A temporada 03/04 foi importante para a Superliga Feminina. Novamente 10
times disputaram a competição, trazendo mais emoção ao torneio. Se
infelizmente o time do Cadsoft/São José acabou, apareceram novas
equipes. Debutando na Superliga, vieram o time do Ecus, de Suzano. A
cidade, tradicional pólo do vôlei masculino, pela primeira vez contou
com uma equipe feminina na mais importante competição do Brasil. De
Minas, surgiu o Sesi/Uberlândia, num projeto capitaneado pelo ex-técnico
da Seleção, Wadson Lima. E o Força Olímpica, de Brasília, retornou à
competição, contando com o patrocínio da Brasil Telecom.
Novidades também nas equipes. O campeão BCN mudou de nome, para Finasa.
Perdeu a experiente Virna, mas contratou Érika. O time do técnico da
seleção feminina, Zé Roberto Guimarães (que assumiu o lugar de Marco
Aurélio Motta em meados de 2003) perdeu também sua líbero, Arlene, e deu
chances à novata Verê, campeã mundial juvenil em 2001. Outras duas
campeãs deste mesmo mundial foram contratadas: a levantadora Ana
Cristina e a ponta Juliana. O vice-campeão Minas também mudou bastante.
Toda a base do time que foi campeão e vice nas temporadas anteriores
saiu. Ficaram apenas as novatas Sheilla e Fabíola, campeãs mundiais
juvenis em 2001, e Joycinha, Joyce, Fabiana e Thaísa, campeãs mundiais
juvenis em 2003. Para reforçar o time, chegaram a levantadora Gisele,
depois de uma temporada na Espanha, as ponteiras Virna, do BCN, e
Raquel, do Rexona, as centrais Flúvia, de Campos, e Luciana Ruiz, do
Cadsoft, a líbero Arlene e a americana Keba Phipps, vice-campeã mundial
em 2002 e recordista de títulos na Itália. O time de Campos, comandado
por Luizomar de Moura, também mexeu suas peças: saiu a levantadora
Fabiana Berto e chegou Marcelle, melhor da posição no Mundial de 2002.
Se perdeu a medalhista olímpica Karin, que foi para a Espanha, trouxe
outra jogadora bronze em Sydney, Janina. E contratou também a ponteira
Fofinha, ex-BCN, e a oposto Renatinha Colombo.
O Rexona, disposto a brigar novamente pelo título, também mudou seu
elenco. Se perdeu Raquel e Walewska, destaques do time, contratou a
levantadora Fofão e a oposto Elisângela, de volta ao Paraná depois de
duas temporadas no Minas. Do Minas também chegaram a central Marina e a
líbero Ana Volponi. Outra ex-jogadora que voltou à equipe foi a
experiente ponteira Estefânia, que estava no Macaé.
O Açúcar União/São Caetano, novamente com Willian no comando, perdeu
Marcelle e Renatinha. Mas contratou a central Walewska, a experiente
levantadora Estela e a oposto Rô. De volta à Superliga, o Brasil Telecom/Força
Olímpica também investiu. Contratou a oposto Leila, de volta às quadras
depois de duas temporadas no vôlei de praia. Com ela chegaram a líbero
Ricarda, bronze em Sydney, e a levantadora Fabiana Berto. Outros
destaques do time foram as pontas Edil, que estava no voleibol italiano
há anos, e a Argentina Lali, titular da seleção de seu pais.
O time de Suzano, debutante em Superligas, usou a base do Cadsfot/São
José, como a levantadora Cíntia, a central Mariellen, a líbero Evelyn e
o técnico Hairton Cabral. O outro debutante, o Sesi/Uberlândia, foi
comandado por Percy Oncken, campeão mundial com a seleção masculina
infanto juvenil, trouxe como destaques a oposto Regiane, campeã mundial
juvenil em 2005, e a levantadora Luísa.
O Pinheiros, disposto a apagar a péssima atuação na Superliga anterior,
também reforçou o time. Do Rexona chegou a levantadora Fernandinha,
egressa das categorias de base do time, e curada da pancreatite que a
tirou de boa parte da Superliga anterior, e a central Flávia Assis.
