Search
Monday 28 September 2020
  • :
  • :

Entrevista: Fabiana Claudino

25/04/2012 – A meio de rede Fabiana já está em Saquarema se preparando com a seleção brasileira para o Torneio Pré-Olímpico, onde a equipe do técnico José Roberto Guimarães vai buscar a vaga para as Olimpíadas de Londres. Se confirmada a participação brasileira, essa mineira de Belo Horizonte vai encarar sua terceira Olimpíada, e desta vez como capitã.

Antes de começar os trabalhos com o Brasil, a jogadora falou ao Melhor do Vôlei sobre um outro desafio que teve na carreira, tão difícil quanto jogar contra russas, americanas e chinesas nos Jogos Olímpicos: atuar por uma equipe do exterior pela primeira vez. E não por um time e em uma cultura qualquer, a atleta aceitou o desafio de vestir a camisa do Fenerbahce, tradicional equipe da Turquia.

Confira como foi a conversa:

Fabiana, como foi a sensação de conquistar um título tão importante como a Champions League, o mais importante campeonato entre clubes do mundo, logo em sua primeira temporada no exterior?

A sensação é de olhar pra trás e ver que todo seu esforço valeu a pena e que, apesar estar longe de todos, poder voltar pra casa com meus objetivos cumpridos e com mais um título importante na minha vida.

Apesar da russa Maria Borodakova ter sido nomeada a melhor bloqueadora da competição, você teve os melhores números, com 47 pontos no total e a excelente marca de 1,17 pontos por set. Como você analisa o seu desempenho na Champions League?


O mais importante pra mim é acabar o campeonato com o título principal nas
 mãos, que é o ouro. Não estou com o prêmio individual, mas fico feliz de ver meu nome como primeiro na estatística de bloqueio e saber que fiz um bom trabalho.

Uma das premissas do Zé Roberto em ter treinado equipes estrangeiras era de ficar de olho nos movimentos das nossas principais adversárias em nível de seleção brasileira. Estando lá e convivendo com elas, jogando contra na Turquia e na Champions League… Você concorda com ele? Em que essa convivência acrescentou para você tecnicamente e o que você traz consigo para a preparação para as Olimpíadas?

Com certeza. Jogar na seleção e você treinar no dia a dia é uma coisa bem diferente uma da outra. Você começa a perceber seus movimentos mais fortes, onde falham mais e as suas formas de agir e pensar. Isso te dá um ponto de vista diferente para jogar contra. Eu amadureci bastante com essa convivência e toquei muitas ideias. No treino com elas você acaba aprendendo algo diferente.

Voltando um pouco… Você foi muito cautelosa ao escolher uma equipe para jogar fora do Brasil. A presença do Zé Roberto no time com certeza foi determinante, mas fora isso: por que a Turquia e por que o Fenerbahce?

Tive várias propostas de fora, mas a presença do Zé influenciou muito. Por ser um ano Olímpico, escolhi estar no Fernebahce porque sabia que estaria me preparando bem para os Jogos Olímpicos e não teria uma preocupação com estrutura, se o treinamento seria pesado ou não… Com o Zé tive a tranquilidade de escolher onde jogar.

Duas estrelas do vôlei mundial e adversárias diretas da seleção brasileira foram suas companheiras de equipe, Sokolova e Logan Tom. Você já conhecia a Logan da época de MRV/Minas quando foram campeãs na temporada 2001/2002 e ainda jogaram juntas novamente em 2002/2003. Como foi o reencontro? Como foi a convivência com ela e com a Sokolova?

O nosso reencontro foi muito legal, porque na última vez que jogamos juntas eu era bem nova e hoje trocamos experiências em quadra. Ela me ajudou muito, principalmente com o inglês e pelo fato dela falar português. Ficamos mais próximas, ela é uma pessoa de um coração incrível. E convivi muito com a Kim também, hoje nos tornamos melhores amigas e morávamos no mesmo prédio, o que nos fez aproximar ainda mais. Ela é uma pessoa maravilhosa, com um astral e um jeitinho brasileiro incrível.

Inclusive, eu vi uma entrevista sua depois da conquista da Champions League respondendo em português com a Logan atuando de tradutora. A dificuldade da língua sempre aparece, ainda mais em uma equipe tão mesclada como o Fener, mas sempre é também um crescimento e uma experiência interessante. Como você "se virou" com isso quando chegou na Turquia?

Falar turco é complicado, só com bastante estudo. Aqui todos falam inglês e já me virava bem, mas falar na TV é complicado, né? (risos) No final da temporada já entendia, quando cheguei era difícil. Hoje escuto até piada.

