A Superliga 95/96 começou com poucas mudanças no campeão,
Leite Moça, mas algumas reviravoltas nas demais equipes.
A principal baixa veio de Belo Horizonte: o Minas perdeu
o patrocínio da L’acqua di Fiori e, com isso, viu uma verdadeira
debandada de atletas. Ficaram apenas algumas juvenis no time, que contou
com o patrocínio do Banco Bandeirantes. Destaque para a levantadora
Marcelle e para as pontas Marianna Cenni e Kely Kolasco.
O BCN, vice-campeão, reforçou muito bem seu elenco. Do
Minas, trouxe Leila e Hilma, além de repatriar Ida, depois de uma
temporada no Ito Yocado, do Japão. Além disso, manteve Ana Flávia e
Fernanda Doval, destaques do time na temporada anterior, além da
levantadora peruana Rosa Garcia.
Outro patrocinador que deixou o vôlei foi a Nossa Caixa,
que deixou o time de Ribeirão Preto. Mas o time do técnico Chico dos
Santos logo fechou com a Transmontano, e também se reforçou. Trouxe
Fofão, do Cepacol, Kerly, do Leite Moça, e duas veteranas: Eliana
Oliveira, a Lica, que estava no Minas, e Vera Mossa, depois de várias
temporadas na Itália. Ana Maria Volponi também fazia parte da equipe.
O Pinheiros também se reforçou. A Tensor aumentou a verba
de patrocínio, o que possibilitou a contratação de Márcia Fu e Filó,
além de Tina e Ana Cláudia, campeãs com o Leite Moça na temporada
anterior. Outra equipe que começou a temporada mais forte foi o Cepacol/São
Caetano: trouxe de volta a ponteira Patrícia Cocco e contratou Ana Paula
Lima, a Popó, que estava no Sollo.
As grandes contratações do Sollo foram a ponteira Virna,
que estava no Minas, e a central Sandra Suruagy, do BCN. E se perdeu
Fofão, trouxe Denise Nicolini, outra vinda do Minas.
A Superliga começou com um amistoso envolvendo as
principais jogadoras participantes na competição. O Leite Moça, atual
campeão, enfrentou a Seleção da Superliga, formada por Fofão, Virna,
Ida, Fernanda Doval, Patrícia Cocco, Fabiana Berto, Analirdes, Marianna
Cenni, Vanessa Lages, Raquel Pelluci (do Botafogo) e Vera Mossa.
Ainda no primeiro turno da competição, no dia 22 de
dezembro, um lance causou comoção em todo o meio do vôlei. Ao subir para
largar uma bola da linha dos três, na partida contra o Transmontano/JC
Amaral, a atacante Ana Moser caiu de mau jeito e sofreu uma forte torção
no seu joelho direito. A princípio não era nada muito grave, como
detectou a radiografia que a atleta fez no próprio ginásio. Mais tarde,
o médico do Leite Moça, Dr. Júlio Gali, percebeu uma folga na
articulação do joelho da atleta. A preocupação foi grande, porque a
atleta já havia operado o joelho em abril de 95. Já em 96, foi detectada
uma lesão aguda no ligamento cruzado anterior, que poderia tirar a
melhor atacante da seleção feminina das Olimpíadas de Atlanta.
No dia 17 de janeiro de 96, Ana Moser foi operada no
Hospital Santa Catarina, pelo cirurgião Gilberto Camanho. Um dia antes,
ela havia feito uma “cirurgia espiritual” com o médium Waldemar Coelho,
por indicação de colegas de quadra, como Virna. A recuperação da atleta
foi um sucesso e ela participou dos Jogos de Atlanta, mas desfalcou o
Leite Moça em toda a Superliga.
Mesmo sem Ana Moser, o Leite Moça seguiu rumo ao
bicampeonato. Terminou o primeiro turno em primeiro lugar, ao vencer o
BCN por 3x0 (15x07, 15x12, 15x11), coroando uma campanha triunfal: nove
vitórias em nove jogos e apenas um set perdido (para o Cepacol/São
Caetano). O BCN ficou em segundo lugar, com sete vitórias, seguido pelo
Transmontano.
Ao final do segundo turno, ficaram definidas as
quartas-de-final. O Leite Moça, invicto, enfrentaria o Banco
Bandeirantes/Minas. Em segundo lugar, o BCN pegaria o Teuto/Vila Rica. O
Transmontano/JC Amaral/Ribeirão Preto, terceiro colocado, jogou contra o
Cepacol/São Caetano. E no duelo entre quarto e quinto colocados, o Sollo/Tietê
enfrentou o Tensor/Pinheiros.