Saíram do time as centrais Renata Lúcia e Sabrina, as ponteiras Ana
Paula e Ciça e a oposto Luciana Adorno, dando espaço para jogadoras da
base, como as campeãs mundiais juvenis Elymara e Mari Helen, além da
líbero Michelle. Mudanças também na comissão técnica: saiu o experiente
Ari Rabello e assumiu seu auxiliar, Cláudio Pinheiro. O Macaé também
mudou seu time: saíram as experientes Carol e Estefânia, mas foram
contratadas as ponteiras Danúbia, campeã pelo BCN, e Ana Paula, do
Pinheiros, as centrais Juciely, do Minas, e Giovanna, de Campos. O time
do norte-fluminense chegou à Superliga credenciado pelo vice-campeonato
da Supercopa, disputada semanas antes, tendo eliminado o Rexona na
semifinal.
Apesar do aparente equilíbrio, a Superliga 03/04 novamente se mostrou
polarizada entre Finasa e MRV/Minas, os finalistas das duas últimas
edições, e que conseguiram as melhores campanhas da primeira fase. O Finasa, apesar de ter perdido a oposto Bia, que se contundiu numa
partida da Copa do Mundo de 2003 contra a República Dominicana, viu
surgir uma jogadora excepcional, a fria Mari, que surpreendentemente
tomou conta da posição e terminou a Superliga como destaque. O time foi
homogêneo em toda a fase regular da competição, tanto que, ao final
desta, estava invicto, perdendo apenas 9 sets em 18 jogos disputados. E
ainda perdeu, na sexta rodada do returno, uma de suas principais
jogadoras, a ponta Paula Pequeno, que rompeu os ligamentos cruzado
anterior e colateral medial do joelho esquerdo, no jogo contra o Brasil
Telecom. Mas pode contar com Bia, já recuperada, e o time não sentiu a
perda da valente atacante.
O Minas teve uma temporada conturbada. Até a quarta rodada do returno, o
time tinha apenas uma derrota na competição, para o Finasa, apesar dos
vários problemas de lesão que o time sofreu na temporada, principalmente
com Gisele e Raquel. Mas à partir da derrota para o União/São Caetano,
as coisas começaram a desandar. O time perdeu mais três vezes, todas em
casa, para Pinheiros, Finasa e Sesi, o que custou o emprego do técnico
Antônio Rizola, apesar do time manter a segunda colocação geral na fase
regular. Para o seu lugar, foi contratado o experiente Chico dos Santos,
auxiliar de Bernardinho na seleção masculina.
A briga pelo terceiro lugar na tabela foi acirrada. São Caetano, Rexona
e Campos lutaram até o final, mas o time do interior de São Paulo levou
a melhor, com 12 vitórias. Em quarto veio o time do Paraná, com 11,
seguido por Campos, com 10. Logo a seguir, em sexto, veio o Pinheiros,
com 9 vitórias. O Brasil Telecom ficou em sétimo, com decepcionantes
oito vitórias. E o Macaé, com 4, fechou o grupo dos classificados para
as quartas-de-final, deixando pra trás o Suzano, com 3 vitórias.
Nas estatísticas individuais, a oposto de Campos Renatinha Colombo
terminou a fase regular como maior pontuadora, com 284 pontos, seguida
por Rô, do São Caetano (268) e Regiane, do Sesi (265). A central do
Pinheiros era a melhor atacante, seguida pela americana Keba Phipps.
Juciely, do Macaé, era a melhor bloqueadora, seja em números absolutos
quanto em aproveitamento. Do Macaé também vinha a melhor sacadora até
então, Danúbia. Fernanda Venturini reinava soberana como melhor
levantadora, enquanto a oposto Kika, do Pinheiros, era a melhor
defensora (e segundo melhor passe). Verê era a melhor passadora até
então. Nas estatísticas por equipes, amplo domínio do Finasa: primeiro
em ataque, defesa, levantamento e passe, e segundo em bloqueio (atrás do
Macaé). Pecava apenas no saque (o Sesi vinha na frente).