Navegando na internet, achamos diversas ações que o clube faz com as atletas, muitos compromissos, eventos, homenagem ao dia internacional da mulher… Como era o dia a dia aí no Fenerbahce? Quais as principais diferenças com relação aos clubes brasileiros?

Nosso dia a dia era muito legal. Todos amam o voleibol e todos os dias as pessoas te tratam com carinho, agradam com presentes e bolo, é um carinho que eles têm com as jogadoras fora de sério. Não posso comparar com o Brasil porque existe clubes parecidos, mas lá eu destaco a torcida, que nunca vi igual e nunca senti em quadra o que senti. É contagiante, eles não param um segundo sequer, o tempo todo torcendo.

Sobre o Campeonato Turco. Por conta do limite de estrangeiras relacionadas em quadra, você ficou de fora de uma grande quantidade de jogos da competição. Como é feita essa seleção? O Zé Roberto é quem define?

Essa pergunta tem que ser feita ao Zé, ele que tomava as decisões…

Antes de assinar o contrato com o Fenerbahce, você já tinha conhecimento que isso ia acontecer, até porque a Fofão passou por isso ano passado. Você acha que essa situação te prejudicou em algum sentido? Como você se sentiu com relação a isso?

Sim, já sabia e não me prejudicou nem um pouco, pelo contrário. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida, porque já sabia o esquema de lá, eu que escolhi. Vim com os meus objetivos e graças a Deus volto pra casa com minhas metas cumpridas.

Mesmo com esse revezamento entre as estrangeiras, o Fenerbahce conseguiu ficar invicto na fase classificatória da competição com incríveis 22 vitórias. Qual o segredo do time esta temporada, que parece enfim ter respondido à altura a expectativa de todos (patrocinadores, clube e torcedores) principalmente na Champions League, mesmo com a derrota nas semifinais do Turco?

Essa equipe trabalhou muito o tempo todo com muito foco e responsabilidade, se doando ao máximo nos treinamentos. Não tínhamos dúvida que iríamos chegar na final (da Champions League), e graças a Deus nosso esforço valeu a pena e fomos premiadas com esse grande titulo que todos almejam. Foi um grupo unido e com objetivos o tempo todo.

Você mantém um perfil no twitter e na medida do possível tem se correspondido com as pessoas. Do que você mais sentiu saudades?

Sentia saudades desse carinho especial que só o brasileiro tem. Da minha família, de todos os meus amigos e, principalmente, da comida. Queria agradecer a todos pela força e aqueles que me acompanharam lá fora.

Finalizando… Para você, o que é ser melhor do vôlei?

“Não importa o que você seja, quem você seja ou que deseja na vida. A ousadia em ser diferente reflete na sua personalidade, no seu caráter, naquilo que você é. E é assim que as pessoas lembrarão de você um dia”. Isso é ser o melhor do vôlei. Palavras de Ayrton Senna, pessoa que me inspiro muito.


Perfil – 
Fabiana Marcelino Claudino

Data de nascimento: 24 de janeiro de 1985 (27 anos)
Altura: 1,94m
Peso: 76kg
Posição: Meio de rede

Carreira:
2011/2012 – Fenerbahce (Turquia)
2010/2011 – Vôlei Futuro
2003/2010 – Unilever
2001/2003 – MRV/Minas

Títulos por clubes:
Tetracampeã da Superliga (Unilever – 2005/2006, 2006/2007, 2007/2008 e 2008/2009) 
Champions League 2011/2012 (Fenerbahce)
Campeã dos Jogos Abertos do Interior 2010 (Vôlei Futuro)
Campeã do Top Volley 2009 (Unilever)
Campeã da Salonpas Cup 2004
Campeã da Superliga 2001/2002 (Mrv/Minas)

Títulos pela seleção:
Tetracampeã do Grand Prix (2004, 2006 , 2008 e 2009) 
Campeã do Pan-Americano de Guadalajara (2010).
Campeã do Montreux Volley Masters 2009
Campeã dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008
Campeã do Torneio de Voleibol Final Four 2008 – Melhor Bloqueadora
Campeã do Sul-Americano 2007
Campeã do Montreux Volley Masters 2006
Campeã da Copa dos Campeões 2005
Campeã do Mundial Juvenil 2002


Veja abaixo mais momentos da temporada de Fabiana na Turquia!


Fenerbahce 2011/2012 na Champions League

Fenerbahce 2011/2012 na Champions League

Aniversário da brasileira e homenagem ao Dia Internacional da Mulher no clube

Entrevista após o título da Champions League

 


Fotos: Divulgação

 

 




Subscribe
Auto Notificar:
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Translate »
213
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x