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Wednesday 8 April 2020
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Com exclusividade, técnico do Monte Cristo fala sobre Dante, Superliga e sua superação contra as drogas

Foto: Divulgação/CBV

Após conquistar a Superliga B e voltar a colocar o estado de Goiás entre os grandes centros do vôlei brasileiro, a equipe de Monte Cristo estreará na Superliga com objetivos maiores do que apenas se manter na divisão principal.

Após vencer a etapa cerrado da Supercopa Banco do Brasil e já se colocar com um dos favoritos ao título do torneio, a equipe segue se preparando para fazer bonito na principal competição do vôlei brasileiro. Desde 2007 no comando do projeto, Paulo Martins é um dos responsáveis pelo sucesso do clube, que espera se solidificar cada vez mais no cenário nacional.

Em viagem para Criciúma, onde acompanha os Jogos Abertos Brasileiros, os JABs, Paulo concedeu uma entrevista exclusiva ao Melhor do Vôlei, onde falou dos planos do clube, dos objetivos para a temporada e inclusive da situação de Dante, que desde o final da última Superliga, vem sendo cogitado para defender o time. Paulo inclusive lembrou do seu passado com as drogas e como o sonho de disputar a Superliga o fez superar a dependência e fazer história com o time de Goiás.

Melhor do Vôlei: Há quanto tempo você está no Monte Cristo. Quando o clube resolveu investir no vôlei e fixar o objetivo de disputar a Superliga?

Paulo Martins: Estou no Monte Cristo há 06 anos, desde 2007. Fui atleta profissional, vi o cenário esportivo fora do meu estado e quis mudar a realidade do mesmo, sonhei com tudo isso, mesmo desacreditado por causa do meu passado com a dependência das drogas entrei no clube com o objetivo e um projeto para disputar a Superliga mesmo que ninguém por aqui acreditasse, reunimos um grupo de atletas, apontamos a direção e começamos a trabalhar arduamente desde 2008 quando o projeto saiu do papel começando tudo através de um projeto social. O voleibol nos deu a oportunidade de ascensão social através do esporte.

MDV: Qual avaliação você faz desta temporada coroada com o título. Como foi a experiência de disputar a Superliga B?

Paulo Martins: A temporada foi muito boa, evoluímos bastante ao longo da competição, tanto tecnicamente quanto físico e emocionalmente, entramos com o objetivo de ficar entre os quatro e saímos campeões. Houve uma visão, um esforço e um comprometimento bem acentuados por parte de todos integrantes da equipe, os de dentro e os de fora de quadra. A experiência de disputar a Superliga B foi ótima, nos deu ainda mais certeza do tipo de cenário em que queremos atuar enquanto clube, enquanto projeto.

MDV: Como está sendo a preparação para a próxima temporada? Vocês já possuem quantos patrocinadores certos para o ano seguinte e qual será o foco de vocês na montagem do elenco?

Paulo Martins: Primeiro estamos focados em concluir o nosso calendário do 1° semestre com a Liga do Desporto Universitário – etapa nacional, Jogos Abertos Brasileiros e por último a etapa nacional da Supercopa. As expectativas estão muito boas: clube, imprensa local, público e parceiros do projeto estão ansiosos para que tudo comece. Estar na Superliga para nós é uma conquista imensurável, compartilhamos essa benção e alegria com todo o povo goiano, todo estado, afinal de contas é a primeira vez que o nosso estado conquista o direito de jogar por mérito, ou seja, “na bola”, em quadra.

Hoje ainda não fechamos nenhum patrocinador, estamos com muitos sinais positivos de que em breve terão os fechamentos necessários para viabilizar o projeto. Como os valores são bem mais altos que os anteriores creio ser mais trabalhosas e lentas as negociações, mas estamos como uma excelente equipe de marketing que está nos dando toda segurança de que logo iremos conseguir, além disso, essa semana tivemos com representantes do governo de Goiás no intuito de agradecermos pelo apoio na Superliga B e apresentarmos o novo cenário de Superliga A solicitando um aporte maior de recursos para o projeto, esperamos que o mesmo cubra 50% do projeto, o governador Marconi Perillo em breve irá nos receber,  cremos e confiamos que o seu apoio ao projeto irá se concretizar, trata-se de uma grande oportunidade para nós goianos.  

MDV: E essa história sobre o Dante? Há realmente o interesse de contar com ele no elenco, jogando, ou de ele ser apenas um padrinho? No caso do apadrinhamento, não pode gerar um certo desconforto tanto para ele quanto para vocês, pelo fato de ele estar em outra equipe?

Paulo Martins: essa história sobre o Dante é verdade, ele acompanha esse projeto desde 2008 quando começamos, conhece toda a história do clube e minha história também, realmente falamos em trazê-lo para o seu estado de origem, ele até achou boa a ideia, topou, falou para viabilizarmos isso, mas percebemos que ainda é uma realidade a ser construída, precisamos estruturar o nosso clube e nos preparar melhor para que o mesmo possa estar conosco como jogador, quem sabe consigamos encerrar a carreira dele por aqui…e depois ele trabalhar conosco no projeto, nesse momento nem o apadrinhamento é recomendável, sabemos que ele acompanha e torce muito pelo projeto, esse apadrinhamento só acontecerá se ele for atuar fora do Brasil, que é o que nos parece.

MDV: Por fim, gostaria que você deixasse uma mensagem sobre o Monte Cristo para os leitores do Melhor do Vôlei. Vocês vem para ficar e se firmar com uma das equipes que estarão disputando sempre a Superliga?

Paulo Martins: O Monte Cristo é um clube que tem como a razão de ser o voleibol, a equipe masculina adulta, o projeto Superliga. Somos oriundos dos bairros de Goiânia e pequenas cidades do interior de Goiás, trabalhamos muito para chegarmos até aqui, abrimos mão de uma porção de coisas, a nossa meta era criar esse mercado de trabalho para nós pudéssemos usufruir dele em nosso estado de origem, claro que tivemos que trazer algumas pessoas para nos ajudar, e ajudaram, mas os valores e princípios que foram construídos ao longo desses anos é que nos fizeram alcançar o que parecia inalcançável até para alguns de nós, descobrimos que o planejamento, o trabalho, o comprometimento e a dedicação abrem portas e nos faz enxergar novos horizontes…continuaremos assim, ambiciosos, curiosos…e dizemos: O Monte Cristo veio para ficar, é isso que queremos e é isso que faremos, ficar e crescer cada vez mais, mesmo sabendo dos desafios, lutas e incertezas com a graça de Deus cumpriremos os propósitos designados a esse clube, Deus é o nosso guia.  

 




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