A abertura da temporada 2026/27 da Superliga começou cercada por uma situação que chamou a atenção de atletas e profissionais presentes ao evento, nesta quinta-feira (1), na feira de esportes olímpicos do Comitê Olímpico do Brasil, em São Paulo-SP. Com a presença da atleta Tifanny Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde, protocolos teriam sido alterados para evitar que a primeira atleta trans a disputar a competição nacional fosse incluída na cerimônia.
Segundo relatos obtidos pelo Melhor do Vôlei, o protocolo inicialmente previsto incluía a apresentação das equipes, homenagens aos atletas que disputaram o Sul-Americano no Rio, celebração das equipes promovidas da Liga B, retrospectiva da temporada passada, apresentação das demais equipes da Superliga e, ao final, uma homenagem aos campeões e bicampeões olímpicos presentes.
Ainda de acordo com os relatos, Tifanny não participaria inicialmente da cerimônia no palco. Ela teria entrado no local somente após o início do evento. Durante a cerimônia, o roteiro teria sido alterado e apenas o pódio da temporada anterior foi realizado, sem a tradicional participação de atletas e integrantes das comissões técnicas para fotos no palco e sem a foto coletiva.
“Lançam a Superliga e a foto principal é dos atletas olímpicos. Mérito de todos eles, mas não são as únicas estrelas desta temporada. Clubes ficaram de fora, sem falar que os patrocinadores estavam contando com esse momento”, disse um dos atletas presentes que pediu para o nome não ser divulgado.
Após o encerramento, um diretor do Osasco teria informado aos presentes que o protocolo havia sido alterado em razão da presença de Tifanny. Na sequência, o técnico Luizomar de Moura teria pedido desculpas aos patrocinadores das equipes que não puderam participar do palco e, posteriormente, concedido entrevista ao lado da atleta.
A situação gerou questionamentos entre profissionais do voleibol sobre os critérios utilizados para a alteração de um protocolo previamente divulgado e sobre a participação de atletas nas cerimônias oficiais da competição.
Outro atleta, que também pediu anonimato, afirmou que patrocinadores dos clubes foram prejudicados por uma decisão unilateral da CBV, com o objetivo de fazer com que a Tiffany ficasse de fora das fotos oficiais.
A ponteira/oposta de 41 anos disputa o Campeonato Paulista e participou da Superliga desde a temporada 2017/2018. Recentemente, a CBV adotou medita com base no Comitê Olímpico Internacional (COI), que na prática exclui jogadoras trans dos torneios oficiais. Desde então, muitas críticas foram feitas, principalmente porque a pré-temporada já estava em andamento e Tifanny com contrato renovado. Ela, inclusive, tem recebido manifestações de apoio dos principais nomes do vôlei, incluindo a capitã Gabi Guimarães.
ATUALIZAÇÃO
O Melhor do Vôlei solicitou posicionamento da CBV. A entidade divulgou a seguinte nota:
O roteiro de lançamento da Superliga 26/27 não foi alterado no dia do evento e nem por conta da presença da jogadora Tifanny Abreu. Todos os clubes enviaram previamente para a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) os representantes que estariam presentes no lançamento da competição. Nesse ano, o evento ganhou transmissão ao vivo da GETV e do Sportv, e assim, a CBV optou por uma cerimônia com tempo reduzido. E o critério adotado foi técnico: os pódios da última temporada e as equipes que garantiram o acesso. Além disso, homenageamos os atletas que conquistaram a vaga olímpica com o título sul-americano e os medalhistas olímpicos presentes ao evento.
Até o momento, não recebemos nenhuma reclamação oficial dos clubes participantes da Superliga 26/27.


