destaques eram a levantadora Fernandinha, além das campeãs
mundiais juvenis Ana Cristina, Juliana e Paula Barros. O comando do time
ficou à cargo de Willian, ex-Minas. No Buettner, da técnica Farid
Beraldo, os destaques eram a levantadora Luísa, a central Edna e a ponta
Danúbia.
A CBV inovou na fórmula da competição. Os oito times jogariam entre si,
em turno e returno. O campeão do turno e o campeão do returno tinham
vaga assegurada às semifinais. As outras duas vagas seriam preenchidas
pelos dois times com melhor índice técnico na fase regular.
O primeiro turno foi decidido entre Rexona e MRV/Minas. O Rexona teve a
melhor campanha no turno, com 13 pontos, seguido do Minas, com 12 (que
para chegar à final, venceu o BCN por 3x1, com 30x28 no quarto set). E
por ter tido a melhor campanha, o Rexona pode jogar em casa na decisão,
o que lhe ajudou muito. Empurrado pelos oito mil torcedores que lotaram
o ginásio do Tarumã, o time do técnico Hélio Griner não deu chance às
mineiras, vencendo por 3x1 e conquistando, por antecipação, uma vaga nas
semifinais.
No segundo turno, novamente o MRV/Minas marcou presença, depois de uma
campanha irretocável no returno, quando não perdeu nenhum jogo. Na
verdade, a decisão do segundo turno de nada valia: antes mesmo de
acontecer, as semifinais já estavam decididas. A vitória contra o rival,
por 3x1, serviu apenas para encher o Minas de moral. Definidas as
semifinais, o MRV/Minas enfrentaria o ACF/Campos, e o BCN/Osasco jogaria
contra o Rexona. Que seriam jogadas em melhor de três jogos, e não em
melhor de cinco, como nos anos anteriores.
A série semifinal entre Minas e Campos não tinha prognósticos. Apesar de
ter sido o melhor time na fase regular, o Minas sempre tinha problemas
quando enfrentava o time do norte-fluminense. Em cinco jogos na
temporada (3 pelo Grand Prix e 2 pela Superliga), o time do técnico
Luizomar de Moura venceu 4. O fato do time campista contar com cinco
ex-atletas do Minas, que não saíram muito bem do clube, trazia mais
emoção ao duelo. Além disso, tinha sido o próprio Luizomar o grande
algoz do Minas na temporada anterior, quando venceu o time de BH nas
semifinais, com o Flamengo. Mas o Minas esqueceu o mau retrospecto
contra o adversário e saiu na frente, mesmo jogando fora de casa: venceu
a primeira partida por 3x1 (25x21, 22x25, 25x19 e 25x22), e ficou mais
perto das semifinais. Um início de jogo mostrou as duas equipes rodando
bem na quadra e alternando a vantagem no placar. Mas o MRV/Minas estava
acertando mais o saque e o bloqueio e chegou a colocar seis pontos
(15x9) de vantagem. A equipe mineira passou a encontrar dificuldades
permitindo ao ACF encostar no marcador em conseqüência de seus próprios
erros, mas mesmo assim fechou em 25x21. A equipe mineira manteve o ritmo
do set anterior, enquanto o time de Campos procurou corrigir o erro de
recepção, mas algumas de suas jogadores estavam nervosas. Aos poucos o
time fluminense foi equilibrando a partida e a ansiedade, chegando a
empatar em 11x11, aproveitando um momento de desconcentração do Minas. O
Minas chegou a colocar cinco pontos de vantagem, mas o ACF passou à
frente e venceu por 25x22 com destaque para Soninha.
O MRV/Minas voltou mais concentrado para o terceiro set com Elisângela
se apresentando melhor. Por outro lado, o time fluminense começou a
acertar a bola de meio. A equipe de Campos cometeu alguns erros capitais
no momento decisivo do set que acabaram complicando permitindo ao
sexteto mineiro fazer 25/19. As duas equipes partiram para o quarto e
importante set. Para o MRV/Minas a chances de vencer a partida e ACF a
oportunidade de permanecer no jogo. Tudo estava dando certo para o Minas
que se sentiu à vontade em quadra, enquanto tudo dava errado para o time
de campista, que desperdiçou muitas jogadas de ataque. O Minas acertou o
bloqueio e chegou a fazer 13 a 4. ACF voltou para o jogo e reagiu e
encostou. No segundo jogo da série, Campos partiu para o tudo ou nada.
