Search
Tuesday 11 August 2020
  • :
  • :

Entrevista: Uma quarentena de muito trabalho para Fê Isis

Foto: Gaspar Nobrega/Inovafoto

Com o avanço da pandemia, o calendário esportivo foi suspenso e os atletas tiveram que se readaptar a uma nova rotina. Muitos também estão aproveitando esse período para planejar o futuro, como é o caso da central Fê Ísis, que completa 36 anos nesta quarta-feira (15). Enquanto não se apresenta ao Brasília Vôlei, clube que defenderá na temporada 2020/2021, ela estuda e foca as atenções para o desenvolvimento da marca de roupas que criou, a Fê Isis For You, voltada para mulheres altas.

Central estava no Flamengo. (Foto: Arquivo pessoal)

“Os meus dias de quarentena têm sido bem corridos. porque nunca tive tanto tempo para dedicar ao meu negócio. Desde então, venho estudando e entendendo melhor sobre coisas que eu não entendia. São meses que eu tenho ficado muito mais sozinha do que na companhia de outra pessoa. Quando se está literalmente sozinho, sobra mais tempo até para as coisas simples, como organizar um guarda-roupa ou pintar uma parede que esteva suja”, disse.

No enfrentamento do coronavírus (Covid-19), o isolamento social se faz necessário, mas a internet aproxima os clientes. “Não preciso sair para a rua porque a profissão que eu escolhi para além das quadras não depende de interação direta com outras pessoas. As vendas são online.”

Confira abaixo a entrevista completa com Fê Ísis:

Como tem sido os últimos meses de quarentena?
Tenho vivido um dia de cada vez, mas aproveitando bastante, sem pressa. Parece que, a cada dia que passa, descubro mais coisas que sempre deixei de lado.

Para um atleta, quais são os desafios de manter a rotina de treinos?
Logo após os decretos do governo de isolamento total, eu consegui durante três semanas me manter ativa dentro de casa. Depois de um tempo, eu comecei a repetir os mesmos exercícios. Como não tinha peso, não tive evolução. Tenho feito aulas particulares de Muay Thai, que é um esporte que trabalha todos os membros do corpo. Tenho mantido a forma assim porque o gasto calórico é muito alto. Não é o ideal, mas sinto que o meu cardio está em dia.

Você acredita que a pandemia vai prejudicar os clubes na próxima temporada?
Espero de coração que não. Muitas áreas já foram afetadas, mas que a Superliga não seja. As pessoas que amam o vôlei e os atletas estão sedentos pelo esporte. Acho que a próxima edição vai ter muita visibilidade e audiência porque as pessoas estão com muita saudade. Quanto estamos longe do esporte é que percebemos o quanto o amamos. Sinto isso pelas interações com os torcedores. Teremos tempo para recuperar a parte física e espero que tudo evolua positivamente.

Você vai jogar novamente em Brasília. Como você avalia o elenco já divulgado?
Historicamente, o vôlei mostra que grandes times montados para serem campeões não foram, enquanto outros medianos chegaram lá. Pelas jogadoras que já foram contratadas, tem tudo para dar liga.

Foto: Divulgação

Você tem a sua marca de roupas há alguns anos. De onde surgiu a ideia? Essa é uma área que você pretende seguir depois que deixar as quadras?
Eu não tinha a mínima ideia que fosse vir a trabalhar com moda um dia. Sempre gostei muito e a minha marca começou quando eu percebi que não havia roupas para o meu tamanho no mercado. Comecei a fazer aula de costura para ter as minhas próprias peças. Depois, fiz para algumas jogadoras amigas. Vi ali uma oportunidade para empreender e ganhar dinheiro, apesar de estar fazendo algo que considerava um lazer. As coisas foram acontecendo naturalmente…

Estamos vendo movimentos antirracistas em diversos em diversas partes do mundo, principalmente após o assassinato de George Floyd. Você já foi vítima do racismo no esporte?
Nunca fui vítima dentro do esporte, Graças a Deus, mas sei de fatos que aconteceram com outras atletas.

Como atleta, você também acha importante levantar bandeiras igualitárias e ter posições políticas?
Sim. Na realidade, cada um tem sua visão sobre política e mundo. Mas algumas questões, como o racismo e a homofobia precisam ser debatidos. É possível ter divergências entre um sistema político, por exemplo, que pode mudar. Mas ninguém deixa de ser negro ou gay. São dois assuntos fundamentais que deveriam ser discutidos, especialmente por atletas que são influenciadores nas redes sociais. Acredito muito que essas pessoas, vistas como ídolos, têm um poder de alcance grande, chegando até racistas e homofóbicos. Essas manifestações servem para mostrar um outro lado, com visões e lutas diárias. É muito importante! Grandes atletas tomam posições, mas muitos ainda em silêncio, como se esses problemas não existissem e a chuva só caísse no quintal do vizinho. Mesmo assim, acho que estamos melhorando.

O que a Fernanda Ísis projeta para o futuro?
Nos últimos três anos, desde que eu lancei a marca, a minha vida mudou completamente. Tenho conhecido lugares, pessoas e passado por situações situações que eu nunca imaginei passar, muito mais positivas do que negativas. Aprendi a ser menos ansiosa e a deixar as coisas nas mãos de Deus. Tenho muitos planos. Não pretendo jogar por mais muito tempo, quero alavancar a Fê Isis For You e a realizar algumas coisas pessoais…

Mas eu também aprendi que, toda vez que eu quero algo, Deus me mostra um caminho diferente. Aprendi a aceitar as decisões Dele e a viver o presente. Quero viver bem e ter uma velhice saudável.

Enquanto os jogos não retornam, relembre momentos de destaque da Fê Isis em ação pelo Flamengo:




Subscribe
Auto Notificar:
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Translate »
213
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x