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Friday 4 December 2020
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“Trabalha-se com a sensação de que se está mendigando o tempo todo”, afirma Vandeca sobre categorias de base no Brasil

Foto: Divulgação

Vandeca (de branco) é a técnica do Nova Trento

Quinze anos de trabalho com categorias de base no interior de Santa Catarina. Essa é uma das descrições possíveis para a carreira de Vandelina Tomasoni Ribeiro, também conhecida com Vandeca. Atualmente, a idealizadora do projeto Nova Trento Vôlei desenvolve um dos principais projetos na preparação de atletas no Brasil.

Recentemente, a equipe comandada pela técnica em Nova Trento foi campeã dos Jogos Escolares Estaduais e garantiu vaga para representar o Estado de Santa Catarina nos Jogos Brasileiros da Juventude, que serão disputados em Belém entre 10 e 17 de novembro. Se a equipe catarinense for bem-sucedida na fase nacional, representará o Brasil no Mundial da Inglaterra, em 2014. Em temporadas anteriores, o time já teve conquistas como o Torneio Amizade Itália (2005), segundo lugar no Campeonato Escolar Sul Americano no Chile (2007) e bronze no Mundial da China (2010), além dos títulos nacionais conquistados a partir de 2007.

Natural de Nova Trento, Vandeca decidiu implementar o projeto devido a sua grande paixão pela modalidade. “Posso garantir que estes anos estão estão sendo os melhores anos da minha vida, mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos para mantê-lo. Acredito que podemos fazer mais e melhor, mas, para isso, precisamos encontrar pessoas dispostas a investir no esporte com o objetivo não só do retorno financeiro, mas de formar pessoas melhores. Isso não tem sido uma tarefa fácil.”, confessa Vandeca, que defendeu o time da cidade por muitos anos antes de ser responsável pelas categorias de base.

Rosamaria Montibeller (Vôlei Amil) foi uma das atletas reveladas pelo projeto. Natural de Nova Trento, a oposto é lembrada com carinho por Vandeca: “ela foi campeã em todas as categorias”, informa a técnica. Além de Rosamaria, já passaram pelo projeto Duda Kraisch (Barueri), Raquel Silva (São Caetano) e Raphaela (ex-Pinheiros). Karoline Tormenta, que conquistou o bronze no Mundial Infanto Juvenil, e Amabilie, que sempre é convocada para a Seleção Juvenil, são os destaques atuais do Nova Trento.

O projeto

O Nova Trento Vôlei tem uma administração familiar. Ricardo Ribeiro, filho de Vandeca, auxilia o técnico Marcelo Garim e está quase formado em Educação Física. A filha, Isadora Ribeiro, joga na equipe de Nova Trento. Além da ajuda do marido, Vandeca Tomasoni também conta com a colaboração da população da cidade, que soma mais de 14 mil pessoas.

Atualmente, há dois apartamentos que servem como alojamento para meninas que chegam de outras cidades. A estrutura também engloba academia, fisioterapia e parceria com escolas. Devido a dificuldades financeiras, apenas as atletas que têm bons resultados recebem ajuda de custo. Na maioria das vezes, as famílias ajudam a custear os treinos das filhas.

A concretização do projeto exigiu de Vandeca cursos especializados de voleibol para a obtenção do CREFF provisionado, já que a técnica não é formada em Educação Física. “O projeto ainda está em pé porque prometi a mim mesma que não desistiria até esgotar todas chances de encontrar uma saída mais tranquila pra mantê-lo. Minha vida virou voleibol”, explica.

Passos atrás

Para Vandeca, as dificuldades financeiras atrapalham a prosperidade de projetos voltados às categorias de base no voleibol. “Trabalha-se com a sensação de que se está mendigando o tempo todo. Estamos muitos desorganizados ainda, muito longe do ideal. Não existe preocupação e muito menos investimento para projetos formadores.”

A solução para os problemas enfrentados pela base no Brasil englobam fatores como difusão do esporte nas escolas, valorização dos profissionais de formação, boa gestão e estruturas adequadas. “Muito se fala no esporte como meio de educar, mas nem os pais e muito menos o poder público conseguem olhar para o esporte dessa forma. Os pais punem os filhos tirando do esporte. Além disso, quando o poder público precisa conter despesas, o esporte é o primeiro da fila”, argumenta a idealizadora do NT Vôlei.

Ao falar sobre o voleibol brasileiro, Vandeca é categórica: “Podemos dizer que estamos bem pelos resultados que o Brasil vem alcançando, mas podemos ser melhores. Estamos deixando de formar muitos atletas, por falta de investimentos corretos e trabalhos inadequados. Com isso, muitos jovens talentos acabam ficando pelo caminho, ou abandonando por falta de grandes expectativas. O que pode melhorar é um investimento direto nos projetos de base que estão se destacando, e assim oportunizar muito mais meninos e meninas com biotipo e sonho de seguir carreira”, declara.




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