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Friday 18 September 2020
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Punido, Bernardinho manda recado para a FIVB: “Não vou me furtar de dar opinião”

Divulgação/FIVB

Bernardinho diz que punição foi uma retaliação de Ary Graça

Treinador da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho criticou a decisão de a FIVB (Federação Internacional de Vôlei) lhe punir com a suspensão de dez jogos após reclamações sobre a entidade durante o Mundial da Polônia, em setembro. Ele foi questionado sobre o tema pelo canal “SporTv” após a vitória do Rexona sobre o Pinheiros, em partida válida pela Superliga de vôlei.

“No nosso passado recente, quando houve revolta no vôlei da praia, me lembro da tricampeã olímpica Walsh criticando a Federação Internacional e nada foi feito contra ninguém. A retaliação pela minha declaração do Mundial, de dez jogos, é cercear o direito de falar, falei porque tenho muita coisa engasgada há muito tempo. As coisas vêm acontecendo, é o que eu digo, é uma pena que o vôlei seja levado dessa forma”, afirmou o treinador.

Por conta do ocorrido, a CBV decidiu abdicar em sediar a fase final da Liga Mundial 2015. A entidade que rege o vôlei nacional diz ter tomado essa atitude em “solidariedade” ao técnico e aos jogadores – além de Bernardinho, Mario Jr. foi suspenso por seis jogos, Murilo por um e Bruno tomou uma multa de mil dólares, já que a FIVB também considerou que eles estavam envolvidos em uma confusão em quadra após a derrota do Brasil para a Polônia, dona da casa, ainda na terceira fase do torneio.

“Só espero que eu não prejudique o vôlei brasileiro, que não influencie os jogadores. Ainda bem que eu levei a maior punição. É uma série de inverdades no relatório que obtive nesta tarde que eu estava na confusão. Só pegar as imagens, quero que prove, eu não estava, eu saí da quadra. Pelo menos sempre cai nas minhas costas, porque não vou me furtar de dar opinião, de falar as coisas como elas são”, deixou claro.

Para Bernardinho, a decisão da FIVB é uma clara retaliação de Ary Graça, presidente da FIVB, cuja gestão à frente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) tem sido investigada por fortes suspeitas de corrupção. “Gostaríamos muito que a final da Liga Mundial fosse no Brasil porque vamos sediar as Olimpíadas, mas as relações com a federação internacional estão complicadas, estão conflituosas. Obviamente, as punições são retaliações de pessoas que ontem sofreram o baque de denúncias das investigações do CGU (Corregedoria-Geral da União) e hoje vem com retaliações claras”, acusou.

Devido às irregularidades na CBV, alguns dos principais nomes do vôlei brasileiro já cogitam a possibilidade de parar a Superliga de vôlei, mas Bernardinho diz não acreditar que isso vai acontecer.

“Acho que os jogadores não vão parar a Superliga em respeito aos patrocinadores e apoiadores fantásticos que temos. Mas, com certeza, não vão se calar. Porque o Brasil não pode mais se calar diante de coisas erradas, é um exemplo que a gente dá. (…) Não queremos julgar, queremos que, feitas as investigações, as pessoas paguem pelos seus erros. E os atletas precisam ter essa consciência. Cobrar dos dirigentes e estão se mobilizando”, comentou.

Sobrou até para o presidente da Federação Polonesa, Miroslaw Przedpelski, um dos maiores críticos de Bernardinho durante o Mundial – o dirigente foi destituído e chegou a ser detido por irregularidades constatadas após a organização da disputa. “Ele foi preso, não tem moral. Aqui é o único país onde o poste faz pipi no cachorro”, disparou.




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