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Tuesday 20 October 2020
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Renan: Temos muito a aprender com os italianos

Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV

Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV

Renan Zanatta Buiatti é mineiro de Uberlândia, tem 25 anos de idade, 2,17m de altura, aguarda o início de sua segunda temporada no Voleibol Italiano e tem uma meta: quer figurar na convocação definitiva do técnico Bernardinho para o Rio-2016. “Tenho trabalhado duro, dado o meu melhor nos treinos e nas competições para buscar o meu lugar na olimpíada.”

 

Sem jamais haver disputado uma edição dos Jogos Olímpicos, ele desconversa quando o assunto é analisar os rivais que podem, eventualmente, impedir o tricampeonato do Brasil.

 

“Não importa o adversário que iremos enfrentar. Temos que pensar, por enquanto, no nosso jogo e na nossa evolução como equipe”, afirma o oposto da Seleção Brasileira e do Vero Volley Monza. Sim, oposto. Definitivamente, oposto.

 

No Campeonato Mundial de 2014, Renan era o terceiro mais jovem na delegação de 14 jogadores – era mais velho, apenas, do que o ponteiro Lucarelli e o líbero Felipe. Ele foi à Polônia podendo atuar em duas posições, tanto na saída quanto no meio de rede. Isso, em tese, lhe daria uma vantagem sobre Wallace, Leandro Vissotto e Evandro, com quem concorre, enquanto oposto, na disputa por duas chaves na vila olímpica, ano que vem. Um jogador versátil seria um bônus para uma seleção que só possa inscrever 12 atletas para uma competição de oito jogos em 15 dias, como é o caso das Olimpíadas.

 

Porém, depois de uma temporada inteira na Liga Italiana e na Seleção Brasileira, onde disputou amistosos, foi campeão sul-americano e vice-campeão pan-americano, ele deixa claro que prefere atuar na diagonal do levantador.

 

“O Bernardo fez um teste (ano passado). Fui campeão mundial juvenil e fui eleito o melhor bloqueador da competição, como central, em 2009”, explica. “Mas não penso em voltar para essa posição”, diz Renan, que tem argumentos matemáticos para defender a decisão tomada.

 

Na temporada passada, pelo CMC Ravenna (atual CMC Romagna), ele foi o segundo maior pontuador do time, com 329 anotações em 23 partidas. Seu aproveitamento no ataque foi de 45,78%. No Pan de Toronto, quando foi o maior anotador da Seleção Brasileira e quarto do campeonato, foi o segundo no geral em percentual no ataque, com 52,67%.

 

Para se ter ideia do que significam esses percentuais, Wallace, pelo Sada Cruzeiro, titular da seleção, foi o atacante mais eficiente da Superliga 2014-15, com 41% de pontos marcados nas cortadas. E na temporada 2013-14, pelo Sesi, o próprio Renan obteve 38,81% nesse quesito. “Acho que melhorei bastante o meu ataque”, resume.

 

Se, nesse primeiro ano na Itália, observa que evoluiu na parte ofensiva em relação ao que jogava no Brasil, Renan compara também o voleibol de um país e de outro, de uma liga e de outra, dentro e fora da quadra. De acordo com ele, há uma diferença quantitativa no treinamento ministrado entre os dois países.

 

“No Brasil, treinamos bem mais a parte técnica do que na Itália, e também treinamos bem mais em quantidade”, compara. “Mas, como o meu técnico era argentino (Waldo Kantor), não via tanta diferença na metodologia que ele passava nos treinos, era muito parecida com o nosso trabalho daqui (do Brasil)”, pondera.

 

Contudo, é a loucura dos tifosi e a organização do campeonato que fazem a balança pender a favor da Liga Italiana de Vôlei na comparação com a Superliga Brasileira e garantem quase sempre boa presença de público nos ginásios, mesmo entre times da parte baixa da tabela. “Os italianos são apaixonados por vôlei e isso faz toda a diferença!”, exalta o brasileiro.

 

“A estrutura do campeonato é muito organizada, as datas são definidas meses antes de começar a Liga e a estrutura dos ginásios é fantástica. Temos muito a aprender com eles”, ressalta.

 

Ele não pensa em voltar tão cedo para o Voleibol Brasileiro. Isso dependeria “de alguns fatores: propostas, times, de como eu vou jogar… mas pretendo jogar lá fora por um bom tempo ainda”, afirma.

 

Por ora, é possível que a relação de Renan com o torcedor brasileiro aconteça, apenas, enquanto ele trajar o mesmo uniforme que ambiciona usar nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

 

João Batista Jr.




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