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Monday 28 September 2020
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Nova determinação da FIVB no Vôlei de Praia gera divergência entre atletas

Foto: FIVB/Divulgação

O Vôlei de Praia mundial vem atravessando um período de turbulências nesse começo de 2013 e tudo por conta de uma mudança nas regras dos torneios da FIVB. No último final de semana, entre 8 e 10 de Março, aconteceu em Lausanne – Suíça,na sede da FIVB uma reunião entre dirigentes e atletas para a definição do futuro do esporte. Presidente da FIVB desde o ano passado, o brasileiro Ary Graça decidiu implantar uma ideia já aplicada no esporte aqui no Brasil para o resto do mundo. 

A nova medida concede as confederações o poder de convocar os atletas que desejarem para participar das competições internacionais sem qualquer critério, como se fosse uma seleção. Anteriormente, cada federação tinha seu ranking e os melhores se credenciavam para os torneios. Com isso, os torneios classificatórios, os famosos qualifiers, foram extintos.

Para tentar resolver o impasse, um grupo de atletas foi dialogar com a FIVB. Entre os jogadores escolhidos estão Hannes Brinkborg da Suécia, Lauren Frendrick e o campeão olímpico Todd Rogers dos Estados Unidos, Maria Tsiartsiani da Grécia, Marloes Wesselink da Holanda e o representante brasileiro Pedro Solberg, filho da ex-atleta Isabel Salgado.

Na reunião, que contou com a presença do presidente Ary Graça, alguns pontos foram expostos, mostrando o ponto de vista de expandir o esporte pelo mundo, dando mais oportunidades a mais países. Apesar da reunião ter sido positiva, conforme destacaram as duas partes, os novos critérios seguem inalterados.

“A FIVB desenvolveu uma estratégia de longo prazo, que é focada na sustentabilidade do vôlei de praia e crescimento extensivo e, claro, os atletas são cruciais para o futuro do nosso esporte, por isso estamos muito gratos por sua participação na reunião de hoje e sua vontade de melhorar a modalidade em todas as partes do mundo”, disse Vicente Araújo, presidente da comissão de vôlei de praia da FIVB.

“Eu acredito que estamos nos movendo na direção certa. Nós todos queremos o que é melhor para voleibol de praia e estes tipos de discussões são muito importantes para todos”, disse o campeão olímpico Todd Rodgers ao site da FIVB.


Kerry Walsh
, tricampeã olímpica não esteve na reunião e é uma das que mais criticam a mudança. Para ela, a essência do vôlei de praia está em jogo.

 Walsh lamenta mudanças. Foto: Getty Images

“Estou muito preocupada com essa situação, em relação as mudanças da FIVB. Tenho certeza que eu e muitos outros jogadores estamos com muito medo dessas drásticas mudanças. Não só para nós jogadores, mas para o futuro do nosso esporte. Sei que é mais difícil para os brasileiros por causa do forte link da confederação brasileira com o líder da FIVB, mas espero que eles encontrem força e coragem, pois estão sendo apoiados. Todos estamos lutando pela mesma coisa. Estamos em um momento crucial da história do nosso esporte. Se desejamos manter o espírito original, independente e com a integridade do volei de praia, nós temos que nos unir agora! Não somos volei de quadra, não vamos deixar as pessoas encarregadas tirarem a essência do nosso esporte”, desabafou Walsh.

Com poucas perspectivas de participarem de competições internacionais e assim, sem chances de alcançar um patrocínio maior, muitos atletas tem encerrado a carreira ou mudado de país, para quem sabe, até se naturalizar e disputar essas competições.

A lista dos “recém-aposentados” é grande e conta com Juca, Renatão, Paulo Victor, Roninho, Renata, Julia Schimidt, Andreia Teixeira, Ricardo Brandão, Léo Sindice, Miguel, Jan Ferreira, Lucas Palermo, Foguinho, Lobeir, Marcos Cabral, Fábio Guerra, Fábio Toró, dentre outros.

Em seu Facebook, o jogador Ferramenta, que chegou a participar de alguns torneios internacionais ao lado de Pedro, lamentou a situação e fez um desabafo, usando o exemplo de seu irmão.

“Hoje no aeroporto, vi minha Mãe abraçar meu irmão e derramar suas fortes lágrimas, e me perguntei: Será que foi a escolha certa que ela fez em investir o pouco dinheiro que ela tinha para realizar o nosso sonho em ser Atletas de Vôlei de Praia? Meu irmão foi morar na Suíça para começar uma nova jornada, devido as mudança em nosso esporte. Logo liguei para o meu parceiro e ele me informou que estava procurando emprego porque não tem condições de treinar e viajar para a próxima etapa, triste liguei para meu técnico e ele me informou que as etapas do mundial que seriam realizadas no Brasil foram canceladas devido as insatisfações dos atletas de todo o mundo, e logo após, me informou que estava indo para sua terra natal porque está complicado sobreviver dessa profissão tão linda e calorosas que somos apaixonados”.

Finalizando, Ferramenta fez um pedido. “A princípio achei que a olimpíada em nosso país traria benefícios para nossos atletas… Por favor, ajudem-nos!!!”

Ferramenta diz que muitos jogadores tem encerrado a carreira. Foto: Divulgação

Em contra partida, outros atletas comemoram a oportunidade de defender a seleção. Recém-convocada, Ágatha vibra com a possibilidade de representar o país no circuito mundial. “Mesmo quando fiquei fora da primeira lista, não deixei de acreditar que poderia ter uma chance e segui trabalhando muito para que isso acontecesse. A convocação é um prêmio por todo o empenho e pelo trabalho da nossa equipe. Estou muito feliz e animada, mas sei que essa convocação é apenas o primeiro passo”, disse a jogadora.

 




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