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Monday 21 September 2020
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Lipe fala sobre 1º mês na Polônia, temporada no RJX e diz o que espera de seleção

Foto: Divulgação

A temporada 2012/2013 reserva para o ponteiro Luiz Felipe Fonteles mais um grande desafio em sua curta, mas intensa carreira. Com apenas 28 anos, Lipe ou Chupita, como também é mais chamado, já passou por grandes equipes do vôlei brasileiro e mundial. Agora, ele terá pela frente a Plus Liga (Campeonato Polonês), que é uma das competições nacionais que mais crescem no mundo. O jogador já está na Polônia a pouco mais de um mês treinando com o Zaksa Kędzierzyn Koźle, terceiro colocado da última edição do torneio. O time também está classificado para a Champions League onde compõe o grupo C ao lado de Zenit Kazan, Crvena Beograd e Tours, contra quem estreia jogando em casa em data ainda ser confirmada, mas que deverá ser na última semana de outubro.

Em entrevista para o Melhor do Vôlei, Chupita contou como foram essas primeiras semanas na nova casa e quais são as expectativas para mais uma temporada que se inicia. Ele também falou sobre seu ano no RJX, que considera um dos melhores em sua carreira, e sobre o que esperava de seleção brasileira após o Pan de 2011, quando foi convocado para a seleção de novos que disputou a competição e conquistou a medalha de ouro.

Primeiramente, como foi a sua chegada à Polônia e qual foi sua primeira impressão sobre a equipe e a cidade que você vai morar nos próximos meses?

No final de semana que desembarquei fiquei meio preocupado, pois não consegui ver nada da cidade e percebi que era muito pequena. A partir da segunda semana, quando comecaram os treinos, peguei o carro e comecei a abrir os olhos, percebi que não tinha nada de assustador e que seria uma temporada maravilhosa. A cidade é muito pequena, com poucas atrações realmente, mas muito relaxante. Cheia de parques, bosques e lindas paisagens, é um local perfeito para focar totalmente no trabalho, e se necessário, um shopping grande vai ser inaugurado em poucos dias. O cineminha que precisava pegar 40km de estrada vai estar mais perto pelo menos.

Quanto ao time, ao passar dos dias, fui me sentindo cada vez mais feliz por ter feito a escolha certa. São profissionais muito competentes, com a cabeça muito aberta e com muita vontade de vencer. A estrutura de ginásio e material de trabalho são maravilhosos. A empresa que patrocina é a maior produtora de materiais químicos do País, tem vendas até para o nosso Brasil.

O técnico, Daniel Castellani, estava com a seleção finlandesa comandou poucos treinos até hoje, mas foram os melhores da pré-temporada. Fiquei impressionado com a ciência e competência dele. Estaremos muito bem comandados. A equipe de preparadores físicos e fisioterapeutas sempre está à disposição para qualquer necessidade.


Kędzierzyn Koźle (indicada no mapa pela bolinha Mikasa) está localizada no sudoeste da Polônia, quase na fronteira com a República Tcheca, e conta com uma população de quase 70 mil habitantes – comparando, é mais ou menos o mesmo número de moradores da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Está distante 310km da capital polonesa, Varsóvia.

Como funciona a comunicação com os jogadores?

Todos falam inglês, alguns melhor, outros um pouco menos. Mas todos se entendem. Dentro de quadra procuro aprender as básicas chamadas em polonês. Por ser um momento muito rápido no esporte, é sempre mais fácil raciocinar o mais rápido possível, por isso se chamo bolas, marcações ou atenção em polonês, a reação é mais rápida. Não tem o segundo de processamento da tradução, entende? O Daniel fala italiano, inglês muito simples, falo diretamente com ele. O auxiliar é o ex-jogador Sebastian Swiderski, que atuou por muitos anos na Itália e também fala o italiano muito bem assim como o preparador, Eduardo, que como o Daniel é argentino, mas mora na Itália também. Os fisioterapeutas falam inglês, enfim, a comunicação está muito bem, obrigado (risos).

O site do Zaksa divulgou uma matéria em que seis jogadores, incluindo você, tiveram um bate-papo com os torcedores da equipe numa espécie de reunião. Essa ação não é muito comum no Brasil, como foi esse encontro? Quais as diferenças você já pôde perceber do ambiente do vôlei brasileiro para o polônes, que é uma liga das que mais cresce hoje no mundo?

Isso é comum na Europa. Na Itália realizávamos periodicamente jantares com torcedores, etc. Acho que aqui por ser uma cidade que tem no vôlei um esporte de alto nível representando a cidade, eles se sentem parte disso e acho bacana eles se interessarem por coisas do time. Por enquanto, não pude ter muita experiência com o público para poder declarar as diferenças, mas estou ansioso por conhecer.

N.E: a Plus Liga tem início previsto para o início de outubro.


Como você percebe que o polonês (torcedor, jogadores, mídia) tem enxergado o vôlei brasileiro?

