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A temporada 2002/2003 começou com uma novidade: o retorno às quadras da levantadora Fernanda Venturini. Depois de dar à luz á filha Júlia, ela aceitou o convite do técnico Zé Roberto Guimarães e assinou contrato com o BCN/Osasco, em busca de seu décimo título nacional.

 

Algumas mudanças nos times: Patrícia Cocco, vice com o BCN na temporada anterior, foi para o Açúcar União/São Caetano, junto com a levantadora Marcelle, escolhida a melhor na posição no Mundial de 2002, e a oposto Renatinha. Em Campos, a principal mudança foi na armação: Gisele foi para a Espanha e foi substituída por Fabiana Berto. No Minas, a grande ausência é a atacante romena Cristina Pirv, maior pontuadora das últimas Superligas. Em seu lugar, veio a americana Logan Tom, vice-campeã mundial. O BCN, além de Fernanda Venturini, contratou a oposto Bia, que jogou no Macaé na temporada anterior, e as centrais Lígia, ex-Rexona, e Dani Vieira, ex-Macaé. No Rexona, outra troca de levantadoras: saiu Fabiana Berto e chegou Fernandinha.

 

Infelizmente, a competição contou com apenas oito equipes. Do Rio de Janeiro, Campos e Macaé. De Minas, o MRV/Minas. Do Paraná, o Rexona. E de São Paulo, BCN/Osasco, Açúcar União/São Caetano, Pinheiros e o estreante Cadsoft/São José.

 

Na fase regular da competição, o Minas terminou em primeiro lugar, com 13 vitórias em 14 jogos. Em segundo, o BCN, com 12 vitórias. O Rexona foi o terceiro colocado, com 9 vitórias, seguido por Campos, com 8. Macaé, São Caetano, Pinheiros e Cadsoft vieram a seguir. Definidas as quartas-de-final, o duelo mais esperado seria entre o do Rexona, de Walewska, Raquel e Fernandinha, e o São Caetano, de Marcelle, Patrícia Cocco e Carol Gattaz.

 

Nas quartas, o MRV/Minas não encontrou dificuldades para derrotar o jovem time do Cadsoft, cujos destaques eram Ednéia, Mariellen, Cíntia e Vanessa, por 2x0. Da mesma forma o BCN despachou o Pinheiros, vencendo os dois jogos por 3x0. Nas outras séries, muito equilibro. No norte-fluminense, o Macaé venceu o primeiro jogo por 3x2, fora de casa, e teve a chance de se classificar para as semifinais jogando em casa. Mas a força das veteranas Estefânia e Kerly, da levantadora Carol, além dos bons bloqueios da jovem Lira Ribas, não foi suficiente. Campos venceu o segundo jogo por 3x1 (com Karin como maior pontuadora, com 16 pontos), em Macaé, e levou a decisão de volta para perto de sua torcida. E venceu, novamente por 3x1, num jogo muito disputado. Perdeu o primeiro set, empatou, e venceu os dois últimos pelo menos placar, 28x26. Muito em conta da atuação da ponta Soninha, que anotou 21 pontos. Fabiana Berto foi a melhor levantadora da terceira rodada das quartas. Na outra série, entre Rexona e União/São Caetano, muita semelhança. O São Caetano venceu o Rexona em Curitiba, no primeiro jogo, por 3x2, e levou a decisão pra São Paulo. O grande destaque do time foi a oposto Renatinha, que anotou 22 pontos no jogo. Em São Paulo, o Rexona se superou. Sentindo a ausência da levantadora Fernandinha, se recuperando de uma pancreatite, o time foi comandado pela jovem Camilla Adão, e devolveu o 3x2, num duelo particular das atacantes Raquel e Renatinha, que marcaram 33 e 29 pontos, respectivamente. O tié-break, que terminou em 15x13 para o time do Paraná, foi decidido nos erros: o São Caetano deu 4 pontos para o adversário, e o Rexona apenas 2. No terceiro jogo, o equilíbrio voltou a imperar: novo tié-break. E deu Rexona, no 3x2 (31x29, 17x25, 25x22, 23x25 e 20x18), em quase duas horas e meia de partida. No primeiro set, uma atuação exuberante de Patrícia Cocco, com 10 pontos. Mas muitos erros do São Caetano, que culminaram com a vitória do Rexona. No segundo set, um incidente quase derrubou o Rexona: a ponta Sassá e a líbero Dani Leal chocaram as cabeças e tiveram que ir para o hospital. Apreensivas, as jogadoras do Rexona baixaram a guarda e permitiram a vitória das paulistas. Mas reagiram no terceiro set, com Juliana no lugar de Sassá e Flávia improvisada de líbero. Comandadas por Raquel, que anotou 28 pontos na partida, o Rexona venceu o jogo, superando todos os problemas. E se Renatinha, até então a segunda maior pontuadora da Superliga, com 282 pontos, não brilhou tanto, Patrícia Cocco veio bem, com também 28 pontos. Definidas as semifinais: MRV/Minas vs. Campos e BCN/Osasco vs. Rexona.

