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Friday 29 May 2020
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Katarzyna Skorupa: “Às vezes, uma lésbica é a segunda escolha”

Foto: Arquivo

Em uma entrevista corajosa ao site Przeglads Portowy, a levantadora polonesa Katarzyna Skorupa denunciou a homofobia que existe no esporte, mas especificamente dentro do voleibol feminino. Aos 35 anos e lésbica assumida, ela falou abertamente sobre como as portas podem se fechar para quem tem uma orientação sexual declarada.

“Às vezes, uma lésbica é a segunda escolha, mesmo quando a qualidade indica que ela deveria ser a primeira. Homofobia está presente no esporte, independentemente do lugar. Os homossexuais são frequentemente discriminados por clubes ou federações, e até colegas de equipe, embora com mais frequência nos esportes masculinos”, afirmou Skorupa. Vivemos em uma sociedade patriarcal xenófoba, homofóbica e fechada.”

Ao site polonês, também comentou a repercussão que teve uma foto divulgada pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport, no final de 2018. Na época, ela teve um relacionamento com a oposto Paola Egonu e acompanhou uma partida do Novara. No dia seguinte, a imagem das duas se beijando virou manchete e rodou o mundo.
“Infelizmente, muitas pessoas gostam de polêmica. É triste que o beijo entre duas mulheres cause isso. O jornal pediu desculpas e o caso está encerrado. Mesmo assim, recebi apoio e mensagens positivas”, acrescentou.

Skorupa sabe que teve uma atitude que poucos atletas têm. E ela paga um preço por isso. “Não foi fácil quando me descobri. As informações disponíveis, a internet, as campanhas de conscientização e nem de educação sexual não eram existiam como hoje. A homofobia se alimenta da ignorância e do medo. O problema está na raiz. Infelizmente, na maioria dos casos, os pais homofóbicos criam crianças homofóbicas que ridicularizam e intimidam seus colegas na escola. Dessa maneira, o jovem cresce achando que é um motivo de vergonha, algo ruim, indesejável, algo que deve ser calado”, lamentou.

Apesar de tudo, ela não perde as esperanças por um mundo melhor. “A educação é o passo básico. Quanto mais nós sairmos do armário, mais rapidamente a consciência da sociedade mudará.”

Na última temporada, a levantadora jogou pelo Saugella Team Monza e também já vestiu a camisa de tradicionais clubes da Europa.




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