Precisava vencer, do contrário estaria fora das finais. O Minas,
dirigido pelo técnico Antônio Rizola, entrou na quadra aplaudido pelos
2.783 torcedores que foram conferir a partida. Venceu o primeiro set por
25x23 em 24 minutos. A equipe mineira começou muito bem, colocando cinco
pontos de vantagem no adversário, abrindo 7x2, mas acabou deixando o
Campos empatar. Aproveitando erros de ataque e bloqueio do adversário,
as meninas do Minas conseguiram fechar o set. No segundo set, o Minas
não conseguiu manter o ritmo e a velocidade do primeiro, permanecendo
todo o tempo atrás no marcador. Nervoso, o time cometeu muitos erros na
defesa e acabou perdendo por 25x15, em 23 minutos. Nos terceiro e quarto
sets, o Minas reencontrou seu melhor jogo, venceu por 25x20 e 25x18 e
conseguiu a tão sonhada vaga nas finais. Cristina Pirv, grande destaque
do time, foi escolhida a melhor em quadra.
A outra semifinal também foi decidida em dois jogos. O BCN, mesmo
jogando no Tarumã, não tomou conhecimento do Rexona e venceu o jogo por
3x2. O segundo também teve a vitória do BCN, apertada, por 3x2 (33x31,
28x30, 22x25, 25x12 e 15x10). Nem todo o esforço de Raquel, seja no
saque (primeira nas estatísticas), seja no ataque (deixou a Superliga
como a então maior pontuadora) foi suficiente para levar o Rexona à
final. O melhor conjunto do BCN, e as belas atuações da ponteira Virna e
da central Janina, destaques na defesa e no bloqueio, facilitaram a vida
das paulistas.
A final da Superliga não poderia ser diferente. Afinal, MRV/Minas e BCN
tinham as melhores campanhas e suas jogadoras lideravam as estatísticas
da competição. Se o Minas tinha o retrospecto como vantagem – afinal,
foram três vitórias em três jogos nesta Superliga -, o BCN tinha em seu
elenco três jogadoras querendo o bi: Virna, Valeskinha e Arlene (agora
jogando como líbero) foram campeãs pelo Flamengo na temporada anterior.
As atacantes Pirv e Virna faziam um duelo à parte. As duas lutavam pelo
primeiro posto no ranking de pontuadoras. A romena entrou nas finais na
frente: 305 pontos contra 279 da brasileira. Ambas estavam atrás da
ponteira Raquel, do Rexona, que tinha 333 pontos, mas já havia saído da
Superliga, com a queda do seu time nas semifinais. As duas atletas
também estavam bem ranqueadas na defesa: Pirv era a sétima e Virna, a
nona no fundamento.
No primeiro jogo, em Osasco, a facilidade do BCN foi tanta que nem
parecia se tratar de uma final de campeonato. O time de São Paulo
simplesmente atropelou o Minas, vencendo por 3x0 (25x15, 25x18 e 25x20),
em 1h25m de partida. O BCN começou arrasador, abrindo 10x2 no placar.
Foi preciso que o técnico Rizola gastasse seus dois pedidos de tempo
para o time esboçar uma reação, diminuindo o placar para 10x6. Mas o BCN
não deixou por menos, e abriu nova frente, 17x7. Só precisou administrar
o resultado para fechar a parcial em 25x15. O segundo set não foi
diferente. O BCN logo abriu 9x2, com sua defesa não deixando as
atacantes do Minas pontuarem. O MRV reagiu, reduziu o placar para 14x11
e encostou ainda mais. A diferença chegou a um ponto, com o BCN vencendo
por 15x14. Mas a desconcentração voltou a tomar conta das mineiras,
abriram vantagem, 23x17, e fecharam o set com 25x18. No terceiro set,
mais do mesmo: o BCN logo conseguiu uma vantagem de 4 pontos (6x2),
depois 7 (14x7) e seguiu controlando o jogo, fechando o set em 25x20 e o
jogo em 3x0, graças principalmente ao seu saque tático e à defesa,
sempre bem postada. O saque do Minas não fez efeito, e a levantadora
Carol pode distribuir bem o jogo, dificultando a vida do bloqueio
mineiro. O BCN ficou à uma vitória de seu primeiro título, e o Minas se
distanciava do fim do jejum de títulos no vôlei feminino, que não via
desde a temporada 92/93.
Se o primeiro jogo foi tranqüilo, no segundo não faltou emoção. A
torcida, que encheu a Arena JK, viu seu time perder os dois primeiros
sets, por um duplo 25x23. Mesmo com suas principais jogadoras, Pirv e
Fofão, sofrendo de contusão, sendo constantemente atendidas nos pedidos
de tempo e intervalos, o time encontrou forças para reagir. Venceu o
terceiro set por 25x22, e daí em diante o que se viu foi um novo jogo. O
BCN sentiu a derrota no set anterior, que teria lhe dado o título, e
sumiu do jogo. O Minas venceu o quarto set com facilidade, 25x17, e o
tié-break por 15x10, tendo Elisângela como maior pontuadora do jogo, com
28 pontos. A decisão estava empatada. Seria decidida no terceiro jogo,
novamente em Belo Horizonte. Desta vez, no Mineirinho.