Nas quartas, mesmo sem contar com Fernanda Venturini,
contundida, o Leite Moça não teve dificuldades contra o Minas. Ganhou o
primeiro jogo em casa, por 3x0 (15x09, 15x05, 15x02) e venceu o segundo
da série em apenas 57 minutos: 3x0 (15x07, 15x04, 15x01), em Belo
Horizonte. O Sollo Tietê também confirmou seu favoritismo, vencendo o
Pinheiros por 2 jogos a 0, com 3x1 (15x08, 16x14, 06x15, 15x11) no
primeiro jogo, em Tietê, e 3x0 (15x08, 15x12, 15x13) no segundo, no
ginásio do Pinheiros. Nas outras séries, BCN e Transmontano também
venceram seus adversários por 2 jogos a 0.
Nas semifinais, o Sollo não conseguiu fazer frente ao
Leite Moça. Perdeu os três jogos da série, sem conseguir dificultar a
vida do time de Fernanda, Ana Paula, Denise e cia. Na primeira partida,
3x0 (15x06, 15x07, 15x12), em Sorocaba. No segundo jogo, em Tietê, outro
3x0 (15x13, 15x09, 15x08). Na terceira partida, novamente em Sorocaba, o
Sollo dificultou um pouco mais, mas ainda assim o Leite Moça foi
superior: venceu por 3x1 (15x17, 15x04, 15x13, 15x03), classificando-se
para as finais. No terceiro jogo da série, o Leite Moça entrou em quadra
com Fernanda, Ricarda, Josiane, Denise, Ana Paula e Simone Perereca.
Entraram depois Maria Ângela e Karin. O Sollo, do técnico Cacá Bizzochi,
começou a partida com Andréia Moraes, Sandra, Denise Nicolini, Virna,
Bia e Andréia Teixeira. Também entraram Estela, Shily, Ângela Moraes,
Helena e Fátima.
Na outra série, BCN e Transmontano fizeram um duelo mais
equilibrado. No primeiro jogo o BCN venceu. Ganhou por 3x1 (15x06,
16x17, 15x13, 15x11), em duas horas e 45 minutos de jogo, no ginásio
Guaibê, no litoral paulista. Jogando em casa, o Transmontano devolveu a
derrota e empatou a série. Ganhou o segundo jogo por 3x0 (15x11, 15x12,
15x11), em uma hora e 29 minutos de jogo. De novo no Guarujá, o BCN não
deu chances para o Transmontano: venceu por 3x1 (17x16, 15x17, 15x10,
15x10), para desespero do técnico Chico dos Santos, que reclamou muito
da inconsistência de sua equipe. No quarto jogo, o BCN superou a torcida
de Ribeirão, que lotou o ginásio da Cava do Bosque, e impôs outra
derrota para o Transmontano: novo 3x1 (15x13, 15x09, 07x15, 15x12),
reeditando a final da Superliga 94/95.
Apesar da campanha do Leite Moça, a final tinha tudo para
ser equilibrada. Afinal, o time de Sorocaba não contava com Ana Moser,
sua principal atacante. Mas mesmo sem Ana Moser, o Leite Moça atropelou
o BCN.
No primeiro jogo, 3x0 (16x14, 15x09, 15x09). O primeiro
set foi equilibrado, com os times não conseguindo abrir mais que dois
pontos de diferença, até que o Leite Moça marcou 14x11 no placar. O BCN
conseguiu empatar, mas falhou na hora de virar a partida, permitindo que
o Leite Moça vencesse a primeira parcial, num set que durou 42 minutos.
No segundo set, o BCN parecia abatido, permitindo que as adversárias
abrissem 5x0 e logo fechando o set, em 25 minutos. No terceiro, o time
do Guarujá começou na frente, 4x1, mas permitiu a virada do Leite Moça,
que virou o set e fechou o jogo em 3x0, em uma hora e 31 minutos de
partida.
O BCN não pode contar com Fernanda Doval, que se
recuperava de uma torsão no tornozelo direito. “Faltou um pouco de
determinação defensiva, especialmente no fundo de quadra”, comentou o
técnico do BCN, Cláudio Pinheiro. A jogadora Ida, a mais experiente do
BCN, ficou aborrecida pela derrota, mas destacou que “pelo menos
mostramos uma evolução e que podemos também pensar em vitória”. O
técnico vitorioso, Sérgio Negrão, apontou o saque tático e curto do BCN
como o responsável pelo susto no início do confronto. “Com o saque, o
BCN tentou anular a velocidade do meu time. Ajustamos a recepção e
reagimos. Depois, colocamos bem o saque e com o bloqueio bem
posicionado, avançamos para a vitória. Mas só conseguimos reverter a
situação e vencer o primeiro set graças à capacidade de assimilação e
versatilidade de nossas jogadoras”, disse.
