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Tuesday 14 July 2020
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Aninha reforça denúncias; Curitiba se posiciona

Foto: Divulgação

Em entrevista a um blog do jornal O Estado de São Paulo, a líbero Aninha, que estava desde 2016 no projeto de Curitiba, fez uma série de denúncias ao clube, que vão desde atrasos salariais, falta de moradia e até suporte clínico adequado para a recuperação de uma cirurgia. Em resposta ao Melhor do Vôlei, ela reafirmou a situação.

“Mantenho o que disse e estou super tranquila. Sabia desde o começo que seria delicado expor tudo. A única coisa que eu esperava como atleta e como pessoa era respeito, o que não tive. Tudo o que passei foi um pesadelo. Tentei uma negociação com o clube há algum tempo, mas nada feito. Decidi falar para conseguir o que é meu por direito: salários não pagos, minha reabilitação não paga, meu tratamento odontológico não concluído e tudo o que eu paguei com aluguel nesses últimos meses.”

Atualmente, a líbero está fazendo exercícios de fisioterapia em casa. Recebi ajuda de alguns profissionais de outras equipes. Uma clínica daqui também me ajudou, assim como a fisioterapeuta Ana Rabelo, que cuidava de algumas meninas do clube, mas não tenho condições para bancar o transporte até a clínica, coisa que o Curitiba deveria fazer.”

Sobre o futuro, Aninha afirma que espera voltar às quadras. “Pretendo (continuar jogando). Apesar de tudo, meu sonho é ser reconhecida no esporte. São 17 anos buscando isso.”

O outro lado

Após questionamentos, a gestora do projeto, Gisele Miró, informou que os salários do time foram quitados até março, quando a pandemia suspendeu a Superliga. A ex-tenista também disse ter como provar que a decisão de operar em São Paulo com o médico Julio Nardelli partiu da própria atleta, abrindo mão do profissional que tinha convênio com o Curitiba.

“Ela foi informada que o médico Álvaro Chamecki (ortopedista), um grande profissional que já atuou até com o Bernardinho na seleção olímpica, faria o procedimento sem nenhum custo. A decisão de operar fora foi dela. Tudo pode ser comprovado pela troca de mensagens que tivemos.”

Gisele ainda disse que, após as denúncias, passou a receber ataques. “Até ameaças de morte eu já sofri. Estou em contato com o meu advogado e vamos oficializar tudo em uma delegacia. O que acordamos com a Aninha foi cumprido e a decisão de morar em outros lugares partiu dela. Estou tranquila porque tenho provar o que falo, mas fico chateada porque são acusações graves e inverídicas. Todos sabem o quanto eu batalho há anos para ter um projeto sério, como é o Curitiba”, frisou.

Nos últimos anos, Gisele cedeu quartos da própria casa para atletas que atuaram pelo Curitiba, incluindo Aninha.

Carta da empresária

Com exclusividade, Fernanda Sakai, empresária de Aninha, enviou uma carta ao Melhor do Vôlei. Abaixo, a reprodução na íntegra:

“A Aninha é uma atleta exemplar em todos os sentidos, muito focada, dedicada e determinada.

Ela tem uma história de vida muito bonita, uma menina guerreira que luta desde nova para dar um futuro melhor para sua família. Uma menina simples de um coração gigante.

Ela chegou para mim desacreditada. Na primeira reunião que fizemos, ela não acreditava no potencial dela e muito menos acreditava que conseguiria dar a volta por cima jogando em outra posição após 2 cirurgias graves no joelho.

Eu a abracei com todo carinho, profissionalismo e comprometimento. Juntas, começamos a trilhar seus sonhos.

Aninha fez uma Superliga B impecável pelo Curitiba e realizou o sonho de jogar uma Superliga A… Tivemos sondagens de algumas equipes e buscamos uma recolocação no mercado, mas no final das contas nenhuma oportunidade se concretizou. Juntas, decidimos que valeria a pena dar um voto de confiança para o Curitiba e acreditar em todas as promessas, inclusive a promessa de aumento de salário.

Muito complicado julgar a atleta por ter ficado quatro anos vivendo tudo que viveu, quando não se sabe metade do que ela carrega.

Eu, como empresária, sempre busco as melhores oportunidades para minhas atletas, mas não posso ser responsabilizada por acreditar nas promessas do clube que a contratou.

A Aninha passou muitas necessidades, ela é de uma família humilde… Ela não estava preparada para jogar fora do Brasil, está com pessoas próximas da família com doenças graves e não queria se afastar mais ainda de seus familiares.

Portanto, o Curitiba era a única opção para ela manter viva a esperança de sua família e a expectativa de dias melhores… Pensamos e repensamos muito em continuar lá, mas ela forte como é seguiu firme em um objetivo maior, que era ser vista e ter finalmente a oportunidade real de jogar em um time que desse a ela o valor que merece.

A Aninha sabe que quando ninguém mais acreditava nela,, nem ela própria, eu estava lá e ela sempre teve minha ajuda e meu apoio.

Quanto a cirurgia, juntas corremos atrás da melhor opção. Opção que ela se sentisse bem e que ela confiasse. Afinal, depois de tudo que passou, não poderia ser de outra forma.

Após a cirurgia, eu entrei em contato com o técnico de uma grande equipe pedindo ajuda, se poderiam disponibilizar a equipe de fisioterapia para auxiliar na recuperação da Aninha. Fui super bem recebida e de pronto minha solicitação foi aceita .

Somos muito gratas a todos que nos ajudaram e nos estenderam a mão quando mais precisávamos.

Espero que isso tudo seja esclarecido e que a Aninha seja reconhecida pela qualidade técnica e profissional.”

No Instagram, a líbero também fez um novo pronunciamento. Confira:

 




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