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Tuesday 14 July 2020
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Vaccari: “Meu grande objetivo é representar o Brasil em uma olimpíada”

Foto: Divulgação/Vôlei Renata

Assim como boa parte dos brasileiros, o atacante Gabriel Vaccari também tem vivido altos e baixos por conta da pandemia. Com a antecipação do fim da temporada, entrar em quadra para representar o Vôlei Renata na Superliga não foi mais possível por medidas de segurança. Desde então, ele está com a família e busca motivação para manter a forma e seguir em busca do talvez principal sonho da carreira: disputar uma olimpíada.

Revelado no Sesi-SP e com passagens pelas categorias de base da seleção, Vaccari chegou ao clube de Campinas-SP em 2018.  Aos 23 anos, ele já é considerado um dos pilares da equipe pelas boas atuações.

Ao Melhor do Vôlei, o atacante falou sobre a rotina dos últimos meses e a torcida especial que tem da esposa Dayane Pureza (irmã do líbero Douglas Pureza) e da filha Helena, além dar enfáticas declarações sobre o atual momento político e a luta contra o racismo e as demais formas de preconceito.

“É muito fácil assinar um manifesto e não comprar a briga e ir à luta. Mudarmos a nossa mentalidade é o que realmente importa, até mesmo dentro de casa ou entre os amigos.”

Como tem sido a quarentena?

Esse período tem um lado bom e um outro ruim. Estou na casa da minha mãe, com a minha esposa e a minha filha. Então, a gente aproveita, o que é positivo. Geralmente, não conseguimos ficar tanto tempo juntos. Por outro lado, passamos por vários sentimentos. A gente se desmotiva, depois volta a se motivar, a pensar nos sonhos… Treinamos, treinamos e treinamos, mas vem uma nova desmotivação porque estamos sem perspectiva. O último mês tem sido bom. Estou me exercitando todos os dias, quase uma pré-temporada por conta própria.

Você acredita que a pandemia vai prejudicar os clubes na próxima temporada? Como avalia o atual cenário do voleibol no Brasil?

Acredito que sim. Nosso esporte depende muito de patrocínio e de empresas. Mesmo sem a pandemia, muitos clubes acabam e não honram os compromissos. A pandemia abalou o cenário econômico, atingindo patrocinadores e, consequentemente, os times.

Já surgiram propostas para jogar no exterior? Você tem vontade de atuar fora?

Surgiram muitas propostas, inclusive nesta temporada. Tenho bastante vontade… Futuramente, quem sabe? Minha intenção é jogar na Europa ou até mesmo na Ásia, especialmente a liga japonesa.

Sobre a seleção, você espera ter mais oportunidades no próximo ciclo olímpico? Representar o país na maior competição do mundo está em seus planos?

Espero que sim, até mesmo no próximo ano. Vejo que sou capaz e tenho qualidade para estar lá. Meu grande objetivo é defender o Brasil em uma olimpíada.

Vaccari com a esposa Dayane e a filha Helena. (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Além das quadras, você também compartilha alguns trabalhos como modelo. Você gosta de moda? Pretende conciliar as duas carreiras?

Tiro umas fotos, faço uns trabalhos de modelo [risos…]. Basicamente, tudo aqui em Goiânia, onde a minha família por parte de mãe é bem ligada à moda e ao jeans. Sempre que eu e a minha esposa podemos, tiramos fotos e participamos de alguns eventos. Se for possível, vou conciliar o esporte com a moda.

Você é casado e tem uma filha. Ver a sua família torcendo nas arquibancadas é um incentivo a mais?

É um grande incentivo! Desde o aquecimento, eu já procuro por elas. Me sinto feliz e realizado! Quero fazer um bom trabalho para elas. Tem muita coisa por trás dos treinamentos e dos jogos e a nossa família vem sempre em primeiro lugar.

Muitos atletas estão se posicionando politicamente e, no último mês, foi lançado o “Esporte Pela Democracia”. Você assinou o manifesto? Acompanha as discussões políticas e sociais do país?

Tomei conhecimento do manifesto e li um pouco sobre ele nos últimos dias, mas não tenho acompanhado a política. Por isso, não assinei. Para te falar a verdade, tenho tenho visto poucas notícias na TV e até mesmo no celular. Eu mesmo postei sobre a campanha #BlackLivesMatter. São assuntos que devem ser discutidos e colocados em pauta por todos.

O caso do George Floyd lá nos Estados Unidos ganhou bastante repercussão, assim como o do João Pedro por aqui. Minha esposa é carioca e sempre fala que esse tipo de violência é muito comum no Rio de Janeiro, mas no Brasil não tem esse apelo. Aproveitamos o movimento americano e abraçamos a causa aqui. Tem que ser colocado na mídia, não apenas pelo racismo, mas também contra a desigualdade de gênero, a homofobia… Qualquer tipo de preconceito é muito prejudicial à sociedade.

É muito fácil assinar um manifesto e não comprar a briga e ir à luta. Mudarmos a nossa mentalidade é o que realmente importa, até mesmo dentro de casa ou entre os amigos. Temos que falar se estivermos diante de alguma atitude preconceituosa. Todo o ser humano deve ser tratado igual. O que acontece e o que eu vejo é que os nossos governantes têm banalizado totalmente o esporte, a ciência e a cultura, que são de grande importância para o país.

Também entendo que aqui não existem condições iguais para todos. Por exemplo, uma pessoa que mora na periferia nem sempre vai ter as mesmas condições da outra que tiver um centro de treinamentos à disposição. É por aí que deve ser luta, para que as oportunidades cheguem em todos os lugares. Quando isso começar a acontecer, qualquer atleta vai ter orgulho de vestir a camisa do Brasil e ir para competições porque vai saber que defenderá uma nação que luta pelo que é certo.




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