Nas quartas-de-final, o Finasa quase perde sua invencibilidade. Estava
perdendo o primeiro jogo da série contra o Macaé por 2x1, mas conseguiu
reagir e fechou por 3x2, mesmo jogando em casa. O bloqueio do Macaé, com
16 pontos (7 de Juciely) foi o destaque do jogo. A maior pontuadora da
partida foi Mari, com 26 acertos (10 somente no quarto set), seguida por
Ana Paula, do Macaé, com 23. No segundo jogo, em Macaé, apesar de alguma
dificuldade, o Finasa venceu por 3x0 e se classificou para as
semifinais. Bia foi a maior pontuadora do jogo, com 20 pontos.
No duelo entre segundo e sétimo colocados, o Minas também fechou por 2x0
a série. Em Brasília, venceu por 3x0, na estréia do técnico Chico dos
Santos, que logo em seu primeiro jogo promoveu a oposto Sheilla para o
time titular. Não por acaso, ela foi o nome da partida, com 19 pontos.
Os 12 pontos de bloqueio (especialidade do treinador) também foram
fundamentais para a vitória. No jogo, de volta, em casa, o time mineiro
teve mais dificuldades (assim como o Finasa), mas também venceu, desta
vez por 3x2, num jogo de muitos erros, mas que novamente o bloqueio do
Minas foi preponderante: 15 pontos (8 de Fabiana) contra 7 do Telecom.
Leila foi a maior pontuadora do jogo, com 25 acertos, mas sua luta não
bastou para levar o time à vitória. Apesar de um elenco razoável, o time
não tinha nenhum padrão de jogo, muito pela fragilidade do treinador
Ivan Rogedo.
A série entre Rexona e Campos também foi muito equilibrada. No primeiro
jogo, em Curitiba, o Rexona venceu por 3x2, muito pelos 30 pontos em
erros cedidos pelas campistas. Elisângela e Sassá, com 18 pontos, foram
o destaque do time do técnico Hélio Griner. Por Campos, Soninha, com 19
pontos (3 aces), Fofinha e Renatinha, com 18, foram os principais nomes.
No segundo jogo, em Campos, quando todos pensavam que o time do técnico
Luizomar iria empatar a série, o Rexona desencantou. Fechou por 3x0, num
jogo duro, de parciais equilibradas: o terceiro set terminou em 33x31
para o time do Paraná. Belíssima atuação de Elisângela, com 23 pontos.
Se a oposto do Rexona brilhou, a de Campos, Renatinha, esteve apagada.
Marcou apenas 4 pontos, e no segundo set deixou a quadra, para a entrada
de Jaline. Apenas Fofinha se salvou, com 14 pontos. Apesar da vitória, o
bloqueio do Rexona praticamente inexistiu, com apenas 3 acertos. Mas o
time estava nas semifinais, etapa que nunca deixou de chegar desde a sua
estréia em Superligas, na temporada 97/98. O time de Campos, que havia
chegado lá nas duas últimas temporadas, desta vez sucumbiu.
A série mais equilibrada e surpreendente foi a entre São Caetano e
Pinheiros. O time do ABC encontrou dificuldades, mas venceu o primeiro
jogo, no Henrique Villaboim, por 3x2. Capitaneadas por Rô e Walewska,
com 23 e 21 pontos, respectivamente, o time chegou a vitória em muito
pelo seu forte bloqueio, que marcou 15 pontos no jogo. O volume de jogo
do Pinheiros e a bela atuação da ponta Denise (19 pontos), além dos 7
pontos de saque (3 da levantadora Fernandinha) fizeram com que o
Pinheiros levasse o jogo para o tié-break. No segundo jogo, no ABC, o
Pinheiros surpreendeu. Numa belíssima atuação da ponteira Elymara, de
apenas 1,73m, que anotou 27 pontos, o time venceu por 3x1, levando a
série para o terceiro jogo. O mais curioso é que os papéis se inverteram
nesta partida. O São Caetano defendeu mais, enquanto o bloqueio e o
ataque do Pinheiros foram superiores. Além disso, a bela distribuição de
jogo da levantadora Fernandinha foi fundamental para a vitória do time
da capital. No terceiro jogo, mais um 3x1. E de novo para o Pinheiros.