O terceiro jogo foi cercado de expectativa antes mesmo de começar. Fofão
e Pirv jogariam? O BCN conseguiria encontrar forçar para vencer o jogo,
depois de lhe faltar apenas um set (e alguns pontos) no jogo anterior?
Qual seria a formação do BCN? Quem jogaria: Paula, Patrícia, Fofinha,
Jaqueline? Pirv, que sofreu uma entorse no tornozelo direito, sequer
treinou nos dias que antecederam a final.
A briga pelo posto de maior pontuadora seguia acirrada. Raquel e seus
333 pontos seriam batidos? Pirv já estava com 324, precisava de apenas
10 pontos para se tornar, pela quarta vez, a maior pontuadora da
principal competição de clubes do Brasil. Mas a romena teria condições
de jogo? Virna ainda tinha chances. Com 308 pontos, precisava de 26 para
chegar lá.
A torcida do Minas compareceu. Foram 21 mil pessoas no Mineirinho. E com
tal apoio, mais a confirmação da presença de Pirv e Fofão, ficava
complicado perder. E o Minas não decepcionou sua gente: venceu o jogo
por 3x1 (25x21, 23x25, 25x16 e 25x20), conquistando a primeira Superliga
da sua história.
O primeiro set começou com o BCN mais atento no bloqueio. A equipe de
Osasco saiu na frente, mas o Minas reagiu e equilibrou a partida, até
empatar em 11x11. Daí para frente, o jogo ficou equilibrado, com as
mineiras mantendo-se à frente na contagem. O Minas consertou seu
bloqueio e começou a forçar mais o saque, principalmente com Érika, uma
das mais vibrantes em quadra. Ela, Elisângela e Pirv deram trabalho à
defesa paulista e foram elas que, numa seqüência de pontos, levaram o
Minas a fechar o set em 25x21. O segundo set começou como o primeiro,
com o Osasco saindo na frente. Mas não chegou a abrir grande diferença,
pois logo o Minas recolocou a casa em ordem e igualou o placar. A
partida seguiu equilibrada, até que, a partir do 17º ponto, quando Pirv
foi bloqueada, o BCN/Osasco passou a dominar. Aproveitando-se de alguns
erros de ataque do Minas, fechou com o placar de 25x23. O Minas conheceu
seu melhor jogo no terceiro set, quando dominou todo o tempo, sem dar
muitas chances de reação à equipe adversária. Boa atuação da líbero Ana
Volponi, que se posicionou muito bem em quadra. Destaque, mais uma vez,
para Érika, no saque; Elisângela, no ataque e no bloqueio; e Marina, no
bloqueio e nos ataques de meio. Foi numa jogada assim que o Minas chegou
ao 25º ponto, fechando em 25x16. O Minas soube manter o nível de jogo
também no quarto set, mas o BCN não facilitou o trabalho das mineiras,
lutando muito, com Virna se desdobrando para estimular sua equipe. No
entanto, as paulistas encontraram na jovem Marina e em Elisângela, um
bloqueio quase perfeito. Nos últimos pontos, a torcida já gritava “É
campeão!' e a emoção começava a ser visível nos rostos de jogadoras como
Marina, Elisângela, Pirv e até mesmo a “fria" Fofão. Os pontos finais
tinham de ser de Cristina Pirv, ídolo da torcida mineira e maior
pontuadora da competição. Ela já tinha dado uma “largadinha", que deixou
as paulistas desnorteadas, no 18º ponto. E, com um ataque da diagonal,
que fechou o set em 25x20 e o jogo em 3x1, garantiu o título brasileiro
feminino para o Minas, nove anos depois da L'Acqua di Fiori/Minas
conquistar o troféu da temporada 1992/1993.
O título coroou a melhor equipe da Superliga. Foram apenas 4 derrotas em
21 jogos.
Segundo as estatísticas, a central Katchú, do Pinheiros, foi a melhor
atacante da Superliga. Janina, do BCN, o melhor bloqueio. Raquel, do
Rexona, a melhor sacadora. Cibele, do Macaé, a melhor em defesa. Fofão,
do Minas, a melhor levantadora. E Pirv, a maior pontuadora e melhor
passadora da competição.
As campeãs:
01. Ângela Moraes
02. Elisângela
03. Érika
04. Fabíola
05. Michely
06. Cristina Ferreira
07. Fofão
08. Ana Maria Volponi
09. Juliana Rodrigues
10. Flávia Terra
11. Cristina Pirv
12. Verônica Nogueira
13. Sheilla
14. Juciely
15. Marina
16. Keila Aguiar
Técnico: Antônio Rizola Neto
Auxiliar-Técnico: Sérgio Veloso