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Thursday 28 January 2021
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Talmo de Oliveira: “O time está pronto. Agora é jogar a final”

Foto: Everton Amaro/Divulgação

Foco e trabalho. Essas são as palavras preferidas de Talmo de Oliveira. No comando do time feminino do SESI-SP desde o início do projeto, em 2011, o técnico sempre teve a visão de que os objetivos do grupo só são atingidos através de muito suor e concentração a cada partida.

Campeão olímpico em Barcelona (em 1992) e vice-campeão da Superliga Masculina 2009/2010, pelo Montes Claros, Talmo construiu um perfil no SESI-SP ao longo desses três anos de trabalho, que culminou com a espetacular campanha na atual temporada. Dos cinco campeonatos disputados, a equipe da Vila Leopoldina chegou às finais de todos, conquistando dois títulos. A terceira taça, a da Superliga 2013/2014, inédita tanto para as meninas do SESI-SP como para Talmo, poderá sair neste domingo, no templo do voleibol brasileiro, o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, contra o Unilever, a partir das 10h.

Em um bate-bola, o treinador fala um pouco da agitada temporada, com fases bem difíceis, mas também de muita alegria. Foram três anos para chegar à primeira decisão da principal competição nacional e logo contra uma equipe que está em sua décima decisão seguida. Mas isso não assusta em nada o medalha de ouro de Barcelona, nem sua equipe. Afinal, para Talmo, o caminho da vitória passa por duas palavras: foco e trabalho.

Em 2010, você fez sua primeira final de Superliga, pelo Montes Claros (com derrota para o Cimed). Desde então, o que mudou no Talmo para a final deste domingo?

Talmo: Mudei muito. Se eu continuasse sendo a mesma pessoa de quatro anos atrás, estaria errado, não é? Mudou a experiência e também a maturidade. Trabalhar com masculino e feminino é um aprendizado muito grande. Eu chego muito mais maduro para esta final.

O quanto é diferente o trabalho com o masculino e o feminino?

Talmo: É bem diferente. Muito mesmo. A essência do voleibol, ali dentro da quadra, não. Mas, em termos de comportamento e tratamento dos atletas, é bem diferente.

A equipe deste ano é nova e chegou a todas as finais do ano (Copa São Paulo, Paulista, Copa Brasil, Sul-Americano e Superliga). Se a de domingo fosse a primeira, a equipe poderia sofrer com inexperiência. Mas as finais anteriores serviram como uma espécie de vestibular para este jogo?

Talmo: Não só as finais. Durante toda a temporada nós tivemos momentos bem diferentes uns dos outros, com altos e baixos muito distintos. Foram esses momentos que fizeram o time ganhar a maturidade necessária para esta partida.

Como você vê a final contra uma equipe extremamente experiente em decisões de Superliga?

Talmo: A experiência delas é incontestável. São dez finais já. Mas o time de lá também tem jogadoras novas e com a função de decidir. As duas equipes chegaram à final e estão credenciadas para o título. O grande diferencial será o momento de cada uma, no jogo. Quem suportar melhor a pressão, quem tiver um comportamento melhor e quem iniciar o jogo buscando mais o equilíbrio técnico, tático e psicológico terá grandes chances de conquistar o título.

Você algumas vezes disse que os playoffs eram outro campeonato, com menos possibilidades de erros. Agora, a final é em um jogo só. Você prefere assim ou um playoff de três partidas?

Talmo: Temos que parar de contestar o que já foi acordado. Se foi acordado assim, se os clubes aceitaram, então é assim. Tem os riscos e as oportunidades. Pode ser ruim e pode ser bom. E temos que trabalhar o tempo inteiro com o lado positivo. Temos que tirar dessa situação o melhor possível.

Você já decidiu uma vez e foi derrotado. Acha que a decisão em um único jogo é cruel?

Talmo: Acredito que você pode explorar o glamour do jogo. É decisivo. A atenção estará toda nesse jogo. A imprensa, mídia, público, atletas, amantes do voleibol, estarão todos ligados. Esse é o lado positivo. E é essa a realidade. Na outra nós nem pensamos.

No final de 2013, o time teve um momento complicado com derrotas inesperadas e contusões. Mas o time superou tudo e conseguiu os excelentes resultados. Qual foi o aprendizado que você e a equipe tiraram daquela fase?

Talmo: Antes é preciso lembrar que até aquele momento, de duas competições disputadas, nós tínhamos chegado às duas finais. As pessoas precisam entender que existe um processo e um resultado final. No resultado, tínhamos atingido os objetivos. No processo, existiu o amadurecimento de uma equipe nova, que foi remontada esse ano e que conquistou os seus objetivos. As derrotas fazem parte. Nossa trajetória na Superliga foi de 31 partidas, onde vencemos 21 e perdemos 10. Nos playoffs, nós tiramos uma equipe que esteve invicta o tempo todo. Então, qual a verdade aí? Quem foi o maior? Quem está saindo com a credencial de ter passado à final? O time teve um calo, uma casca que teve que ser fortalecida. Não vejo uma árvore grande e forte sem uma casca grossa também. O que para muitos poderia ser um momento desesperador, para nós foi um processo de maturação, aprendizado e evolução. Nós sabíamos onde a equipe poderia chegar.