No mundo todo o Brasil é referência, tanto que se em algum momento mostro algum exercício que estou acostumado a fazer, eles não exitam em querer aprender e saber o resultado daquilo. Nós somos vitrine hoje, todos querem se espelhar.


Primeiros treinos físicos com o Zaksa têm sido pesados

Você já jogou em outros grandes campeonatos fora do Brasil. Durante seis anos, foram grandes clubes na Itália, no Japão e na Grécia. Voltou para o Brasil no Minas, depois RJX e agora Polônia. Por que retornar para o exterior? Você, de alguma maneira, se decepcionou com os clubes no Brasil?

Meu retorno à Europa foi simples. No Brasil, as equipes que me interessavam fechar contrato, Sesi-SP e RJX, que pra mim são as mais fortes do país, tiveram alguns problemas que me dificultaram. O Sesi teve a pontuação do ranking estourada quando tiveram que contratar o Lorena, pois o Wallace (que era 0) estava de saída para o Japão, impossibilitando então a minha contratação. Já no RJX, onde havia pensado permanecer por algumas temporadas junto ao clube que me apaixonei, não pude renovar por uma situação particular. Nada com o clube, gerência ou jogadores, nada disso, apenas uma decisão pessoal mesmo. Até porque pra mim o Rio esse ano deve levantar a taça.

Como você descreveria sua última temporada por aqui com o RJX? O que faltou para a equipe alcançar a grande expectativa gerada nos torcedores?

Pra mim foi maravilhosa. Cresci muito, me apaixonei pela cidade, fiz amizades importantíssimas que levarei pra vida toda, foi completa. Sem dúvida a melhor da minha carreira em um clube. Claro que todos esperavam que o RJX fosse para a final, e nós também, mas na minha opinião tropeçamos. No segundo jogo em casa estávamos muito confiantes e sobrando no primeiro set. Talvez esse excesso de confiança tenha prejudicado. Depois com a minha lesão talvez um pedacinho de potência tenha faltado. Nada que tira o mérito da terceira pertida que o Vôlei futuro fez. Mas a grande expectativa dos torcedores com certeza não terminou, só foi prorrogada por uma temporada, na minha opinião.

Você ainda tem 28 anos e dois ciclos olímpicos pela frente. Num momento em que a seleção brasileira vai passar por uma reformulação, principalmente na sua posição, você acha que jogar fora não dificulta uma futura convocação? Você esteve com o time de Novos nos Jogos Pan em 2011.

A seleção brasileira sinceramente foi um sonho que eu lutei por muito tempo. Depois do Pan e da Liga jogada ano passado, eu esperava ter um pedacinho maior de espaço na Liga Mundial deste ano pelo menos, até porque todos sabem que a Olimpiada é um ciclo de quatro anos e eu imaginava que seria dificil a participação. Mas numa Liga mundial, onde vários atletas se recuperavam de lesões, etc., eu esperava um reconhecimento. Acho que o Brasil está repleto de atletas de altíssimo nível prontos para manter a hegemonia que temos, e a minha participação talvez não mudará os resultados que obteremos daqui pra frente. Com certeza ficaria muito feliz, e como todos me viram lutar no Pan, jogaria com muita raça e orgulho pela nação que me faz chorar ao ouvir o hino no pódio. Mas acho que essa vai ser mais uma lembrança pra mim, e não uma possível vivência. E isso não cabe a mim decidir, infelizmente.

Foto: VIPCOMM

Foto: VIPCOMM


Lipe com a seleção de novos nos Jogos Pan-Americanas de Guadalajara, em 2011. Veja a entrevista dele após a medalha de ouro no final desta página.

Muitos torcedores lamentaram muito quando você anunciou que estava indo para a Polônia. É um até breve? Às vezes, você gosta de conhecer outras culturas, outras ligas… Tem vontade de se aventurar ainda mais? Turquia e Rússia também são fortíssimos campeonatos que você ainda não disputou!

Te dou toda razão! Desde cedo tive muito interesse em jogar fora. E cada temporada que joguei foi uma experiência. Jogar no Brasil é a melhor de todas, estar perto de todos, o calor da torcida é diferente. Espero sim que meu retorno (novamente) seja breve! Mas com certeza jogando a Champions League esse ano, com uma equipe pesada como a nossa, despertará ainda interesse maior dos clubes russos, principalmente. Em abril saberemos (risos).

Para você, o que é ser Melhor do Vôlei?

É dar o máximo que esse esporte tem a oferecer para todos aqueles que o amam incondicionalmente!


Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Ficha técnica

Nome: Luis Felipe Marques Fonteles
Nascimento: 19/6/1984 (28 anos)
Naturalidade: Curitiba (PR)
Altura: 1,98 metros
Carreira:

2012/2013 – Zaksa (Polônia)
2011/2012 – RJX
2010/2011 – Vivo/Minas
2009/2010 – Olympiacos (Grécia)
2007/2009 – Panasonic (Japão)
2003/2007 – Modena (Itália)
2002/2003 – Banespa/São Bernardo

 

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