O Leite Moça começou o jogo com Fernanda, Ricarda,
Denise, Karin, Ana Paula e Simone Perereca. Entraram depois Andréia
Marras, Josiane e Mariângela. O BCN começou com Kika, Ida, Leila, Hilma,
Ana Flávia e Kátia.Entraram depois Rosa Garcia e Arlene.
O BCN estava nervoso para o segundo jogo. Eram 14 jogos
sem vencer o principal rival. “Temos que entrar com mais determinação,
acreditando no nosso trabalho. A derrota no primeiro jogo não pode
influenciar nossa equipe”, comentou o técnico Claudinho Pinheiro. Para a
capitã Ana Flávia, o time estava apto a reverter a situação: “Podemos
nos superar, quebrar a invencibilidade do Leite Moça e ganhar moral”.
Mas nem a atitude do BCN, de abrir os portões do Ginásio Guaibê, pode
fazer frente ao Leite Moça. Apesar de ter entrado em quadra
desconcentrado, virou a partida e venceu o segundo jogo da final por 3x2
(10x15, 15x17, 15x06, 15x11, 19x17), ficando a uma vitória do
bicampeonato. O técnico Sérgio Negrão comentou a partida: “Esperávamos
definir o título em casa, mas não apenas em três jogos. Se temos esta
chance, entraremos em quadra com esse objetivo”.
A dificuldade no segundo jogo fez com que o Leite Moça se
preparasse muito bem para o jogo que poderia ser decisivo. O técnico
Sérgio Negrão, durante a semana que antecedeu a partida, comentou:
“Estamos mais próximos do título que o BCN. Mas o time deles mostrou que
tem condições de vencer neste playoff. Todo cuidado é pouco”. Para a
levantadora Fernanda Venturini, o jogo seria cercado de nervosismo.
“Elas não vão desistir fácil. O primeiro set vai ser essencial para
definir os rumos da partida. Nosso time tem muita garra e união. Não nos
consideramos imbatíveis. Apenas lutamos desde o início para sermos
campeãs”.
Este empenho foi fundamental no jogo final, no ginásio
municipal de Sorocaba. O Leite Moça venceu o BCN por 3x0 (15x10, 15x09,
15x09) e conquistou o título. A equipe do técnico Sérgio Negrão coroou o
bicampeonato sem ter sofrido nenhuma derrota no torneio. Com a vitória
no jogo final, somou seu 26º triunfo na competição, e o 16º seguido
contra o BCN, que não conseguia vencer o adversário há um ano.
“Entramos concentrados e determinados a não deixar o
título escapar. Queríamos fazer a festa em casa”, disse o técnico Sérgio
Negrão, em meio às comemorações. “A filosofia foi ter sempre um time
vencedor, capaz de brigar pelos títulos em todas as competições”,
completou. As jogadoras e a comissão técnica do Leite Moça dedicaram o
título à atacante Ana Moser, que ficou durante todo o jogo final no
banco de reservas para dar, como ela mesmo disse antes do jogo, “um
apoio psicológico” para o time.
A campanha do Leite Moça foi irrepreensível, e até hoje
não foi superada por nenhuma equipe. Foram 26 jogos, 26 vitórias, 78
sets vencidos e apenas 9 perdidos. Destaque para o ataque do time, que
teve um percentual de 78,5% de aproveitamento durante toda a Superliga.
Ao final, Fernanda Venturini foi novamente escolhida como melhor
jogadora e melhor levantadora da Superliga. Ana Flávia foi a melhor
bloqueadora e Rosângela foi a revelação do torneio. Márcia Fu, Virna e
Sandra também foram premiadas.
O Sollo/Tietê venceu um quadrangular contra Cepacol,
Pinheiros e Transmontano e ficou com o terceiro lugar. Na partida final,
bateu o Cepacol por 3x0 (15x13, 15x05, 15x09).
Depois do título, enfim o Leite Moça perdeu sua
invencibilidade. Perdeu o jogo amistoso contra a seleção da Superliga
por 3x1 (06x15, 15x04, 17x15, 15x05), o que em nada manchou sua gloriosa
campanha.
