Search
Saturday 30 May 2020
  • :
  • :

Rosamaria: “Espero ter a oportunidade de voltar para a seleção”

Foto: Maurizio Lollini/3mmedia.it

Quando a liga italiana foi suspensa devido ao avanço do coronavírus (Covid-19), Rosamaria Montibeller já havia marcado 382 pontos a favor do Perugia, clube que escolheu para viver a primeira experiência no exterior. Voltando a jogar como oposto. a brasileira de 25 anos tornou-se a segunda maior pontuadora de um dos campeonatos mais tradicionais do mundo, superando experientes atacantes.

Por segurança, Rosamaria deixou a Itália e está novamente em casa, seguindo com o protocolo de quarentena. O desafio, agora, é manter a forma física, mesmo ainda sem uma definição do que acontecerá nos próximos meses. Em conversa com o Melhor do Vôlei, ela fala sobre os últimos meses vividos e a expectativa de vestir novamente a camisa da seleção.

Confira:

Como você avalia esta temporada na Itália?
Foi uma temporada super produtiva. Obviamente, como equipe, eu queria ter feito muito mais. A gente bateu na trave muitas vezes com o resultado, brigando bastante. Estamos na zona de rebaixamento, mas ainda não acabou porque nenhuma decisão oficial foi tomada. Ainda assim, fiquei muito feliz, porque todo mundo sabe da dificuldade que é uma primeira temporada fora, com adaptação ao campeonato, ao estilo de treino e de jogo, à cultura… No geral, a avaliação que faço é muito positiva, pois alcancei o que eu me propus a fazer.

Você teve uma boa adaptação ao país? O Perugia conta com boa estrutura?
A adaptação aconteceu de forma rápida. Acho que, por ter nascido em uma família de descendência italiana, já estava um pouco mais acostumada aos costumes. O Perugia tem uma estrutura muito boa, com um ótimo ginásio. A gente dividia o espaço com o clube masculino, que é muito forte. Apesar de ser uma outra organização, convivíamos com eles. Nunca faltou nada para a gente, a diretoria sempre esteve muito presente, assim como os patrocinadores.

Como é a convivência com Regiane? Ter outra brasileira na equipe ajuda no dia a dia?
Ter a Régis por perto era maravilhoso. Ela é uma pessoa ótima e engraçadíssima, além de ter me ajudado demais a passar pelos momentos complicados e a tornar ainda melhor os momentos bons. A gente se ajudava bastante e, como ela já estava na terceira temporada na Europa, me explicava muita coisa e saiba como tudo funcionava. Tivemos uma amizade muito boa e eu espero que continue assim, independente do caminho que cada uma escolher daqui para a frente.

Apesar do desempenho do Perugia, seus números pessoais te colocam como uma das principais atacantes. Voltar a jogar como oposto colaborou para o seu crescimento?
Sim, olhando os meus números, fiquei muito feliz. Na verdade, o contexto é diferente de jogar como ponteira. Atuar como oposta faz a atleta receber mais bola, mas acredito que cresci. É como eu me sinto mais à vontade e quando tudo flui mais naturalmente. Não somente pelo ataque, mas consigo ler o jogo muito melhor, inclusive no bloqueio e na defesa.

Você pensa em atuar como ponteira novamente? Qual é a sua preferência?
Obviamente, posso jogar como ponteira. Não é nada descartado e ter as duas opções sempre foi muito importante para mim e agregou demais na minha carreira. Hoje, a minha opção é ser oposto, mas se o clube que eu estiver defendo precisar, jogarei na ponta com muita alegria, mas sinto que o meu melhor resultado é na posição que estou agora, desempenhando o meu melhor voleibol.

