Rodada final das eliminatórias da Norceca para a Copa do Mundo feminina de Vôlei foi das mais tensas. O dia começou com as porto-riquenhas cumprindo seu papel e vencendo as canadenses, e terminou com as porto-riquenhas sem querer botar as medalhas de bronze no peito. “Elas aceitaram ir à premiação, mas, em sinal de protesto, pegaram as medalhas com a mão, não deixaram colocá-las no pescoço. Foi de forma respeitosa, mas fazendo perceberem o que sentíamos”, explicou o presidente da Federação Porto-Riquenha de Voleibol (FPV), Nelson Perez. No fim, as duas vagas da América do Norte e Central foram para a Rep. Dominicana e Cuba, que hospedou o quadrangular final.
O regulamento do Final Four da Norceca foi pouco usual, para dizer o mínimo. Em caso de duas ou mais equipes terminarem empatadas no número de vitórias, ficaria à frente o time que tivesse mais pontos. Até aí, nada anormal, já que a FIVB está usando o mesmo sistema na Liga Mundial. No entanto, o sistema de pontuação indicava que: 1) nas partidas que terminassem em 3 a 0, o time vencedor levava cinco pontos e o perdedor, nenhum; 2) no caso de 3 a 1, quatro pontos para o vencedor, um para o perdedor; e 3) em caso de 3 a 2, três pontos para o time ganhador, dois para o outro. Mantida a igualdade, valeriam os pontos average e, em seguida, o set average – ordem inversa à que a federação internacional tem utilizado já há algum tempo.
No fim do torneio, com vitória de Porto Rico sobre o Canadá por 3 a 0 (25-21, 25-17, 26-24) e de Cuba sobre a Rep. Dominicana por 3 a 1 (22-25, 25-18, 25-13, 25-23), dominicanas, cubanas e porto-riquenhas tinham duas vitórias e uma derrota. No primeiro critério de desempate, os pontos, as dominicanas alcançaram 10 contra 9 dos dois rivais e se classificaram. Restava a Cuba e Porto Rico disputarem nos pontos average e aí a vantagem cubana foi centesimal: 1,06 contra 1,05, distância curta, mas suficiente para abocanhar a segunda vaga para a copa.
A grita das jogadoras e comissão técnica de Porto Rico é que, como bastava à Rep. Dominicana vencer um set para ganhar um ponto e não ser mais alcançada na classificação, logo que a missão foi cumprida, ainda na primeira parcial (25-22), o time, segundo Nelson Perez, “entregou a classificação para Cuba”. De acordo com o presidente da FPV, a Rep. Dominicana passou a mudar deliberadamente a posição original das atletas em quadra e a poupar titulares. Depois do primeiro set, Prisila Rivera não entrou mais em quadra e Mambrú atuou pouco. (Bethania de la Cruz, mesmo inscrita, mas sem a forma física ideal, não foi acionada em nenhuma partida do torneio.)
“Cuba jogou uma boa partida. Viemos nos classificar para o Japão e tínhamos de pensar nas jogadoras que reclamavam de lesão desde o primeiro dia (de Final Four). Eu não podia correr nenhum risco com elas, porque temos uma temporada longa, com vários compromissos neste ano. De qualquer maneira, foi um jogo árduo, exceto no terceiro set (13-25), onde tivemos problemas”, justificou o técnico brasileiro da Rep. Dominicana, Marcos Kwiek.
O desejo de Nelson Perez, no entanto, é de que o treinador brasileiro seja punido.
“(Marcos Kwiek) agiu de maneira antidesportiva, esse não era qualquer torneio. Foi uma falta de respeito ao esporte. Vamos ver no artigo 12 do Código Disciplinar (que trata de desonestidade em competições) se poderemos mover uma ação contra o treinador”, reclamou o cartola, insinuando ter havido marmelada.