As Campeãs
Andréia Marras
Ana Moser
Ana Paula Connelly
Karin Rodrigues
Denise Souza
Ricarda Lima
Josiane Grunewald
Simone Fagundes - Perereca
Mariângela Alves Sabino
Fernanda Venturini
Mirian Volkweis
Edna Veiga
Susy Garbelotti
Luciana Pietro
Thays Sierra
Técnico: Sérgio Negrão
Auxiliar: Índio
|
EQUIPES |
|
LEITE MOÇA |
BCN/GUARUJÁ |
SOLLO/TIETÊ |
|
Ana Beatriz
Moser |
Rosa Garcia |
Denise
Nicolini |
|
Andréia
Marras |
Fernanda
Doval |
Virna Dias |
|
Ana Paula
Rodrigues Connelly |
Hilma
Caldeira |
Sandra
Suruagy |
|
Karin
Rodrigues |
Leila Barros |
Ângela
Moraes |
|
Denise Souza |
Ana Flávia
Sanglard |
Maria Estela |
|
Fernanda
Venturini |
Ana Álvares
– Ida |
Andréia de
Moraes |
|
Ricarda Lima |
Kátia
Caldeira |
Shily Galvão |
|
Josiane
Grunewald |
Sabrina Bado
– Kika |
Ana Beatriz
das Chagas – Bia |
|
Simone
Fagundes - Perereca |
Arlene
Xavier |
Fátima
Santos |
|
Mirian
Volkweis |
Michele
Behling |
Juliana
Leite |
|
Edna Veiga |
Roseli Melo |
Helena
Vercelino |
|
Mariângela
Alves Sabino |
Letícia
Fonseca |
Andréia
Teixeira |
|
Técnico:
Sérgio Negrão |
Técnico:
Cláudio Pinheiro |
Técnico:
Cacá Bizzochi |
|
Auxiliar:
Índio |
|
Auxiliar:
Airton Nascimento |
|
|
|
|
|
CEPACOL |
TRANSMONTANO |
TENSOR/PINHEIROS |
|
Simone
Rivera |
Hélia Souza
– Fofão |
Márcia Fu |
|
Maria
Fernanda Mascigrande |
Eliane
Oliveira – Lica |
Ericléia
Bodziak – Filó |
|
Alessandra
Oliveira |
Kerly Paiva
dos Santos |
Ana Cláudia
Ramos |
|
Patrícia
Cocco |
Rosângela
Nascimento |
Valeskinha
Menezes |
|
Tatiana
Rodrigues |
Vera Mossa
|
Cristina
Lopes – Tina |
|
Ana Paula
Lima – Popó |
Estefânia de
Souza |
Fabiana
Berto |
|
Cilene Rocha |
Ana Lúcia
Bombom |
Carolina
Albuquerque |
|
Luciana
Marques |
Márcia
Begiato |
Priscila Pal |
|
Renata Dias |
Gisele
Florentino |
Cássia
Weibel |
|
Letícia
Reis - Leca |
Ana Maria
Volponi |
Adriane
Fuchs |
|
Sílvia
Oliveira |
Rafaela
Félix |
Renata Paiva |
|
Luciana La
Plata |
Daniela
Fernandes |
Janaína
Miranda |
|
Técnico:
Willian Carvalho |
Técnico:
Chico dos Santos |
Técnico:
Ariovaldo Rabello |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
TEUTO/VILA RICA |
MINAS |
BOTAFOGO |
|
Analirdes
Santana |
Roberta
Vieira |
Renata
Pedreira |
|
Luciana Sá |
Verônica
Silva |
Juliana Lima |
|
Rísia
Vicentini |
Isabela
Lopes |
Janina
Conceição |
|
Marcela
Almeida |
Cristiane
Carvalho |
Karla
Ribeiro |
|
Eleonora
Fontanella |
Walewska
Oliveira |
Ana Paula
Platz |
|
Lenice Papi |
Cristiana
Souza |
Ana Richa |
|
Cristiana
Guimarães |
Fabiana
Ranciscani |
Vanessa
Valansi |
|
Juliana
Baldissera |
Sabrina
Vasconcelos |
Carol
Bozikis |
|
Andressa
Lyra |
Marianna
Cenni |
Raquel
Peluci |
|
Ângela
Bernardes |
Marcelle
Rodrigues |
Mayra Pedro |
|
Fabíola
Neves |
Paula
Carvalho |
Daniela
Santos |
|
Maria
Cristina Crisbach |
Kely Kolasco |
Eloísa
Schlickmann |
|
Técnico:
Wadson Lima |
Técnico:
Luís Eduardo |
Técnico:
Marcelo Diniz |
|
|
|
|
|
DATASUL/ICATU |
|
|
|
Olga Vantini |
|
|
|
Patrícia
Bernardo |
|
|
|
Claudenice
Silva – Neneca |
|
|
|
Soraia de
Paula |
|
|
|
Vanderléa
Bogalho – Deca |
|
|
|
Marli Roza |
|
|
|
Maiana
Sphanes |
|
|
|
Marcia Alves |
|
|
|
Silvia Lopes |
|
|
|
Maria Inácia
Cupertino – Ina |
|
|
|
Sandra
Imeida |
|
|
|
Técnico:
Luís Lima |
|
|