Qual foi a fórmula? Teve muita conversa?

Talmo: Trabalho. Seguimos trabalhando, trabalhando e trabalhando com todo mundo concentrado. A derrota que mais chamou a atenção foi a do Maranhão. Ali a gente teve que dar mais atenção e ter mais foco. Passamos o Natal e veio o início do ano, quando treinamos com muito foco, com uma entrega total para cada detalhe. Esse foi um grande diferencial. Quando enfrentamos o Araraquara, muitos diziam que já estávamos fora dos oito. Ganhamos e passamos para sétimo. No início da temporada, lá trás, nós fizemos um planejamento para ficar entre os quatro e ter o mando de campo. Conseguimos. Com todos os atropelos, conseguimos. Com toda a turbulência. Mas em nenhum momento entramos em desespero. Nossa realidade era bem diferente. Ganhamos do Araraquara, passamos para sétimo lugar e fomos crescendo. Perdemos uma partida para Osasco, mas continuamos crescendo e tivemos uma sequência de vitórias muito grande. Na Copa Brasil, fomos para a final e conseguimos a vaga para o Sul-Americano. Toda aquela fase serviu como amadurecimento da equipe. Acho que ter chegado àquela final nos fez pensar que estávamos grande. O vice da Copa Brasil foi o grande passo para ser campeão Sul-americano. Ali vimos que ganharíamos a competição. Trabalhamos para ganhar o tempo inteiro. Ali foi o grande passo que demos.

No início da temporada, você disse que o Sesi-SP era ainda uma equipe em formação. Então aconteceu essa temporada 2013-2014 fantástica, com o time chegando a todas as finais. A temporada foi acima do que esperavam, ou era esse o planejamento desde o início?

Talmo: De forma nenhuma foi acima. A gente sabia que tinha uma equipe com atletas de qualidade. Termos chegado a todas as finais não foi surpresa nenhuma, vendo o trabalho que a gente faz aqui. O que nos dá uma certeza muito grande é que a cada temporada a gente vem evoluindo e amadurecendo com a equipe. Estamos sempre buscando novos potenciais e qualidades técnicas. As estratégias dos demais anos também foram muito bem traçadas. Na primeira temporada ficamos em quinto. Na segunda, em quarto. Na terceira temporada estamos na final. Isso é a evolução normal quando se tem planejamento, organização e uma instituição que preza pelo trabalho. No primeiro ano, quando montamos o time, tivemos problemas na pontuação. A equipe estava no limite, com pontuação estourando, e não conseguimos trazer muitas jogadoras. Alguns não viram credibilidade no projeto, que era novo, e não quiseram vir. E nisso nós tiramos o chapéu para a Dani Lins. Ela comprou o projeto, acreditou. Assumiu a responsabilidade e agora vemos a sua evolução depois de todo esse tempo.

Nesta temporada o time chegou ao topo. Como será a cobrança para manter o nível para a próxima? Você pensa isso?

Talmo: Ninguém busca mais a performance e o rendimento do que eu. Eu amo o que eu faço aqui na quadra. Ninguém trabalha mais do que nós aqui. Independentemente do time que tiver na próxima temporada, vamos trabalhar pelo melhor. Mas hoje o foco está na final da Superliga. Gastar energia com isso, com o futuro, agora, não vale.

Sendo um time novo, com todo o entrosamento que isso requer, em que ponto está a equipe para a decisão? Está pronto, ou você gostaria de ter tido mais tempo?

Talmo: Está pronto. Agora é colocar a cabeça na final. Mas sem a cobrança excessiva que possa travar tudo. Estamos focados, mas vamos lá para nos divertir dentro de quadra. Todo mundo está seguro do que precisa ser feito.

A Unilever terminou a série dela há mais tempo e descansou mais. Isso pesa ou faz alguma diferença?

Talmo: É uma comissão técnica experiente ali. Já passaram por isso de ter que esperar mais tempo ainda e sabem lidar com a situação. Nós terminamos uma semifinal difícil, puxada, desgastante, mas focada para o próximo jogo. Não faz diferença, não.

Como está o Talmo na semana da final? Tem alguma superstição? Perde o sono analisando o jogo?

Talmo: Não tenho nada diferente. Sou eu mesmo. A vida é maior do que aqui. Dentro de quadra eu fico 100%, mas fora, tem a família, que está sempre acompanhando, sempre junto. Fora daqui eu desligo. Quando chega perto do jogo, aí sim eu começo a treinar, estudar. Mas eu também preciso tocar minha vida.




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