A derrota para a França na primeira rodada das finais da Liga Mundial deixou a Seleção Brasileira masculina de Vôlei numa situação das mais complicadas. Vencer os EUA na tarde desta quarta-feira, no Maracanãzinho, talvez nem seja suficiente para se classificar às semifinais do torneio. Situação incômoda, mas não inédita, nem à história do voleibol masculino do país nem à atual geração de jogadores.
“Uma vitória de 3 a 0 nos dá a classificação. Na Liga Mundial (de 2014), a gente foi para a Itália precisando ganhar dois jogos de três pontos, e conseguiu. Então, é acreditar no potencial da equipe”, recordou o ponteiro Lucarelli.
Uma ocasião, também no ano passado, menos dramática do que foi a classificação às finais da Liga, observada por Lucarelli, e mais parecida com o momento atual foi no Campeonato Mundial da Polônia.
Com o mesmo formato desta fase da Liga, o mundial separou os seis times classificados à terceira fase em duas chaves, nas quais os dois melhores colocados de cada grupo avançariam no torneio. Uma derrota por 3 a 2 para a Polônia na abertura da fase ofereceu dois caminhos ao Brasil na partida do dia seguinte, contra a Rússia: vencer e jogar as semifinais ou perder e disputar uma melancólica decisão de quinto lugar. O Brasil, com nove dos jogadores que estão no grupo atual, venceu os russos em sets diretos.
Uma coincidência com aquela terceira fase é que Wallace também ficou fora daquele primeiro jogo – ali, por uma torção no pé, hoje, por dores na região lombar. Mas, se em Lodz ele voltou para ajudar o time na hora mais crítica, é possível que, no Rio de Janeiro, ele não consiga entrar em quadra. De passagem pela zona mista, no final do jogo contra a França, ele tinha um semblante mais tranquilo do que tinha na terça-feira, contudo, disse que, apesar da medicação, a dor não cessava.
Em fases decisivas de Ligas Mundiais, a Seleção Brasileira, já com Bernardinho no comando da equipe, superou derrota na estreia por duas vezes para levantar o troféu no domingo. Em 2006, depois de perder para a Bulgária, o Brasil se recuperou com vitórias sobre Itália e Rússia. No ano seguinte, repetiu-se a derrota para os búlgaros, e o time se recuperou contra os russos no jogo chave.
“Amanhã (hoje) é um teste importante para nossos jogadores, vamos ver como eles reagem a uma situação como essa. Vamos para o tudo ou nada e torcer para que a França (na sexta-feira) faça um bom resultado contra os EUA”, avaliou o técnico Bernardinho.
Há duas possibilidades, porém, para que o Brasil nem precise esperar pela sexta-feira para saber se vai jogar no sábado. Vencer os EUA por 3 a 0 assegura a classificação do time, assim como a vitória por 3 a 1, desde que obtenha, ao menos, 11 pontos a mais do que os EUA em toda a partida. Se o Brasil vencer por 3 a 1, mas com uma diferença mais apertada na pontuação, ou vencer por 3 a 2, o confronto entre EUA e França volta a interessar – no caso de uma vitória brasileira em cinco sets, a França já entraria em quadra classificada.
Como resumiu Murilo, o Brasil “tem que encarar (o jogo contra os EUA) como uma final, porque se perder, a gente já está fora da competição, não joga nem no fim de semana. Então, para ser campeão, a gente tem que jogar três finais a partir de amanhã (hoje).”
“O jogo da França passou, a gente não vai jogar (essa partida) de novo. Agora, é estudar os EUA, um time que vem apresentando um excelente voleibol nesta Liga Mundial, para a gente não ser pego de calça curta”, advertiu o ponteiro.
A bola sobe para Brasil e EUA às 14h05. O segundo jogo do dia é entre Itália e Polônia.
Por: João Batista Jr. (do Rio de Janeiro)