 

Na série entre BCN e Rexona, o time de São Paulo não teve dificuldades, apesar de enfrentar o time da então maior pontuadora da Superliga, Raquel. Venceu os três jogos, os dois primeiros por 3x0 e o segundo por 3x1, com grandes atuações de Bia (que marcou 54 pontos nos três jogos das semifinais), Fernanda, Virna e Arlene. Pelo Rexona, que jogou sem sua levantadora titular Fernandinha, o único destaque foi Raquel, que nos primeiros jogos não conseguiu repetir as atuações da fase regular. O saque, principal arma do Rexona, não funcionou. E com o passe na mão, Fernanda Venturini pode jogar com toda velocidade e habilidade que lhe são peculiares, o que dificultou a ação do bloqueio do Rexona, que pouco funcionou. No segundo jogo, por exemplo, o time do Paraná marcou apenas 1 ponto neste fundamento, contra 11 das paulistas.

 

Na outra chave, o Minas sofreu um pouco para derrotar o time de Campos. No primeiro jogo, em Belo Horizonte, só facilidades, num 3x0 sem maiores problemas. O nome do jogo foi Érika, com 17 pontos, mas Fofão também brilhou. Por Campos, que jogou desfalcado da capitã da seleção Karin Rodrigues, só Soninha escapou do vexame, anotando 10 pontos. No segundo jogo, o banco de Campos foi fundamental para a vitória do time fluminense por 3x2, de virada, com 22x20 no set final. Jaline, que entrou no segundo set e não saiu mais, foi a maior pontuadora da partida, com 21 pontos. As primas Fabiana e Daniela Berto, que também começaram na reserva, também foram decisivas. O Minas esteve à frente do placar nos quatro primeiros sets, mas permitiu a virada no segundo e no quarto. No tié-break, Campos chegou a fazer 14x12, mas permitiu o empate do time mineiro, graças ao pesado saque de Elisângela. Mas no final, com um ataque errado, Campos fechou o set e o jogo, pra delírio da torcida campista. No terceiro jogo, em Belo Horizonte, o Minas reencontrou seu melhor voleibol e venceu a partida por 3x1, graças às ponteiras Logan Tom, escolhida a melhor do jogo, e Érika, maior pontuadora do jogo com 21 pontos. O número de erros foi o mote do jogo: 22 de cada lado. No quarto jogo, o time de Campos decepcionou sua fanática torcida, que lotou o ginásio da Auxiliadora: não fez frente nenhuma ao Minas, que surpreendentemente fechou o jogo em 3x0 (25x13, 25x20 e 25x17), vencendo a série semifinal por 3x1 e se classificando para sua segunda final consecutiva. Elisângela, com 16 pontos, foi o principal nome do time. Nem as mudanças do técnico Luizomar, que colocou as reservas Eth, Cibele, Jaline e Giovanna em quadra, surtiram efeito.

 

Na final, os mesmos times da temporada anterior, BCN e MRV/Minas, com poucas diferenças entre os times. No BCN, Fernanda e Bia, no lugar de Carol e Patrícia Cocco. E no Minas, Tom e Fabiana, no lugar de Pirv e Marina, que sofreu uma contusão no meio do campeonato e perdeu a posição para a jovem central, escolhida a revelação do torneio. Pelo resultado, ficou visível que o BCN saiu ganhando. Numa das finais menos disputadas de todos os tempos, o time de São Paulo venceu os três jogos e ficou com o título, depois de ser vice em quatro ocasiões.

