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Wednesday 2 December 2020
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Técnica de Lucas do Rio Verde/MT é a única representante feminina na etapa Cerrado

Foto: Alexandre Arruda/CBV

Na lateral da quadra do Ginásio Internacional Newton de Faria, em Anápolis (GO), onde acontece a primeira etapa da Supercopa Banco do Brasil de Voleibol, a etapa Cerrado, uma mulher de 52 anos e cerca de 1,60m de altura se destacava na última quarta-feira (08/05) entre mais de 20 homens, com estaturas que podem ultrapassar os 2 metros. A técnica Tereza Garcia orientava os jogadores de sua equipe, Lucas do Rio Verde, representante de Mato Grosso, na sua estreia na competição, contra os donos da casa, Monte Cristo. Única mulher a dirigir um time masculino universitário no país, ela chama atenção não só pelas joias, o cabelo bem penteado, as unhas azuis e os discretos brilho labial e lápis de olho que usa, mas também pela firmeza ao conduzir o time. A seriedade, ela diz, é sua maior aliada para derrotar os adversários e enfrentar situações embaraçosas com as quais, às vezes, ainda se depara.

“Já fui tratada de forma diferente por árbitros e alguns técnicos não me cumprimentaram em quadra porque ficaram esperando ‘o treinador’ de Lucas do Rio Verde entrar”.

Esse tipo de comportamento, no entanto, costuma acabar rápido, quando a técnica mostra sua competência e conta as conquistas do projeto com o qual se envolveu há 10 anos. A equipe de Lucas do Rio Verde existe há uma década e soma títulos em competições estaduais e torneios universitários pelo país. O time surgiu de uma iniciativa social que tem o apoio da prefeitura da cidade e busca jogadores em condições socioeconômicas difíceis. Os jovens recebem bolsas de estudos nível universitário e passam a ser assistidos de perto pela professora.

A liderança vai além do vôlei: para fazer parte do time, os atletas têm que ser bons alunos, e cumprir regras como ter boa conduta cidadã e não beber e fumar. Os jogadores trabalham em projetos da prefeitura ou em empresas patrocinadoras da equipe, estudam e treinam quatro vezes na semana, das 22h à 1h.

“Eu digo a eles que o vôlei é um meio. O objetivo final é construir uma história de vida de sucesso. Os meninos, junto com meu marido, são minha família”, explica a professora que não teve filhos.

Estudiosa, Tereza se diz uma estrategista. Participa constantemente de congressos técnicos e já fez estágios com Percy Oncken, da seleção infanto-juvenil, e Bernardinho, atual campeão da Superliga feminina e treinador da seleção masculina. Além disso, está fazendo mestrado em voleibol alto nível em Córdoba, na Espanha.

A determinação aparece também na vida pessoal. Ano passado, descobriu que tinha um tumor no cérebro. Depois de passar por uma cirurgia delicada, ela voltou ao time 30 dias após ter alta.

“Eu não queria que o projeto parasse e voltei porque quis, mesmo com algumas restrições. Levo meu trabalho à frente do vôlei em Lucas do Rio Verde muito a sério”, afirmou.

A dedicação e o profissionalismo da professora diante de um time de vôlei masculino não escondem o lado feminino.

“Sou muito vaidosa e consumista, Adoro joias e bolsas. Mas quando estou trabalhando busco a sobriedade, para que as atenções estejam sempre voltadas para o esporte”, explica.

Apesar de seu time ainda não ter vencido na Supercopa, Tereza vê as duas partidas disputadas como experiências positivas.

“Evoluímos de um jogo para o outro. No último, demos trabalho ao adversário e vimos aonde podemos chegar. A diferença se deu no detalhe, no equilíbrio psicológico”, disse, sobre a partida contra o Dom Bosco/MS na última quinta-feira (09/05), quando o resultado foi 3 a 2 para a equipe sul-mato-grossense, parciais de 25-22, 22-25, 25-17, 23-25 e 15-10. 




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