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Wednesday 28 October 2020
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Ex-atleta da seleção comemora vitória sobre o câncer

Juliana (#2), atuando pelas categorias de base. (Foto: Arquivo pessoal)

Inspirando outras pessoas, a batalha contra o câncer foi compartilhada nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

Juliana do Amaral Piske venceu muitas batalhas dentro das quadras do Brasil e até mesmo do exterior. Quase uma década após deixar o esporte profissional, no entanto, surgiu o maior adversário: o diagnóstico do câncer de mama. Aos longo dos últimos meses, ela enfrentou a quimioterapia e o centro cirúrgico, mas nunca perdeu a vontade de viver. Formada em nutrição clínica e pós-graduada na área esportiva, a ex-ponteira celebra nesta semana a vitória sobre o tumor maligno.

Natural de Porto Alegre-RS, Juliana iniciou a carreira no vôlei aos 12 anos (1998), nas escolinhas do Grêmio Náutico União, tradicional na formação de jogadores. Alta, logo chamou a atenção e passou a receber convites para treinar na equipe mirim em competições estaduais. Com habilidade, foi convocada pela primeira vez para a seleção gaúcha, em 1999. Três anos depois e já com a experiência de ter jogado campeonatos nacionais, ela foi convocada para a equipe feminina infanto-juvenil, com treinos em Belo Horizonte-MG (na época, ainda não existia o Centro de Treinamentos de Saquarema, no litoral do Rio de Janeiro).

Seleção Feminina

“Por quatro anos, fiz parte da seleção, sendo dois como infanto e o restante no grupo juvenil. Morava em São Paulo e fiquei uma temporada no São Caetano e outras três no Finasa/Osasco”, lembra Juliana, que faz parte de um grupo com atletas que atuam até hoje, como Thaisa Daher, Adenizia, Fernanda Garay, Michelle Pavão, Claudinha, Regiane, Suelle, Ana Tiemi, além de Gabi Morelli, Camila Torquete, Verônica

Entre os treinadores, foi comandada por Antonio Rizola e Luizomar de Moura. “Disputei o Mundial de 2003, na Polônia, e ficamos com o bronze. No Sul-Americano de 2004, na Bolívia, fomos campeãs. Também joguei algumas edições da Superliga e por equipes do exterior, até 2011.”

Juliana disputou a Superliga pelo time de Pomerode-SC. (Foto: Arquivo pessoal)

Novos rumos

“Decidi parar de jogar em 2011, pois tinha uma vontade grande de poder fazer algumas coisas que a rotina de atleta não me permitiam na época, como estudar, casar, ter uma vida um pouco mais tranquila e mais presente com a família. Também tive algumas lesões em sequência e, com o casamento já marcado para o final do ano, vi que era o momento certo e oportuno para a aposentadoria”

Juliana é casada e mãe do Pedro Miguel, de três anos.

Gratidão ao vôlei

“O esporte sempre fez parte da minha vida, desde muito pequena, contribuiu para o meu desenvolvimento na infância e adolescência, moldando não apenas o aperfeiçoamento motor (era muito magra e alta) mas também a minha personalidade, o entendimento da importância de ter disciplina, responsabilidade, aprendi muito sobre superar medos, ter coragem, ser ousada e gostar de desafios (o atleta lida com tudo isso constantemente com muita naturalidade) e tudo isso eu levei com muita facilidade para a minha vida adulta e pós voleibol.”

A família. (Foto: Arquivo pessoal)

O câncer

“Descobri o câncer em 2019. Algumas semanas após parar de amamentar o meu filho, percebi um pequeno caroço que era palpável. Por algumas semanas, ignorei e achei que não era nada grave, apenas alguma alteração mamária por conta do fim do aleitamento. Mas o caroço foi ficando mais saliente e decidi investigar. Fiz alguns exames e, em novembro passado, veio o diagnóstico. Foi um susto muito grande, pois não tenho casos próximos na família e nenhum dos outros fatores de risco normalmente relacionados como por exemplo a idade e o sobrepeso.”

O tratamento

“Em janeiro deste ano, iniciei o tratamento. Comecei pela quimioterapia, que duraram cinco meses. Agora em junho, passei pela cirurgia mastectomia bilateral total. No mesmo procedimento, já foi feita a reconstrução mamária com prótese de silicone. Agora, estou em fase de recuperação pós cirúrgica. Depois, serão mais cinco anos de tratamento anti-hormonal como forma preventiva.”

Foto: Reprodução

Força para seguir

“O apoio familiar e de grandes amigos tem sido o meu combustível diário. Uma corrente muito grande se formou a minha volta e nunca imaginei receber tanto amor. Pessoas de longe e de perto, amigos recentes e de uma vida inteira, família de sangue e de coração, todos com sua importância grandiosa no meu processo de busca pela cura. Sem eles e sem Deus, eu não seria a fortaleza que sou e nem teria conseguido encarar tudo com a leveza que venho encarando.”

Covid-19

Em relação à pandemia, desde que ela chegou até nós, ali pelo dia 20 de março (estou morando em União da Vitória, no interior do Paraná), eu ainda estava fazendo quimioterapia. Então, decidimos nos isolar na casa dos meus sogros onde temos mais espaço e a ajuda deles.Já se passaram quatro meses que estamos aqui e só saio para os compromissos do tratamento. Optamos por esta conduta para tentar garantir que nada nos atrapalhe neste momento. Mesmo assim, tem sido um período extremamente tenso por ter que administrar uma doença tão grave junto a um isolamento social e o medo do invisível.

De olho no vôlei

Hoje, acompanho o esporte de uma maneira diferente, apenas como expectadora, não mergulho de cabeça como fazia na época de atleta. Mas assisto alguns jogos da Superliga e sempre que tem competições importantes da seleção, procuro acompanhar, mas nem sempre consigo. Acredito que a seleção tenha grandes chances de medalha olímpica, sim. Conheço o potencial das nossas atletas e dos nossos treinadores e comissões. Tenho muitas amigas ainda da época de atleta, infelizmente com bem menos contato do que gostaria, mas muito por conta da rotina de cada uma e pela distância geográfica também. Mas a amizade permanece.

A fé

O câncer nem sempre é uma sentença de morte. A doença é grave e dolorosa, mas é possível passar por ela com leveza e otimismo. Não permita que o Câncer seja maior do que a sua alegria e vontade de viver. Continue vivendo, fazendo coisas que te fazem feliz, fique perto das pessoas que você ama e que amam você. Se permita chorar, sentir raiva, insegurança, medo…mas jamais deixe que estes sentimentos dominem você.

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Obrigada DEUS🙏 . Compartilho aqui, desde o inicio, tudo que venho passando na minha luta contra o Câncer. . Nesse dia tão especial, não poderia ser diferente! . Ontem consultei meus médicos cirurgiões, e a noticia mais esperada chegou…lemos juntos, dentro do consultório, palavra por palavra de um relatorio extenso, a noticia de que estou LIVRE do tumor que habitava em mim…🙏 LIIIVREEEE!!!!!! O resultado foi o melhor possivel (apenas 30% das mulheres tratadas tem essa resposta). . Sei que no tratamento do Câncer não se pode ter garantias de 100%, mas o importante agora é celebrar essa conquista, dividir mais uma vez com as pessoas esse momento de conquista e dizer que DEUS esteve e está no comando o tempo todo! . À ele, toda a honra e toda a glória🙌 . #vencendoocancer #cancerdemamatemcura #deusébomotempotodo #amorpelavida

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