Apesar de ter perdido o primeiro set, o time não abaixou a cabeça e
passeou no restante da partida. O São Caetano esteve irreconhecível, com
muitas falhas de passe, principalmente da inexperiente líbero Stephany
(filha do técnico Willian). Somente Walewska conseguiu mostrar serviço,
com 14 pontos. Pelo Pinheiros, mais uma vez o destaque foi Elymara, com
21 pontos. O Pinheiros chegava às semifinais, posição que não alcançava
desde a temporada 99/00. Assim, estavam definidas as semifinais: Finasa
vs. Rexona e MRV/Minas vs. Pinheiros.
Na semifinal, o Finasa perdeu sua invencibilidade (20 partidas sem
perder) logo no primeiro jogo. Pra surpresa de muita gente, o Rexona foi
à Osasco e venceu o então bicho-papão da Superliga por 3x1. O técnico
Hélio Griner surpreendeu ao escalar Edna e Vivi no meio da rede,
barrando as então titulares Marina e Cláudia, e deu certo. Elas marcaram
14 e 11 pontos, respectivamente, apesar do baixo rendimento do time no
bloqueio. Elisângela foi a maior pontuadora do Rexona, com 16 acertos,
ficando atrás de Bia e Mari, do Finasa, com 21 e 18. A melhor jogadora
em quadra foi Fofão, que distribuiu o jogo de forma brilhante, deixando
louco o bloqueio do adversário. No segundo jogo, em Curitiba, o Finasa
voltou aos trilhos. Venceu rapidamente por 3x0 e empatou a série. Desta
vez, Fofão não foi suficiente para fazer o time jogar, e Elisângela,
sozinha, não foi capaz de fazer frente ao esquadrão paulista, apesar de
seus 16 pontos. Bia foi a maior pontuadora, com 17, e Fernanda foi a
melhor jogadora da partida. No terceiro jogo, em Osasco, novamente o
Finasa sobrou em quadra. Impôs um novo 3x0 ao Rexona, em apenas uma hora
e cinco minutos de jogo. O Rexona esteve irreconhecível, a começar por
sua matadora, Elisângela, que em dois sets não marcou nem um mísero
ponto. Muito pelo bloqueio do Finasa, intransponível, responsável por 13
pontos na partida. A defesa do time paulista também esteve impecável,
principalmente com Verê, e nos contra-ataques, Mari (e seus 16 pontos)
demoliu o Rexona. O Finasa estava a uma vitória da final, e jogaria no
Tarumã, onde já havia vencido seu adversário duas vezes na Superliga.
Mas desta vez, a história foi diferente. O Rexona, disposto a chegar
novamente à final depois de 4 anos, não deu chances ao Finasa. Venceu
por 3x0, num jogo rápido, e levou a disputa pro quinto jogo. Sassá foi o
grande destaque do time paranaense, com 17 pontos, seguida por Lili, com
15. Pelo Finasa, Mari fez 12, num jogo em que pouca coisa deu certo para
o time do técnico Zé Roberto. Nem o ataque e nem a defesa, destaques do
time, funcionaram. E com um Rexona defendendo tudo e não desperdiçando
contra-ataques, não havia como vencer, nem com o técnico usando
praticamente todo o seu banco de reservas. Este jogo marcou
especialmente a levantadora Fofão: ela completou 250 partidas em
Superligas, um recorde. O quinto jogo começou tenso para a torcida de
Osasco, com o Rexona vencendo o primeiro set, 25x21. No segundo, o
Finasa reagiu. Abriu uma grande vantagem, 18x13, mas o Rexona encostou,
19x18. Mas com uma boa distribuição de Fernanda, o time de Osasco se
reencontrou e venceu por 25x22. O time do Paraná sentiu a derrota no
segundo set e parou em quadra. As atacantes de extrema não viravam nada,
facilitando o trabalho do Finasa, que venceu facilmente por 25x13. Neste
set, o Rexona marcou apenas sete pontos de ataque. Destes, 6 ficaram por
conta das centrais Marina e Vivi, com 3 cada. O equilíbrio voltou no
quarto set. Os times seguiram empatados até o final, mas com um erro de
ataque de Elisângela, o Finasa venceu por 26x24, fechou o jogo por 3x1 e
chegou à sua terceira final consecutiva. O nome do jogo foi Mari, com 25
pontos (sete no set final). Pelo Rexona, Lili, Vivi e Marina anotaram
14, cada.
