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Friday 4 December 2020
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Sincera, Ana Tiemi fala em “perda de confiança” e escolhe Bursa para recuperação

Foto: Divulgação.

Levantadora renovou contrato na Turquia e ainda sonha com seleção. Franca, admitiu que não esperava ser convocada nesta semana

Depois de sua chegada, a equipe teve uma ascensão meteórica: de lanterna do Campeonato Turco, à quinta posição na tabela, inclusive com o direito a jogar partidas equilibradas com os grandes do país. Coincidência ou não, assim que a levantadora brasileira Ana Tiemi caiu de paraquedas em Bursa, para defender a desconhecida equipe da cidade, o time deslanchou e virou a sensação da competição.

Semana passada, Tiemi e companhia, no entanto, foram eliminadas da competição nas quartas de final pelo Fenerbahce, da sul-coreana Kim Yeon-Koung e da levantadora norte-americana Lindsey Berg. A eliminação anunciada, no entanto, não era uma má notícia para a brasileira, que durante a fase eliminatória renovou seu vínculo com o clube turco.

Do desespero à redenção

O fim do Vôlei Futuro deixou muitas atletas aflitas com o futuro, dentre elas Ana Tiemi. Junto com Carol Gattaz, às vésperas do início da temporada de clubes, elas foram contratadas pelo no azeri Igtisadchi. As duas, no entanto, mal foram apresentadas e já foram dispensadas sem muitas explicações. À levantadora, teria sido dito que seu estilo não se encaixava muito com o das tailandesas que compunham a base do time. Sem muitas opções, a mato-grossense de Nova Mutum acabou aterrissando em Bursa.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que a levantadora concedeu para o Melhor do Vôlei.

Você chegou na Turquia com o time na lanterna do campeonato nacional e terminou a temporada na quinta colocação, logo atrás dos grandes da Turquia (Vakifbank, Eczacibasi, Galatasaray e Fenerbahce). Como você foi recebida no time e a que você deve essa recuperação?

O time me recebeu super bem, mas pra mim foi um pouco difícil no começo porque eu não escolhi jogar em Bursa, e sim que Bursa era a minha única opção naquele momento. E com a minha chegada, uma outra estrangeira* que estava aqui teve que ser dispensada, e isso foi bem esquisito pra mim. Mas logo me adaptei, as meninas me ajudaram bastante. Quando eu vim, o time já tinha feito três ou quatro jogos e não tinha conquistado nenhuma vitória. Mas logo nos recuperamos, a torcida começou a comparecer e patrocinadores começaram a chegar. Não foi fácil ajudar o time no início, porque tinha algumas jogadoras muito limitadas e muito novas, mas que com o tempo fomos passando confiança, ajudando e tranquilizando, e quando vimos começamos a ganhar todos os jogos e a maioria por 3 a 0, o que nos ajudou na pontuação. E quando vimos que tínhamos chances de ficar entre os cinco e conseguir a classificação para uma Copa Europeia, jogamos melhor ainda. Mas cada jogo era um desafio muito grande, foi muito exaustivo.

*A argentina Georgina Pinedo.

Foto: Divulgação.

Nos conte um pouco como é o seu dia a dia na Turquia e o que te motivou a renovar com o Bursa.

Meu dia a dia aqui é bem tranquilo. Treinávamos um dia dois períodos, e no outro só um. Uma vida bem sossegada, Bursa não é muito grande, mas bem aconchegante. Fiz muitas amizades, o pessoal aqui da minha rua sabia que eu era estrangeira, então eles me ajudavam todo momento em supermercado, farmácia, restaurante. Quando eu entrava nesses lugares vinham direto me ajudar a escolher as coisas, o que era bom, o que era ruim, essas coisas que a gente pensa que são coisas bobas, mas que me ajudaram muito e me fizeram me sentir “em casa” e a renovar o contrato. Lógico que não foi só por isso que renovei. O presidente e patrocinador queriam muito que eu e a Mia (Jerkov, ponteira croata) ficássemos. Então, perguntaram o que eles poderiam melhorar e nós pedimos alguns reforços para ter um time mais competitivo, até porque eu tinha outras opções de times mais fortes, mas se Bursa me desse condições de ter um time melhor não via motivos pra sair. Essa simplicidade e essa confiança em mim me ajudaram muito a tomar essa decisão. Creio que aqui é um ótimo lugar pra minha recuperação.

O que você quer dizer com recuperação? O que ficou ao longo do caminho nas últimas temporadas?

Recuperar o tempo que eu fiquei sem jogar. Me encontrar de novo como pessoa, e como jogadora. Ao longo das últimas temporadas, perdi completamente minha confiança…

Por que?

Por ficar um tempo sem jogar, mas eu nunca digo, como muitas pessoas falam, que foi escolha errada, porque agora eu vejo quanta coisa eu vi e aprendi com todos esses anos que agora contribuem muito na minha vida.

Na temporada 2009 de seleções, você fez um belo ano junto com a Dani Lins. Depois, você foi chamada para a Seleção de Novas em duas oportunidades. Agora, em 2013, o Zé Roberto não te convocou nesta primeira chamada. Seleção Brasileira ainda é um objetivo?


Seleção sempre será um objetivo pra mim. O Zé Roberto me conhece, me deu inúmeras oportunidades na seleção que talvez eu não tenha aproveitado da forma que eu, e ele é claro, gostaríamos. Eu vi essa convocação que teve agora, e sinceramente não esperava ser chamada. Não porque estou longe da Superliga, mas sim porque tem levantadoras que merecem mais do que eu no momento, sem demagogias.

A distância da Superliga pode te prejudicar nesse objetivo?

O Zé Roberto já trabalhou na Turquia, acredito que tudo o que acontece aqui ele fica sabendo. Então não é a Superliga ou a Turquia que vão me levar ou não pra seleção. Vou fazer a minha parte, cuidar de mim. Eu quero ser motivo de orgulho para mim mesma, e se ele me der oportunidade de novo, quem sabe eu esteja mais preparada do que das outras vezes.

 




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