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Monday 21 September 2020
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Joel se despede do vôlei com recordações inesquecíveis

Foto: Divulgação

Com 39 anos, o oposto Joel foi o jogador mais velho em atividade na Superliga masculina de vôlei 13/14. O São Bernardo Vôlei (SP) foi eliminado nas quartas de final e, junto com ele, no dia 14 de março de 2014, a carreira de 27 anos no vôlei chegou ao fim. A última temporada foi de contribuição maior extra quadra do que propriamente na bola, e deixa boas lembranças. O dia a dia ao lado de um grupo jovem deu motivação e uma vivência inesperada ao experiente jogador.

“Houve uma troca muito interessante nessas duas temporadas em São Bernardo. Os garotos têm muita energia e disposição, coisas que nós, depois de muitos anos de vôlei, não temos mais da mesma forma. Isso é natural. Eles me passavam bastante do que podiam e, em troca, eu oferecia a minha experiência, toda a vivência que acumulei no esporte”, contou Joel, que, antes do vôlei praticou atletismo, aos 8 anos, e depois ainda se aventurou no basquete, tênis de mesa, entre outras modalidades.

A experiência acumulada desde que saiu de Bebedouro (SP), sua cidade natal, até os dias de hoje, depois de tantos anos foi enorme. Dentro de quadra, Joel teve diversas e diferentes conquistas, todas consideradas de grande importância, mas o oposto garante que um aprendizado, fora das quatro linhas, foi ainda maior.

“Na minha opinião, 70% do necessário para ser bem sucedido hoje em dia é fazer uma boa gestão de pessoas. E em um esporte coletivo, especialmente no vôlei, onde a bola tem que ser mantida no ar por diferentes pessoas da sua equipe, saber depender das pessoas é fundamental. Acho que é isso que levo de mais importante do esporte onde vivi tantos anos para o resto da minha vida, já que é algo cada vez mais difícil”, disse Joel.

Corte que fez diferença

Para sempre na vida de Joel também estará o ano 2000. Após uma atuação brilhante no pré-olímpico, que levou a seleção brasileira aos Jogos Olímpicos de Sidney/2000, o oposto foi cortado e não esteve presente ao campeonato mais importante do calendário esportivo. Mas isso não foi motivo para lamentações.

“Fiz um pré-olímpico muito bom, foi o meu ponto alto na seleção e o corte me fez sair do Brasil. Não sou de reclamar das situações. Pelo contrário. Busco tirar os pontos positivos de cada ocasião. Mas, depois que fui cortado, não quis ficar no Brasil. E sair foi muito positivo para mim e para a minha carreira. Passei 12 anos fora e evoluí demais nesse período”, lembrou Joel.

Nos 12 anos, o atacante jogou na Itália, Japão, Grécia, Argentina e Bahrein. Um país mais especial? “Gosto muito do Japão, da cultura japonesa, mas fui muito feliz na Itália. Fiz uma temporada maravilhosa, muitos amigos, gostei muito da cultura, da língua, enfim, foi muito especial”, afirmou Joel.

Quadra e sala de aula

Toda a experiência acumulada resultou em uma escolha mesmo antes de encerrar as atividades no vôlei. A opção de cursar a faculdade de Administração de Empresa rendeu uma dura rotina nas duas últimas temporadas.

“Foi bem puxado. Eu fazia a parte física muito cedo, às 5h, e depois ia pra faculdade, já que cursava de manhã. E à tarde fazia o treino com bola normalmente junto com o grupo. Foi um período complicado, mas que valeu muito a pena”, confirmou o jogador.

Do vôlei para dentro de casa

Segundo o experiente jogador, a modalidade proporcionou diversos momentos importantes, mas o vôlei deu a Joel também um amor ainda maior do que o que sente pela modalidade: sua mulher, Kátia, levantadora do São Bernardo Vôlei.

“o vôlei me deu tudo. De conhecimento a coisas materiais. Entrei um menino e estou saindo um quarentão. Mas aqui conheci pessoas magníficas e, a mais importante de todas, a minha esposa. Agradeço a todos. Técnicos, companheiros de times, adversários e a Kátia”, concluiu Joel.




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