A outra semifinal foi mais tranqüila. Abusando dos saques curtos, para
diminuir a velocidade do jogo da levantadora Fernandinha, o Minas não
encontrou muitas dificuldades para vencer por 3x1, num jogo em que seu
bloqueio esteve muito bem, marcando 15 pontos (5 com Flúvia). A
impaciência de Fernandinha era tal que ela atacou várias bolas de
segunda, anotando sete pontos. A maior pontuadora da partida foi Sheilla,
com 19 pontos. Pelo Pinheiros, o destaque foi Elymara, com 15. Neste
jogo, Virna recebeu uma placa por ter ultrapassado a marca de 2500
pontos em Superligas. O segundo jogo, em São Paulo, foi o mais
equilibrado da série. A tática de saque do Minas não surtiu efeito como
no primeiro jogo, e Fernandinha jogou mais solta. E com ela mais solta,
a distribuição de jogo do Pinheiros foi excelente, dificultando o
trabalho do alto bloqueio do Minas, que pouco funcionou na partida. Além
disso, a americana Keba não se apresentou bem, deixando a quadra no
segundo set para a entrada de Raquel. E funcionou. O time, que perdia
por 2x0, ganhou os dois sets seguintes com facilidade, reagiu. No
terceiro set, Raquel foi o destaque, com sete pontos somente nesta
parcial. No quarto set, o bloqueio do Pinheiros se preocupou com ela,
deixando com que Virna e Sheilla fossem as principais atacantes do time
de Minas. No quinto set, os erros do MRV foram cruciais. Enquanto o
Pinheiros cedeu apenas um ponto, o time de BH cedeu 6. Além disso, o
Minas não soube fechar o jogo. Vencia o tié-break por 14x12, mas
permitiu a reação do time paulista, que virou para 15x14 e fechou a
partida num erro de ataque de Raquel. A maior pontuadora do jogo foi a
central Flávia, e a melhor em quadra foi a levantadora Fernandinha,
impecável na distribuição, forçando bem o saque e defendendo bem. No
terceiro jogo, o Minas começou arrasador. Abriu 8x1 no primeiro set,
manteve a diferença no segundo tempo técnico, 16x3, e fechou a parcial
em 25x11. No segundo set, o Pinheiros voltou melhor e chegou a abrir
8x5. O Minas reagia, mas o Pinheiros seguia na frente, 16x15. Mas numa
seqüência de bloqueios, o Minas virou o jogo e, num erro de saque do
Pinheiros, fechou o set em 25x22. O terceiro set começou parecido com o
segundo, com o Pinheiros abrindo 6x3. Mas o Minas reagiu, e com dois
ataques de Gisele, virou para 8x7. Daí em diante, o Minas deslanchou.
Abriu uma boa vantagem, 16x11, e contando com a presença do seu forte
bloqueio (15 pontos em todo o jogo), fechou o set em 25x19 e o jogo em
3x0. Estava a uma vitória de sua terceira final consecutiva. A maior
pontuadora da partida foi Sheilla, com 17 pontos, e a americana Keba,
responsável pelas bolas de maior dificuldade, foi a melhor em quadra. O
quarto jogo, novamente em São Paulo, seria o tudo ou nada para o
Pinheiros, ansioso para chegar à final pela primeira vez em sua
história. Mas esta ansiedade, além de vários problemas de contusão na
equipe (Fernandinha, Flávia e Elymara não estavam 100%) impediram isso.
