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Sunday 24 January 2021
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Conheça o jogador de vôlei mais velho do Brasil

Divulgação/CBV

Recorde de José Oliveira da Silva será homologado esta semana

Se muita gente já se impressiona com os quarentões Fofão e Marcelinho atuando nas Superligas de vôlei, imagine um atleta com o dobro da idade deles. Impossível? José Oliveira da Silva mostra que não. Aos 86 anos e 295 dias, o militar aposentado se tornou o jogador mais velho do Brasil a participar de uma partida organizada pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) ao defender o CEMS (RJ) no Vôlei Master 2014, competição realizada no CT de Saquarema no último fim de semana.

Curiosamente a marca foi obtida no primeiro torneio de vôlei da vida de José:

– Nunca tinha jogado com árbitro profissional, com placar, com tudo que um jogo normalmente tem. Embora dificuldade no deslocamento pela minha idade e a derrota no final, para mim esse jogo é marcante, é meu primeiro na vida. Pensei que ia morrer e não ia jogar vôlei

Militar aposentado do bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, o idoso já nadou, lutou boxe, capoeira, praticou corrida e nunca abandonou a atividade física. Só depois de completar 50 anos é que ele conheceu o voleibol, mas à época a modalidade não era difundida no país. No início da década de 1980, a paixão aconteceu graças à Geração de Prata. Acompanha diariamente o noticiário esportivo, assiste jogos pela TV e foi um dos mais de 90 mil espectadores no lendário jogo no Maracanã em 1983 entre Brasil e URSS.

Em Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio, José Oliveira da Silva encontrou um projeto esportivo para a terceira idade no Complexo Esportivo Miécimo da Silva. Atividades voltadas para o desenvolvimento motor é o que atrai dezenas de idosos a participar do voleibol adaptado, conhecido como câmbio. Nele os atletas executam o objetivo do voleibol que é jogar a bola para o lado adversário, mas com o fundamento de segurar e lançar, sem golpes de ataque, saque ou bloqueio. A equipe do CEMS chegou a disputar competições de câmbio, mas os idosos queriam mais.

Há sete anos, a chegada do professor Sérgio Alan foi ao encontro do sonho dos velhinhos de Campo Grande. Treinamento de fundamentos três vezes por semana, saque, recepção, levantamento, ataque e bloqueio, noções de posicionamento e regras básicas.

Com o devido treinamento, José pôde atuar na categoria +63. Embora mais velho 23 anos do que a maioria dos adversários, José era ovacionado a cada toque na bola, que nem sempre resultavam em ponto para sua equipe, mas isso era o que menos importava.

Ao lado da quadra, o técnico Sérgio Alan se emocionou:

– Ver o brilho nos olhos de cada um deles é meu maior presente. Eles vieram aqui para jogar, dentro das suas limitações motoras fizeram o que podiam. Para mim eles são vencedores, mais do que isso, esses servem de exemplo para muitos de que é possível continuar

Fã de Giba, o atleta de 86 anos foi convidado a conhecer a galeria de troféus que a CBV mantém em Saquarema. Em meio a tantas taças e medalhas e confidenciou um sonho:

– O Giba pra mim foi o melhor jogador que vi, mas gostava muito do Tande, do líbero Serginho, da turma de 84. Queria ver uma medalha olímpica. Eu vi pela televisão a conquista de todas elas.

A marca anterior de jogador mais velho era de Aída dos Santos Menezes, primeira brasileira a disputar final olímpica no atletismo em 1964 e mãe da jogadora Valeska Menezes, a Valeskinha. Aída ainda mantém a marca de mulher com maior idade a disputar uma partida de voleibol promovida pela CBV, já que a veterana de 77 anos também estava em Saquarema e participou mais uma vez do Vôlei Master.




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