Sentados à beira da piscina, Bruno e Gabi também exploraram os desafios que enfrentaram quando tomaram a difícil decisão de deixar o voleibol brasileiro para continuarem progredindo em suas carreiras jogando por times do exterior.
“Eu tinha um planejamento de jogar fora do país, mas foi um processo complicado até eu entender se eu estava pronta para dar esse passo ou não,” Gabi relembrou. “Eu tinha passado por algumas lesões e me questionava se eu tinha nível para atuar nas principais ligas do mundo. Eu comecei a pensar nisso logo após as Olimpíadas do Rio, em 2016, em um momento em que eu ainda estava conquistando meu espaço na seleção, e entendi que eu precisava estar mentalmente pronta não só como atleta, mas também como pessoa, e que talvez naquele momento eu precisasse sair da minha zona de conforto e fazer alguns sacrifícios para poder dar um passo à frente na minha carreira.”
A primeira experiência internacional da capitã da seleção brasileira trouxe grandes responsabilidades, já que ela se transferiu para o VakıfBank, da Turquia, um dos principais times do mundo, na temporada 2019-2020 e chegou como uma das principais estrelas de uma equipe que tinha enormes ambições.
“O cenário que encontrei no momento em que cheguei lá mudou a minha cabeça,” disse Gabi. “Desde o primeiro momento, entendi que era um outro nível de voleibol. Foi muito exigente e desafiador no começo. Construí uma ótima relação com o Giovanni Guidetti (técnico italiano) e ele foi extremamente importante para mim. Uma das primeiras coisas que ele me disse foi que queria me preparar para ser a capitã do time, e isso me surpreendeu bastante, porque nunca tinha me imaginado naquela posição.”
Naturalmente, o sentimento de vestir a camisa da seleção brasileira foi outro assunto debatido pelos dois e levou Gabi a voltar ao início de sua trajetória, quando foi convocada pela primeira vez para as seleções de base e teve a oportunidade de conviver com a geração que conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 no Centro de Treinamento de Saquarema (RJ).
“Jogar pela seleção é literalmente um sonho de criança para mim, e sempre me leva de volta à minha infância, porque desde muito nova eu adorava assistir e praticar esportes, e sonhava em representar o Brasil, ganhar uma medalha e escutar o Hino Nacional”, ela revelou. “Pratiquei muitos esportes antes do vôlei, mas quando eu fui convocada para a seleção de base pela primeira vez e pude conviver com aquela geração fantástica de 2008 em Saquarema, tive a certeza de que eu devia continuar, porque até aquele momento, aquilo era o mais perto que eu tinha chegado do meu sonho.”