Com um jogo agressivo desde o começo da partida, o volume de jogo do
Pinheiros só funcionou no terceiro set. Keba foi a maior pontuadora do
jogo, com 15 pontos, e Virna foi escolhida a melhor em quadra. Apesar da
derrota, o Pinheiros se mostrou um time valente e brigador. Mais baixo e
mais inexperiente, em relação ao adversário, não abaixou a cabeça e saiu
da Superliga com moral elevada. O volume de jogo do Pinheiros em muito
lembrou as equipes orientais. O time do técnico Cláudio Pinheiro, que
joga com uma formação parecida com a russa (onde a oposto é responsável
pelo passe, atacando somente bolas mais rápidas) deixou uma bela
impressão na temporada: além do quarto lugar na Superliga, havia vencido
o Salonpas Cup e ficado em terceiro lugar no Paulista.
A final, entre Minas e Finasa, era a terceira seguida entre os times. Um
verdadeiro tira-teima entre os times, cada um campeão uma vez. Se do
lado do Finasa a ponteira Érika queria buscar o título que perdera com a
camisa do Minas, Virna e Arlene, agora em BH, queriam mostrar que, sem
elas, o Finasa não era a mesma equipe.
O Finasa saiu na frente. Venceu o primeiro jogo, em casa, por 3x1
(25x18, 25x20, 18x25 e 25x21), num jogo em que o Minas mais uma vez se
mostrou impotente face ao maior adversário. Sem contar com a levantadora
Gisele, contundida, o time do técnico Chico dos Santos não falhou
taticamente, mas os erros individuais das jogadoras culminaram na
derrota. O Finasa, mesmo cansado, depois da exaustiva semifinal contra o
Rexona, impôs seu jogo e perdeu o terceiro set mais por desconcentração
que por qualquer outro motivo. O saque do Finasa entrou o tempo todo, e
se o Minas pontuou mais nos fundamentos, abusou dos erros. Foram 31
pontos dados de graça, contra 15 das adversárias. Virna esteve
irreconhecível no ataque (apesar de pontuar bem no bloqueio), e nem a
entrada de Raquel, no quarto set, mudou o rumo do jogo. A maior
pontuadora da partida foi a oposto Mari, com 19 pontos. Pelo Minas, Keba
e Sheilla anotaram 18, cada. Fernanda Venturini foi escolhida a melhor
em quadra.
No segundo jogo, o Minas entrou em quadra determinado a vencer o Finasa.
Já eram seis jogos seguidos (contando as finais do ano anterior) sem
vitória. Com a Arena JK lotada, o time assustou sua torcida. No primeiro
set, o Finasa esteve na frente até o final, com o placar sempre
apertado. Mas no final o Minas virou, graças aos bons saques da ponteira
Flavinha, e fechou o set em 25x21. No segundo set, o Minas continuou
melhor. O passe do Finasa não funcionava e Mari não repetia atuações
passadas. O time mineiro chegou a abrir 8x4, 11x5, mas deixou o Finasa
encostar. No segundo tempo técnico, o placar apontava 16x14 para o
Minas. O Finasa chegou a empatar o jogo em 24x24 mas, num erro de ataque
de Mari, o Minas fechou o set: 26x24. Aí começou a aflição da torcida
mineira. O Minas, ansioso para fechar a partida, abusou dos erros. O
esquema de bloqueio-defesa, planejado pelo técnico Chico dos Santos,
parou de funcionar, facilitando a vida das atacantes do Finasa, que
fechou os sets 3 e 4 em 25x21 e 25x19, empatando o jogo. O tié-break foi
eletrizante. O Minas, comandado por Keba, e o Finasa, comandando por
Mari e Érika, se alternaram no placar até a metade da parcial. Mas o
Minas voltou a forçar o saque, e fechou o set em 15x10, ganhando o jogo
por 3x2. O grande nome da partida foi a americana Keba, com 33 pontos.
Pelo Finasa, Bia marcou 26 e Mari, 23. A melhor do jogo foi a jovem
levantadora Fabíola (que novamente substituiu Gisele, contundida),
campeã mundial juvenil em 2001, que recebeu o troféu em prantos.