 

O primeiro jogo, em Belo Horizonte, foi vencido por 3x1 (25x19, 25x14, 24x26 e 25x14), em pouco mais de uma hora e meia de partida. Impecável no saque, ataque e passe, Virna foi a melhor jogadora do jogo, além de maior pontuadora, com 24 pontos. Com um bom saque, e contando com uma péssima partida da americana Tom, o BCN impediu que Fofão pudesse trabalhar com velocidade, usando as centrais Ângela Moraes e Fabiana, facilitando a vida do bloqueio. Com a saída de Tom no terceiro set (Sheilla em seu lugar), o Minas reagiu, contando também com a desconcentração das paulistas. Mas no quarto set, com os nervos de volta ao lugar, o time comandado por Fernanda novamente não deu chances às mineiras.

 

O segundo jogo foi ainda mais fácil. Em apenas 1:12 minutos de jogo, o BCN venceu por 3x0 (25x18, 25x19 e 25x20), com Fernanda escolhida a melhor da partida. Novamente, o time de Osasco não deixou o Minas jogar, variando bem os saques e anulando as principais atacantes de ponta do time mineiro, principalmente Elisângela, que acabou por deixar a quadra no terceiro set, para a entrada de Sheilla. A maior pontuadora do jogo foi a ponteira Paula, do Finasa, com 19 acertos (oito apenas no primeiro set). As centrais Valeskinha e Dani Vieira também foram decisivas no bloqueio, enquanto no Minas Érika se salvou, comandando o time nos poucos momentos de lucidez.

 

No terceiro jogo, no Mineirinho, a história se repetiu. Apesar das declarações das jogadoras do Minas antes da partida, que nada estava perdido, o time entrou de cabeça baixa para enfrentar um adversário que, à partir das quartas-de-final, foi praticamente perfeito (venceu os oito jogos que disputou e perdeu apenas 2 sets). Diante de um Mineirinho longe de estar lotado, o BCN impôs um novo 3x0 (25x20, 25x14 e 25x17) às mineiras e ficou com o título, que depois de três anos voltava à São Paulo. Virna foi a maior pontuadora do jogo, com 16 pontos, e Paula foi escolhida a melhor em quadra. O time do BCN era só alegria, como podemos ver pelas declarações de alguns membros da equipe:

 

“Depois de todo o sofrimento que tive ano passado, estou muito feliz. Esse título é para o meu filho, para a minha família, para as minhas amigas do time que me deram muita força e, principalmente, para o BCN, que fez tudo por mim”, disse a veterana Virna.

 

Fernanda, que tinha a filha Júlia no colo, comentou: “Estava há mais de dois anos sem ganhar um título. Isso me incomodava muito. É realmente um momento muito especial para mim e essa conquista eu dedico ao meu marido, que me deu muita força, e para a minha filha, que é a coisa mais maravilhosa do mundo, fruto de um grande amor. É uma pena que o Bernardo não possa estar aqui para ver, mas a Júlia está. Eles são tudo pra mim.”

 

O técnico Zé Roberto vibrava como uma criança: “Em todo treino pensávamos somente na equipe mineira. Estávamos engasgados com as duas derrotas da fase classificatória. Ano passado, a vitória do MRV/Minas entrou para a história deles. Agora, esses três jogos a zero nas finais vão marcar a nossa história.”

 

Depois de tanta superioridade na série final, não foi surpresa tantas jogadoras do BCN no rol de melhores do campeonato:

 

MVP – Bia

Melhor Atacante – Bia

Melhor Bloqueadora – Valeskinha

Melhor sacadora: Raquel

Melhor Levantadora – Fernanda Venturini

Melhor passe: Fabi

Melhor recepção: Arlene

Melhor líbero: Fabi

Revelação: Fabiana

Melhor técnico: Zé Roberto Guimarães

Melhor árbitro: Valdir Del’acqua.

 

As campeãs:

 

01. Dani Lins

02. Lígia

03. Bia

04. Paula Pequeno

05. Danúbia

06. Jaqueline

07. Estela

08. Valeskinha

09. Verê

10. Virna

11. Fernanda Ísis

12. Fofinha

14. Fernanda

15. Arlene

16. Mari

17. Dani Vieira

18. Raquele

 

Técnico: Zé Roberto Guimarães

Auxiliar-Técnico: Paulo Côco.