Há planos para voltar ao Brasil na próxima temporada? São verdades os rumores de que você recebeu sondagem de um clube turco para deixar o Perugia?
Depois dessa situação do coronavírus, ainda não sei. Particularmente, se eu tivesse que escolher, continuaria na Europa. Percebi que ainda tenho a aprender lá fora e acho que ainda tem muita coisa que pode agregar na minha carreira. Claro que jogar no Brasil é muito bom e não descarto nenhuma possibilidade. Vou esperar com calma para saber o que acontecerá com o mundo depois desta crise econômica e de saúde. Sobre a sondagem, sim, aconteceu.

E quanto à seleção, você espera representar novamente o Brasil? Se fosse convocada para os treinamentos visando a olimpíada, aceitaria?
Espero ter a oportunidade de voltar para a seleção. Muitas das minhas escolhas entre o ano passado e este ano foram feitas pensando em voltar a defender o Brasil, inclusive a mudança para a Europa. Com certeza, gostaria demais de estar lá, não somente na olimpíada, mas para qualquer campeonato. Vamos ver o que acontece, porque esta temporada está um pouco conturbada. Quero estar pronta para, se acontecer, poder me apresentar da melhor forma possível.

Você acha que a seleção feminina tem chances de brigar por uma medalha em Tóquio?
Tem chances, sim. A briga será muito boa porque há várias seleções evoluindo a cada ano. As melhores jogadoras do Brasil hoje, como Tandara, Gabi Guimarães e Natália estão em ótima fase, são referências e estão com bons números. Não somente elas, mas também as outras selecionáveis. Vai ser muito difícil, mas o Brasil sempre foi muito bem representado. Acredito que a equipe vai trabalhar bastante para conseguir o melhor resultado possível.

Por conta do coronavírus (Covid-19), os jogos estão suspensos há algumas semanas e a situação da Itália é uma das mais graves. Como foi o seu retorno? Quando percebeu que o mais seguro seria voltar? Você está de quarentena?
Não há previsão de retorno, pelo menos até 3 de abril. Depois desta data, algo será definido de fato. Estou de quarentena desde que cheguei, da mesma forma como estava na Itália desde o dia 8 e vou continuar assim pelas próximas duas semanas. Tomei a decisão de voltar porque estava tudo muito incerto e, sinceramente, não tenho esperança de que o campeonato volte rápido. A gente viajou para jogar duas vezes, mas os dois foram canceladas e retornamos. Cada dia era uma novidade e a última partida que disputamos foi em 16 de fevereiro. Vi que a situação estava piorando, fiquei com medo de passar muito tempo sem treino e, consequentemente, ver cair meu rendimento. Como mencionei acima, voltei também pensando na seleção.

Há muitas especulações, inclusive sobre a liga retornando já nos playoffs. Era muita coisa envolvida, inclusive com as fronteiras podendo ser fechadas. Não era somente o medo com o vírus, mas todo um conjunto. Voltei ao Brasil para manter a minha forma física até para deixar em aberta a chance de voltar para encerrar a temporada ou mesmo, se acontecer uma convocação, não chegar muito defasada. Acontece que o vírus acabou chegando por aqui também com medidas drásticas, mas é o necessário. Paciência. Agora é pensar na na saúde de todos. A forma física dá para recuperar depois.

O que você pode falar da vida na Itália?
Desde o primeiro momento, fui muito feliz. De verdade. A liga, com certeza, é uma das mais fortes do mundo e que exige uma evolução diária. O nível é muito alto e o fato de haver o video-check em todas as partidas é muito importante. Que o sistema seja disponível em toda a Superliga o quanto antes, não somente nos playoffs.

Pensa em jogar em outras ligas?
Quero ter a oportunidade de jogar em outros países da Europa e competir em uma Champions League. Os planos de seguir fora estão neste sentido, mas ainda não tenho nada definido. Sempre gostei de mudanças e não sou uma pessoa que gosta de ficar um longo tempo numa mesma rotina. Estou disposta e aberta ao que tiver que acontecer para o meu crescimento.




Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Auto Notificar:
Translate »