O terceiro jogo também foi emocionante. Com um Ibirapuera bem cheio,
mesmo antes da bola subir todos puderam notar o clima de guerra da
final. Os técnicos Zé Roberto e Chico dos Santos discutiram asperamente
durante o aquecimento de rede, tendo que ser contidos e advertidos pelo
árbitro Silvio Silveira. O Finasa venceu por 3x0 (25x23, 27x25 e 28x26),
mas pelas parciais nota-se a dificuldade da partida. O time do Minas
lutou muito, encostava no placar, virava, mas não conseguia abrir
vantagem, dando chances para o Finasa reagir. Os times erraram na mesma
medida, mas o Minas errou nos momentos cruciais do set. Além disso, o
bloqueio não funcionou, muito pela excelente distribuição da levantadora
Fernanda, que sempre deixava suas atacantes com várias opções. A maior
pontuadora da partida foi Mari, com 23 pontos (4 de saque). Bia, com 12,
foi escolhida a melhor em quadra. Pelo Minas, o destaque foi a
experiente Virna, com 16 acertos. O Finasa ficou a uma vitória do
título, e decidiria novamente no Mineirinho, onde havia sido campeão na
temporada anterior. As jogadoras do Minas saíram da quadra convocando
sua fanática torcida para lotarem o ginásio da Pampulha, para empurrar o
time.
Mas a torcida não compareceu. Com um Mineirinho vazio, apesar dos oito
mil torcedores presentes, o Finasa não se sentiu acuado em nenhum
momento, pelo contrário. Entrou arrasador em quadra. Nem o fato de poder
contar com sua levantadora titular, Gisele, ajudou o Minas a reverter
algo que, no fundo, parecia impossível. Se o Minas tinha jogadoras mais
experientes, mais rodadas, no Finasa o que se via era a força de um
conjunto, de um time que esteve junto por muito tempo. O saque do Minas
não funcionou e, com o passe nas mãos, Fernanda mais uma vez mostrou
porque é uma das melhores levantadoras do mundo: abusou das bolas
rápidas, principalmente com Mari, que ignorou o bloqueio adversário. O
Finasa fechou os dois primeiros sets em 25x17 e 25x18. No terceiro, o
Finasa relaxou, o passe deixou de entrar e o Minas reagiu, vencendo por
25x18. Mas as broncas do técnico Zé Roberto surtiram efeito, e o Finasa
voltou demolidor no quarto set. Quando o Minas esboçava qualquer tipo de
reação, o time não deixava por menos e mantinha a vantagem de 3, 4
pontos. E no final, fechou o set com 25x20 no placar. Ganhou o jogo por
3x1 e fechou a série por 3x1, sagrando-se bicampeão da Superliga.
O título foi justo com uma equipe que perdeu apenas 3 jogos em todo o
campeonato e, mesmo com os problemas de contusão, não se abalou. A
melhor equipe foi campeã, e a superioridade se evidenciou na hora da
premiação das melhores da Superliga:
MVP: Fernanda Venturini
Maior Pontuadora – Mari (472 pontos, 398 de ataque, 54 de bloqueio
e 20 de saque)
Melhor Atacante: Mari
Melhor bloqueadora: Valeskinha
Melhor sacadora: Danúbia (Macaé)
Melhor levantadora: Fernanda Venturini
Melhor defensora: Arlene
Melhor passadora: Verê
Melhor líbero: Verê
Melhor Técnico: Zé Roberto
Atleta Revelação: Mari
Melhor árbitro: Sérgio Cantini (RJ)
Ressalte-se, porém, que a melhor atacante da Superliga, pelas
estatísticas, foi a central Katchú, do Pinheiros. Valeskinha foi a
melhor bloqueadora em números absolutos, mas em aproveitamento Juciely,
do Macaé, foi a melhor. O melhor aproveitamento no saque foi da central
do Suzano, Mariellen. Na defesa, Arlene sequer aparecia entre as 10
melhores, ao final da Superliga. A primeira era a oposto Elisângela, do
Rexona.
As campeãs:
01. Juliana Costa
02. Lígia
03. Bia
04. Paula Pequeno
05. Dani Lins
06. Ana Cristina
07. Mari
08. Valeskinha
09. Verê
10. Nikolle
11. Luciana Adorno
12. Jaqueline
13. Raquele
14. Fernanda Venturini
15. Adenízia
16. Érika
17. Dani Vieira
18. Gabi Morelli
Técnico: Zé Roberto Guimarães
Auxiliar-Técnico: Paulo Côco