 

EQUIPES

BCN/OSASCO

MRV/MINAS

ACF/CAMPOS

Danielle Lins

Ângela Moraes

Priscila Marsiglia

Lígia Centeno

Elisângela Almeida Oliveira

Margareth Tavares – Eth

Ana Beatriz das Chagas – Bia

Érika Coimbra

Cibele Barboza

Paula Pequeno

Josefa Fabíola Souza

Sônia Benedito

Danúbia Wessler

Fabiana Claudino

Daniela Berto

Jaqueline Carvalho

Michely Fernandes

Giovanna Chagas

Maria Estela

Hélia Souza – Fofão

Fabiana Berto

Valeskinha Menezes

Ana Maria Volponi

Ana Maria Gosling

Verediana Fonseca – Verê

Sabrina Soares

Jaline Oliveira

Virna Dias

Flávia Terra

Fernanda Berti

Fernanda Isis da Silva

Juliana Rodrigues

Karin Rodrigues

Ana Paula Ferreira – Fofinha

Cristina Ferreira

Rosângela Nascimento – Rô

Fernanda Venturini

Sheilla Castro

Flávia Carvalho – Flúvia

Arlene Xavier

Juciely Silva

Fabiana Alvim de Oliveira – Fabi

Marianne Steinbrecher

Marina Daloca

Juliana Klaiom Machado

Daniela Vieira

Thaísa Menezes

 

Raquele Lenartowicz

Logan Tom

 

 

Keila Aguiar Mendes

 

Técnico: Zé Roberto Guimarães

Técnico: Antônio Rizola Neto

Técnico: Luizomar de Moura

Auxiliar: Paulo Coco

Auxiliar: Sérgio Veloso

Auxiliar: Jefferson Arosti

 

 

 

REXONA

PINHEIROS

UNIÃO/SÃO CAETANO

Walewska Oliveira

Aline Galan

Natália Guimarães

Nikolle Del Rio Correa

Luciana Adorno

Rafaela Félix

Fernandinha Ferreira

Renata Lúcia Carvalho

Thaís David Barbosa

Carla Raimundo

Sabrina Almeida

Viviane Soares Silva

Edna Schlindwein

Cecília Souza – Ciça

Ana Cristina Porto

Ericléia Bodziak – Filó

Kátia Rodrigues – Katchú

Marcelle Rodrigues

Raquel Peluci

Michelle Daldegan

Fabiana Leomil

Cláudia Souza

Ana Paula Santos Silva

Paula Barros

Flávia Cristina de Assis

Denise Theodoro

Andréia Cozzi Sforzin

Welissa Gonzaga – Sassá

Tatiana Rodrigues

Patrícia Cocco

Grace de Morais

Sílvia Oliveira

Caroline Gattaz

Daniela Leal Santos

Elyara Silva

Mari Helen Mendes

Francielle Pereira

Flávia Fernanda de Lima

Alessandra Fratoni

Camilla Adão

Elymara Silva

Renatinha Colombo

Kassiana Urnau

Sabrina Bado – Kika

Fernanda Gritzbach

Tatiana Shaposhnikov - Tali

 

 

Juliana Costa

 

 

Suelle do Prado Oliveira

 

 

Técnico: Hélio Griner

Técnico: Ariovaldo Rabello

Técnico: Willian Carvalho

Auxiliar: Ricardo Tabach

Auxiliar: Cláudio Pinheiro

Auxiliar: Osni Cândido

 

 

 

MACAÉ NUCENG

CADSOFT

 

Kerly Paiva

Priscila Dores

 

Carolina Albuquerque

Sumaia Ribeiro

 

Verônica Brito

Verônica Roche

 

Dayse Figueiredo

Isabel Porcaro

 

Renata Dias

Luciana Ruiz

 

Ana Paula Larroza – Nine

Mariellen Costa

 

Danielle Fagundes Ciprandi

Simone Leme

 

Estefânia de Souza

Vanessa Paterlini

 

Juliana Patrício Fernandes

Adriana Cunha

 

Lira Ribas

Ana Paula Alves Gomes

 

Elaine Cordeiro

Maria Aparecida Mangabeira

 

Juliana Leite

Evelyn Delogu

 

Danielle da Silva Félix

Vanessa Rodrigues Carvalho

 

Danúbia Costa Caldara

Cíntia Leto Biolo

 

Marcela Balla

Ednéia Anjos

 

Thaís Helena Júlio

 

 

Juliana Saracuza

 

 

Técnico: Airton Nascimento

Técnico: Hairton Cabral

 

João Batista Júnior

Auxiliar: Alexandre Ceccato

 

 

 

 
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